Uma das maiores e risíveis bobagens que ouço e leio por aí é a tentativa de usar o faturamento financeiro de um artista e/ou banda para justificar uma possível “qualidade artística”. É quase o mesmo que ver torcedor se gabando de seu time por conta de arrecadação em jogos ou por número de “sócios-torcedores” e esquecendo que a colocação na tabela do campeonato não justifica qualquer euforia. Só que no universo musical o mais inacreditável é que fãs com pouquíssima capacidade cerebral pensam que tal saúde monetária é decorrente apenas de vendas de discos, ingressos e músicas nos iTunes da vida. Ledo engano. Hoje, o faturamento de um artista envolve muito mais do que isto…

É evidente que a adoração dos fãs corresponde a uma parcela substanciosa dos rendimentos de um artista. Na verdade, é isso que faz com que as demonstrações de retardamento mental do público sejam toleradas pelos ídolos com reações muito ensaiadas ao lado de seus assessores de imprensa. É claro que elas podem ir do sorriso amarelado até demonstrações explícitas de um júbilo tão falso quanto um leão pintado de preto e branco tentando se passar por uma zebra. Só que vale tudo na hora de arrebatar o dinheirinho dos fãs. Então, tome venda de camisetas, chaveiros, pulseirinhas, prendedores de cabelos, cadernos e mais um monte de quinquilharias, tudo oficializado pelo próprio artista, que ainda perde bilhões por causa da pirataria desenfreada ao redor do globo.

Para você ter uma ideia de como andaram as coisas em termos financeiros de uns anos para cá, coloquei abaixo alguns artistas que faturaram horrores nesta década, uma listinha que dá bem a medida de que dinheiro não significa relevância artística, embora haja exceções…

 

dr. dre

DR. DRE

O veterano rapper e produtor foi, disparado, o artista que mais faturou nos últimos anos, mas não por sua produção musical, e sim porque ele vendeu a sua marca de fones de ouvido Beats para a Apple em 2014 pela bagatela inacreditável de três BILHÕES de dólares!!! Vá acreditar no mercado de fones de ouvido assim na PQP!!!

 

beyoncé

BEYONCÉ

É claro que uma parte significativa de seus rendimentos oriunda de suas sempre bem sucedidas turnês, mas ela marcou um golaço financeiro quando assinou contratos de patrocínio com gigantes do mercado: Pepsi e a cadeia de lojas H&M. Assim, até eu…

 

EAGLES

Esperteza de veteranos é isso: anos atrás, atrelaram o sucesso de um documentário em DVD espetacular – History of the Eagles – a uma extensa turnê pelos Estados Unidos batizada com o mesmo título e com ingressos baratos. O resultado foram shows sold out para vovôs, vovós, tiozinhos e tiazinhas entupidos de memórias afetivas, que por sua vez levaram netinhos, filhos e sobrinhos para a celebração. Gol de placa!

 

bon jovi

BON JOVI

Assim como o Eagles, Jon Bon Jovi foi esperto o suficiente para entender a demanda de fãs veteranas, autênticas “MILFs” que sonhavam em ser groupies da banda nos anos 80 e que ainda guardam suas roupas de couro ‘roqueiras’ dentro dos armários. Junte a ingressos com valores bem abaixo do mercado e shows apenas em grandes arenas, produção enxuta, com poucos funcionários, mais a grana de merchandising indo diretamente para o bolso do vocalista e uma série de patrocínios publicitários e você tem a explicação para um lucro astronômico.

 

bruce springsteen

BRUCE SPRINGSTEEN

Ele é uma das exceções da lista não apenas no quesito “relevância”, mas também por ser um dos artistas que mais shows faz nos últimos anos. Apesar de ter outros negócios, dá para cravar com certeza que a grande maioria de sua receita financeira vem principalmente das turnês e das ótimas vendagens de seus álbuns mais recentes.

 

paul mccartney

PAUL McCARTNEY

Assim como Springsteen, o velho Macca continua excursionando muito, sempre em estádios lotadíssimos. E pode ter certeza de que ele ganhou uma belíssima bolada com o relançamento de todos os álbuns dos Beatles que aconteceram tempo atrás. Foi justo!

 

justin bieber

JUSTIN BIEBER

Enquanto esteve em alta como fenômeno típico de adolescentes debilóides, a arrecadação do outrora moleque era significativa para os padrões financeiros do show business, mas quando se tornou adulto, problemático e perturbado pelo excesso de adulação mundial, Bieber decaiu vertiginosamente em vendagens de discos, ingressos e o merchandising, outrora cativante a ponto de levar cada uma de suas fãs retardadas a comprarem tudo o que ele lançava – de cadernos a pentes, de espelhinhos a camisetas -, para desespero dos pais na época. Hoje, Bieber é apenas o que se chama nos Estados Unidos de “old fart” (“peido velho”), que não atrai a atenção de mais ninguém.

 

one direction

ONE DIRECTION

Outra prova que artistas pré-fabricados para um mercado repleto de fãs retardadas já deixou de ser o mesmo. Assim como aconteceu com Bieber – e vai acontecer com o BTS e esse monte de “salsichas musicais” do tal “kpop”, o grupelho inglês (hoje extinto, graças a Deus!) se valeu unicamente da adoração babada das fãs em adquirir qualquer quinquilharia com a imagem dos garotos do que propriamente pela vendagem de ingressos em seus shows. Para quem cantava mal como o demônio, até que eles ganharam muito.

 

calvin harris

CALVIN HARRIS – 66 milhões de dólares

Ninguém do universo da música eletrônica faturou tanto quanto esse cara nos últimos anos. Também, não foi por menos, já que ele se especializou em tocar em clubes grã-finos espalhados pelo mundo – principalmente em Las Vegas e Miami -, chegando a faturar 300 mil dólares por noite e praticamente sem ter qualquer custo de produção. Afinal de contas, quanto se gasta para levar um pen-drive com as músicas que ele finge que escolhe e toca na hora? Nada. Custo zero. Além disto, ele fez um monte de remixes para artistas bem conhecidos, como a Rihanna, e isto costuma ser regiamente pago. Assim, até eu também…

 

toby keith

TOBY KEITH

O único representante do bilionário mercado da country music americana fatura a sua bolada fazendo extensas turnês, mas principalmente pelos lucros obtidos por sua linha de tequilas e pela cadeia de restaurantes da qual é proprietário. Claro que vender centenas de milhares de álbuns por sua própria gravadora em tempos de crise do mercado fonográfico ajuda bastante…