A nova farsa de Anitta

Voto é secreto e todo cidadão tem o direito de não revelá-lo. Ponto. Simples assim. Só há um pequeno problema nisso: quando uma artista muito famosa não se posiciona a favor do público que paga suas contas porque vai votar em um candidato que é um claro antagonista desse mesmo público em todos os aspectos. Sim, eu me refiro à Anitta…

Vivemos em um tempo em que o sucesso é medido por número de seguidores – comprados ou não – nas redes sociais. Por isso, nada mais justo que “celebridades” sejam cobradas em seus posicionamentos, quaisquer sejam eles. É o preço que se paga por aproveitar a onda de retardamento mental generalizado para obter ‘sucesso’ e engordar suas contas bancárias com patrocínios, publicidades e todos os benefícios advindos da fama artificialmente engordada por um público cego em sua idolatria.

Você certamente está acompanhando a total revolta dos fãs da… ahn… ‘cantora’, que de uma hora para outra abandonaram a idolatria retardada e passaram a organizar campanhas de boicote do tipo “hashtag” por conta de sua omissão quando cobrada a se posicionar ao ser flagrada seguindo uma fervorosa ‘bolsominion’ e, pior, ao não declarar publicamente seu repúdio ao pensamento do candidato Jair Bolsonaro.

O lance de seguir uma amiga tresloucada não é problema. Eu mesmo tenho amigos queridos que, sabe-se lá por quer, vão votar no Bolsonaro e nem por isso serão privados de minha amizade. É uma questão de raciocínio lógico: se quero que minhas opiniões sejam respeitadas, a primeira coisa a fazer é respeitar opiniões contrárias, civilizadamente. Posso não concordar com meus amigos, mas não a ponto de romper a amizade. Infelizmente, o que mais se vê por aí é o contrário, mas isso é assunto para um texto futuro…

Até mesmo por conta de seu constante ‘discursinho’ a favor das minorias, Anitta não teria o menor problema em se posicionar contra Bolsonaro. Se ela assim o fizesse, seria uma prova de coerência genuína em relação ao que canta e declara ao seu público, que em contrapartida se manteria fiel a ela, obviamente. Só que não é isso que acontece…

O fato de Anitta não se posicionar contra um candidato explicitamente retrógrado como Jair Bolsonaro significa apenas uma coisa: que ela vai votar nele e, pior, que ela concorda com suas ideias e posições machistas/homofóbicas. É uma simples e óbvia constatação para quem sabe que ela foi a maior beneficiária do chamado “pink money” – termo que designa toda a dinheirama originada pelo mercado consumidor da comunidade gay e que não é pouco! -, que gerou tudo o que ela conquistou até agora no Brasil. Não, a tal ‘carreira internacional’ também é uma farsa e você já sabe disso depois de assistir ao primeiro vídeo do meu canal no You Tube, que pode ser visto mais uma vez aqui .

Outro ícone do público retardado, Pabllo Vittar, teve culhões – além da fisiologia óbvia – ao romper um contrato com uma marca de sapatos ao saber que o dono da empresada é um apoiador explícito do candidato boquirroto. Ela não precisou declarar em quem via votar, mas deixou claro em quem NÃO vai votar. Uma diferença simples e preciosa para quem tem uma quantidade mínima de tutano na cabeça. Se até a Rachel Sheherazade se posicionou contra o maluco, por que não Anitta? Por que ela não colocou sua figura artística para demonstrar sua posição contra um candidato a Presidente do Brasil que não tem o menor apreço por direitos humanos?

Ao optar por uma postura neutra, Anitta talvez tenha demonstrado a verdadeira face de sua carreira, que á mesma de todos os artistas muito famosos: “me amem, consumam meus produtos e não encham o meu saco”.

12 respostas

  1. A Anitta é símbolo do movimento gay (erro fatal), acabou vendendo a sua independência e agora colhe os frutos da intolerância. O movimento que levanta a bandeira da liberdade, mostra que a liberdade não é acessível aos que levantam a bandeira do movimento. E para completar, outros artistas que poderiam se posicionar a favor dela e da sua liberdade, preferiram se calar com medo da patrulha.

    A cada dia que passa a liberdade do artista passa por uma lipoaspiração, e não restará muito tempo para que em cima do palco, diante de uma tela ou segurando uma caneta vejamos apenas um esqueleto sem autonomia, independência e iniciativa. O artista atual é um anoréxico da vontade.

    “Ao optar por uma postura neutra, Anitta talvez tenha demonstrado a verdadeira face de sua carreira, que á mesma de todos os artistas muito famosos: “me amem, consumam meus produtos e não encham o meu saco”. Mas não é para ser assim? É o retardamento mental que levam a achar que o artista deve algum tipo de satisfação sobre algo que não seja a sua obra.

    1. Acho que você não entendeu o texto. A crítica do Régis trata do fato da Anitta levantar bandeiras políticas quando é financeiramente conveniente, mas abandoná-las por conveniência política (ela está percebendo um aumento do conservadorismo no Brasil e já está pulando do barco). O público cobrar postura dela não é intolerância e sim cobrança de coerência.

    2. A Anitta não se posicionou por que não seria muito conveniente. Apesar do seu péssimo gosto musical, ela sabe que pode ter uma carreira maior um pouquinho, e com a sua visão empreendedora, apoiar criaturas de esquerda seria suicídio. Precisamos melhorar o país e ela sabe disso, pois faz parte dele. O legado desses tantos anos de esquerda no poder é esse povo imbecil que gosta de músicas idiotas, com as dela. Se ela pretende melhorar, o país também. Ela não precisa de posicionar, pois não é candidata a política, assim como você, Régis, que é um excelente jornalista. Cada um no seu quadrado. O que tem atrapalhado muito a nossa qualidade fonográfica é justamente essa obrigação em ser de esquerda ou direita. A poesia e a melodia ficaram em segundo plano.

  2. Talvez porque ela tenha fãs que se identificam com o tal candidato. Não existe “comunidade gay”, isso é uma coletivização absurda criada por uma ideologia canhota. Quando você coletiviza os gays em “comunidade gay” está dizendo que todos eles pensam igual, e isso não é verdade. A Anitta sabe muito bem as consequências de se manifestar pró ou contra alguém e prefere se manter neutra. Eu, embora anônimo aqui, também tenho um séquito bipartido e, por isso, me abstendo de omitir opinião. Pode apostar que ela tem em seu público gays e héteros favoráveis ao Bolsonaro.

    Essa gente exigindo posição da cantora tá parecendo a polícia do pensamento de Orwell. E ainda querem falar do Bozonaro. Não sei o que é pior.

  3. Eu não sei quem foi mais burra nessa história, a acessória incompetente que deixo a acessada falar um monte de besteira vazia nas redes sócias ou a própria Anitta que não foi capaz de postar um simples “Ele Não” nas redes tb, fazendo esse simples gesto estaria tudo resolvido, mas não, ela posta um texto fazendo ginastica argumentativa que não disse nada e só deixou os fãs mais irritados. Anitta é só isso mesmo: busca fama pela fama e nada mais

  4. A unica resposta que ela poderia ter dado quando questionada se apoia o Bozo era ”não”. Qualquer coisa diferente disso seria um tiro no pé e foi exatamente o que ela fez. O negócio é que Anitta é uma empresária, não uma artista. E me choca ver a quantidade de pessoas defendendo a ideia de que artista não tem que se posicionar. Acho que falta uma aula de música brasileira pra eles.

  5. Fala Régis,gostei muito do seu texto.
    Eu tenho conversado com uns amigos sobre a Anitta.Admiro o fato dela ter saído de uma favela do RJ e alcançado e dominado o estrelato no Brasil,num momento em que o Sertanejo Universitário estava se impondo no mercado.

