Sim, sei que demorei em escrever a respeito da morte de Hal Blaine, que aconteceu segunda-feira da semana passada, aos 90 anos. Excesso de trabalho em outras áreas e um profundo desconforto em escrever quase diariamente a respeito de grandes artistas e músicos indo embora fizeram com que eu desse um tempo. Só que não dá para deixar passar em branco o falecimento dele…

No exato momento em que escrevo estas linhas, não consigo lembrar outro baterista que tenha tocado em tantos sucessos instantâneos e que se tornaram imortais ao longo das décadas. “California Dreamin’” (The Mamas & The Papas), “Aquarius – Let the Sun Shine In” (The Fifth Dimension), “River Deep, Mountain High” (Ike & Tina Turner) e centenas de outros. É mais fácil fazer uma lista de quem nunca gravou com ele.

Embora fosse influenciado por lendas virtuosísticas como Gene Krupa e Buddy Rich, Blaine sempre jogou para o time e jamais para si próprio. Detestava fazer solos de bateria nos shows. Desde seus primeiros trabalhos com Patti Page e Tommy Sands, Blaine se tornou tão requisitado que jamais parou de trabalhar um instante sequer. Foi contratado para botar sua bateria em centenas de comerciais de rádio e TV, e por artistas tão diferentes como Frank Sinatra, The Ventures, Elvis Presley, Frankie Avalon, The Byrds, Bobby Darin, Jan & Dean, Simon and Garfunkel, Steely Dan, George Harrison e, claro, os Beach Boys.

Em uma época em que os bateristas começaram a afinar seus tambores com notas mais agudas, Blaine fez o contrário, privilegiando “som da madeira” e não das peles. Por isso, ele tocava alto e forte, o que causava desespero nos engenheiros de estúdios na época. Mesmo assim, foi o batera favorito do lendário e exigente produtor Phil Spector e fez parte do cultuado Wrecking Crew, um grupo de músicos de estúdio que participaram de centenas de gravações e cujos integrantes eram estrelas daqueles ambientes, como o guitarrista Tommy Tedesco e a baixista Carol Kaye. Também trouxe inovações para o instrumento quando desenvolveu junto com a Ludwig um kit com vários tons, que iam de 6” a 16” – como você pode ver na foto principal deste artigo -, juntamente com um tipo de suporte especial, que originou depois aquelas baterias imensas apoiadas em racks. Veja em detalhe abaixo:

 

Não poderia terminar esta pequena homenagem sem postar algumas das maravilhosas canções que receberam a honra de ter a bateria e a percussão de Blaine – quem quiser ouvir a playlist completa que fiz no Spotify, basta acessar o meu perfil, registadeu. Aqui, ouça e preste muita atenção: