Uma das coisas que me deixa mais chateado é a impossibilidade de escrever e comentar a respeito de todos os artistas que admiro e que possuem um trabalho muito mais do que digno, quase irrepreensível. A ausência de tempo disponível para isso faz com que eu acabe deixando de lado uma série de nomes que merecem ser reverenciados por inúmeras gerações.

 

jair de todos os sambas

Isso me veio à mente depois que terminei de ouvir Jair de Todos os Sambas. Ele foi sim um cantor que colocava todos os sentimentos possíveis e imagináveis em suas canções, com uma voz tão característica que poderia ser reconhecida até na atmosfera gasosa de Plutão, todas registradas em discos magníficos como esse que citei acima.

Lembrei do choque que tive em maio de 2014 ao saber da morte não apenas de um artista notável, mas de um cara absolutamente incrível, que me deu a honra de uma longa conversa quando dividimos o camarim antes da gravação de uma das edições do Programa Raul Gil.

É claro, falamos a respeito de música – MPB, samba e jazz, principalmente -, tudo entremeado com histórias divertidas e interessantes, gargalhadas e brincadeiras contagiantes. O sujeito parecia ter sido ligado a um liquidificador atômico gigante, tamanha era a energia que emanava dele. Tenho certeza que Hitler nem teria pensado em invadir a Polônia e começar a Segunda Guerra Mundial caso tivesse conversado por quinze minutos com ele. É sério.

Assim era Jair Rodrigues.  Era impossível ficar indiferente a ele. Seu bom humor era algo de sobrenatural.

Além do ser humano maravilhoso que eu tenho certeza que ele foi, Jair era um cantor de primeira grandeza dentro da história da música brasileira. Muita gente diz que ele foi o primeiro “rapper” em “Deixa Isso Pra Lá”, e que será lembrado por ter vencido o II Festival de Música Popular Brasileira em 1966 cantando “Disparada” – uma maravilhosa canção composta por Geraldo Vandré e Teo de Barros –, por sua parceria com Elis Regina e outros detalhes menores. Que fique muito claro: Jair foi MUITO MAIS do que isso!