Definitivamente, estou cansado de ler tanta imbecilidades nas redes sociais. Entrei na semana de saco cheio de ler tantas merdas ditas e escritas por anônimos e “artistas”, de tanta desinformação e burrice espalhadas aos milhares de cantos da internet. Cretinice disseminada em proporções “tsunâmicas”, hipocrisia distribuída em turmas de débeis mentais na forma de “posts espontâneos”.  Não quero mais saber de ex-namoradas de jogadores de futebol famosos postando “selfies” em frente a miniaturas de barcos vikings lotadas de comida japonesa, um “jabaculê” tão repulsivo quanto beber um litro de vitamina de linguiça batida no liquidificador. Parou! Chega!

Fiquei pensando nisso hoje cedo, durante o banho. Como combater esse retardamento generalizado além do que já venho fazendo há tantos anos, desde que ingressei na carreira jornalística em 1994? Como aumentar um pouco mais o alcance de minhas palavras na mente de quem já me conhece e de quem pode vir a me conhecer? Uma resposta meio vaga e nebulosa surgiu do nada e até me fez desligar o chuveiro: mostrar sons que pouca gente conhece, que quase ninguém deu bola até hoje, que passaram despercebidos até mesmo de quem tem os ouvidos mais atentos. Vou tentar ser um “influenciador digital”, mas sem a babaquice que parece colada de modo inevitável em tal designação. Vou fazer uma “parceria” comigo mesmo, mostrando “produtos musicais” que não foram usados por quase ninguém. Música em todos os formatos – áudio, vídeo e o raio que nos partam -, sem fórmulas ou “encaixotadas” em rótulos, diagramações ou o que quer que seja. Informação livre para quem quiser sair do pântano da mediocridade.

Para mostrar que não estou para brincadeiras, criei esta série que você vai passar a ler e assistir com frequência aqui no blog. E vou começar  com um disco muito bom e que tenho certeza você nunca dedicou um milionésimo de segundo de atenção a ele. Bem, pelo menos até agora…

Vamos nessa!

SPARKLEHORSE – Dreamt for the Light Years in the Belly of a Mountain

Depois de ficar cinco anos inativo por conta de um estado de depressão de seu líder, Mark Linkous, o grupo americano voltou a gravar e soltou em 2006 com este belo álbum com inúmeros convidados, como Danger Mouse e Stephen Drozd, multiinstrumentista do Flaming Lips. É um punhado de “Polaroids musicais” do atormentado Linkous, repleto de imagens estranhas emanadas de suas letras e com uma sonoridade pop completamente narcótica. Inclusive, uma das melhores canções, “Morning Hollow”, veio como sobra do álbum anterior, It’s a Wonderful Life, uma parceria entre ele e o enigmático Tom Waits. Pena que Linkous teve uma recaída em 2010 e se suicidou com um tiro no coração. Deixou como testamento um álbum belo e desconcertante ao mesmo tempo. com uma canção mais linda e triste que a outra. Ouça todas e tente não se emocionar: