O primeiro disco saiu em fevereiro de 1970. O segundo meses depois, em setembro. Se para os padrões atuais de preguiça criativa, estratégias de marketing, estrelismo e outras desculpas esfarrapadas, uma banda lançar dois álbuns em um mesmo ano é algo inconcebível, imagine então soltar duas obras-primas em tão pouco espaço de tempo! Já tinha acontecido antes com o Led Zeppelin e seus dois igualmente lendários primeiros álbuns lançados em janeiro e outubro do ano anterior. Só que o Black Sabbath fez com que Black Sabbath e Paranoid se transformassem na gênese do heavy metal. Se você acha isso pouco, é porque não sabe porra e não precisa ler o que escrevo na seguir. Pode cair fora daqui, por gentileza…

Bem, se você ainda está por aqui é porque sabe do que acabei de escrever. Não vou contar histórias a respeito dos dois discos e da banda, pois já fiz isso em, meu canal no YouTube – você pode assistir aqui – e muito menos repetir a mesma ladainha dos sites de rock que proliferam por aí. Nada disso! O que pretendo é algo mais simples: fazer você prestar atenção ao acaso e até mesmo aos problemas que encontra na vida para transformar isso em uma nova maneira de viver.

Os dois discos surgiram por uma série de fatores não musicais: a banda morava em Birmingham, cidade inglesa industrial sombria e esfumaçada que fazia seus habitantes se tornarem pessoas tristes, amarguradas e revoltadas pela ausência de sol; o guitarrista Tony Iommi teve que se adaptar depois de perder as pontas do dedo médio e do dedo anelar na fábrica onde trabalhava, e fez isso depois que ganhou de presente um disco do guitarrista belga Django Reinhardt, que tocava só com dois dedos por causa das sequelas de um incêndio que quase o matou; por ter que usar cordas mais grossas, criou uma sonoridade soturna e muito mais pesada.

As duas obras-primas foram o resultado direto de todas essas adversidades. Entendeu onde quero chegar com esse texto? Sacou como a tristeza e os obstáculos da vida não impedem que a arte prevaleça?

Ponha os dois discos para tocar. Um na sequência do outro. Mostre aos seus filhos e conte as histórias que cercam a criação desses álbuns. Black Sabbath e Paranoid são dois tesouros que nunca podem ser esquecidos pelas novas gerações tanto pelas músicas sensacionais como pelas circunstâncias em que foram concebidos. São duas lições de vida!