    Como cantora, acho comum. Nada supreendente. Melhorou .
    O ponto é que ela é o símbolo maior da atual cena mainstrean brasileira.
    Músicas pobres no texto,nos arranjos e na concepção artística. Trocentos artistas ruins, muitos comuns ou até alguns bons,porém todos esses superestimados ao máximo.
    O povo embarca em tudo o que a TV/Rádio impõem.E,somado a tudo isso,temos o momento atual da sociedade brasileira. A luta das minorias e a cobrança por representatividade na mídia.

    A luta, a reflexão sobre estruturas desiguais é, sim, justa.
    O problema é quando você usa isso como argumento musical. Antes,só o fato da pessoa ter tido uma infância pobre,somada a uma caricatura públuca de humildade já ajudava MUITO a formar uma imagem positiva e romantizada do povo para com o artista.

    Agora com a justificativa da representatividade,descambou pro bizarro.
    Eu sou negro,família e pais negros.
    Um dos fatos que não me identificava com novelas e afins é porque não me sentia representado ali. Meu pai não era segurança ou motorista(com todo o respeito a essas profissões). Meu pai é advogado. Lutou muito pra sair da favela e me tirar de lá também. Não tinha moleza na época. Era preto? Ou teabalha MUITO , ou estuda que nem UM CONDENADO ou vira bandido. Era isso. Realidade nua e crua.Seria bom pra mim ver negros protagonizando e tendo destaque em.novelas? Claro!
    Eu,leigo,iria amar. Mas o cara também tem que ter qualidade. Senão a representatividade vira algo forçado. E se você reclamar…se torna um “elitista pré-fascista”.
    Então esse lance de representatividade é o grande argumento do mainstrean atual.
    O cara pode ter uma obra musical,e ser ,um artista sofrível,que se ele for negro(a),gay,mulher ou gorda(o), ele tem um MURO na frente dele que o protege.
    Lacrador não entende de música.
    Um exemplo disso,foi a polêmica do Lulu Santos com o clipe da Anitta no ano passado.

    Então dito tudo isso,afirmo:
    Se a carreira internacional da Anitta vingar,o que acredito que vai acontecer,a esperança de suegimento de uma nova cena de grandes artistas terá de ser renovada por mais muito tempo.

    A carreira internacional dela é o argumento que falta.
    Vão chover vídeos no Youtube: ” Tá vendo? O seu rock,o seu rap e a sua MPB não conseguiram,mas o FUNK CARIOCA conseguiu”.
    O que é de uma ignorância absurda. Músico Brasileiro sempre fez sucesso fora do país(vide Toninho Horta, Nelson Faria,João Gilberto,Naná,Hermeto,Egberto,Lenny Andrade,Ed Motta,Bebel Gilberto,Krisiun,Cólera,Ratos,Angra,Sepultura…).

    Sei que fugi MUITO do assunto proposto,mas era algo que já estava pensando a tempos e vi aqui uma oportunidade de somar no debate.

    Um Abraço pra ti,Régis e pra todos os amigos do blog.

  6. ” Posso não concordar com meus amigos, mas não a ponto de romper a amizade.” Eu rompo! Eu como um homem homossexual não quero amizade com gente que vota em um candidato que disse que “daria porrada se visse 2 homens se beijando” e q “preferia um filho morto a um filho gay”… como vou ter amizade com um pessoa dessas??

  7. Sei lá. Patrulha ideológica é uma coisa que me da nojo.Mesmo contra um sujeito como o Bolsonaro. É coisa de pessoas totalitárias. “Fascistas do bem”.Ate porque o provável opositor do Bozo no segundo turno, para mim, é pior.

  8. A esmagadora maioria dos artistas é assim. Isso não vai mudar. Querem apenas que certas coisas não influenciem negativamente seus planos de marketing. Isso não é qualquer novidade para quem tem alguns neurônios a mais e não muda nada para fãs com neurônios a menos.

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