Se ainda estivesse vivo, Dominguinhos estaria completando 79 anos este mês. Infelizmente, ele foi derrotado em julho de 2013 pela doença contra a qual bravamente lutou. Foi abatido pelas complicações infecciosas e cardíacas de um câncer no pulmão e de uma arritmia no coração já combalido.

É claro que a maioria das pessoas vai lembrar dele por conta de canções que se tornaram extremamente populares – “Isso Aqui Tá Bom Demais”, “De Volta Para o Aconchego” e “Eu Só Quero um Xodó”, entre tantas outras -, mas faço questão de mostrar aqui que Dominguinhos era muito mais que um sanfoneiro e um legítimo herdeiro de Luiz Gonzaga, por quem foi apadrinhado e transformado em seu sucessor.

Sua música, de inegável e forte acento regionalista, era facilmente acoplada a gêneros tão distintos quanto o jazz, chorinho, boleros e tudo que envolvesse a música instrumental brasileira. Foi justamente por ter tal habilidade harmônica e uma técnica assombrosa na sanfona que Dominguinhos foi presença constante nas discografias de gente como Caetano Veloso, Gal Costa, Elba Ramalho, Chico Buarque, Fafá de Belém, Fagner e Gilberto Gil, entre tantos outros.

O universo da sanfona deveria estar em silêncio, triste em seu profundo luto, mas não vai acontecer nada. Aposto que ninguém vai lembrar dele. Serei uma exceção. Mesmo assim, acredito que o próprio Dominguinhos jamais tenha desejado que tal “luto”, e é por isso que a melhor maneira de homenageá-lo é justamente recordar como a sua musicalidade extrapolava – e muito! – as fronteiras do forró e do baião.

Quer alguns exemplos? Assista abaixo Dominguinhos com o ótimo guitarrista Heraldo Monte e o fantástico Zimbo Trio desconstruindo “Rapaz de Bem”, de Johnny Alf. Na sequência, ouça o espetacular momento “jazz rock” em “Baião Violado”, do ótimo álbum Domingo, Menino Dominguinhos, de 1976, e a deliciosa “Não Tem Jeito Quem Dê Jeito”, em que uniu sua sanfona a uma espetacular linha de contrabaixo do grande Luisão Maia no disco Oi, Lá Vou Eu, de 1977: