Bobby Keys e seu sax aliviaram o meu dia

Passei o dia inteiro trabalhando ininterruptamente em um monte de atividades diferentes e só agora à noite, exausto, encontrei um tempo para escrever aqui no blog. O assunto é a trilha sonora me deu um gás na velha carcaça do tio aqui, habitada ainda por um espírito inquieto, a ponto de servir de inspiração para que eu escreva a respeito de… Bobby Keys.

Se você não tem ideia de quem foi ele, talvez o título de “saxofonista dos Rolling Stones” traga à sua memória a figura dele ao lado dos palcos sempre gigantescos das turnês do grupo. Isso até 2014, quando ele morreu aos 70 anos e depois de levar uma vida tão maluca e cheia de excessos como a de seus patrões. Depois de passar o dia inteiro trabalhando e tendo como trilha os dois únicos e ótimos álbuns que ele lançou em carreira solo – Bobby Keys em 1972, com as presenças de George Harrison, Ringo Starr e Eric Clapton, e Gimme the Key, em 1975 -, você tem que saber que ele foi um instrumentista de primeira grandeza:

 

 

A lista de artistas que contrataram os serviços de Keys e seu sax maravilhoso forma uma constelação de astros incrivelmente invejável. O cara “só” tocou com John Lennon, The Who, Joe Cocker, Marvin Gaye, Graham Nash, Lynyrd Skynyrd, B.B. King, Dr. John, Faces, Humble Pie e os próprios Harrison, Starr e Clapton, entre muitos outros famosos. Tá bom ou quer mais?

Só que os Rolling Stones sempre foram a sua “residência”. Keys tocava com os caras desde 1969, quando foi contratado para tocar em algumas faixas do álbum Let It Bleed. A partir de então, seu sax se tornou imortal: não dá para ouvir “Brown Sugar”, por exemplo, sem a sua presença…

 

O cara chegou a ser dispensado de seus serviços em 1974 por um Mick Jagger cansado das confusões que o saxofonista armava nos bastidores do grupo, sempre tendo cocaína, álcool, putarias, quartos de hotel destruídos e despesas milionárias com champagne como tempero descontrolado. Embora todo o tempo contasse com o apoio integral do chapa e melhor amigo Keith Richards, este uma vez o ameaçou seriamente – com um revólver na mão! – por conta de um episódio envolvendo uma bola de golfe e ovos Benedict durante um café da manhã em um hotel. Foi perdoado por Jagger seis anos depois, quando voltou a fazer parte da banda nas turnês. Mas com a condição de não mais fazer “brincadeiras” como esta:

 

Ele vinha tocando ininterruptamente com a banda desde 1981, mas em outubro de 2013 foi obrigado a abandonar a turnê dos Stones pela Nova Zelândia e Austrália. Os anos de incríveis excessos finalmente vieram cobrar a conta por intermédio de uma cirrose em estado avançado. E foi ela que o levou deste mundo terreno…

Fiquei sabendo que Keys escreveu sua biografia, Every Night’s a Saturday Night – The Rock ‘n’ Roll Life of Legendary Sax Man Bobby Keys, mas até hoje não consegui encontrá-la por aí. Continuo tentando…

 

 

2019-02-14T16:38:03+00:00

2 Comments

  1. Sandro Rafael da Silva 14 de fevereiro de 2019 at 16:07 - Reply

    Régis, uma pequena correção… Brown Sugar é do disco Sticky Fingers de 1971 (a propósito, o que são as linhas de sax de Bitch, do mesmo disco!?). Bobby Keys, além de ser um músico incrível , era um cara boa praça e bem humorado… faz muita falta! Abração, Régis.

    • Regis Tadeu 14 de fevereiro de 2019 at 18:46 - Reply

      Foi um lapso de memória de minha parte. Obrigado pela correção, Sandro.

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