Na segunda-feira passada gravei um debate com Paulo Baron a respeito de qual vocalista do AC/ DC preferimos – o vídeo irá ao ar em breve lá no meu Canal no YouTube. Mesmo gostando do trabalho do Brian Johnson – que foi escolhido justamente porque não ousou copiar o falecido -, para mim é muito óbvio que Bon Scott seja o meu escolhido.

Lembro que a primeira vez que um disco da banda foi lançado aqui no Brasil foi por intermédio do estupendo Let There Be Rock (1977). O impacto em mim e em todo roqueiro que se prezasse na época foi imenso! E assim aconteceu com os discos posteriores, Powerage (1978) e a obra-prima Highway to Hell (1979).

Depois que Scott morreu, fui atrás das bandas pré-AC/DC, tentar saber que tipo de som ele fazia. Não consegui encontrar nada – lembre-se que a internet seria inventada décadas depois. Foi apenas bem depois disso, no final dos anos 90, que finalmente encontrei em CD os trabalhos que Bon Scott fez antes da consagração. Encontrei um álbum com tudo o que ele gravou com o The Valentines nos anos 60 – quando dividia os vocais com Vince Lovegrove, que mais tarde virou renomado jornalista musical e empresário do duo Divinyls, que fez grande sucesso com a ótima “I Touch Myself” – e o Fraternity no início da década de 70, antes de entrar no lugar do Dave Evans em 1974 e já soltar com o AC/DC o petardo High Voltage no ano seguinte. Assista Scott em ação com as duas bandas:

 

 

 

 

Quanto ao Brian Johnson, durante os anos 70 ele foi o vocalista de uma banda da qual sempre gostei, o Geordie. Tive em LP os dois primeiros discos que a banda lançou em edições nacionais – Hope You Like It (1973) e Don’t Be Fooled by the Name (1974) – e acabei passando-os para a frente quando adquiri ambos em CD. Nem preciso dizer que adoraria recomprar os dois em LP, né?

 

 

Os dois não chegaram a se conhecer pessoalmente, mas o Fraternity chegou a abrir uns dois shows do Geordie e, segundo relatos de pessoas próximas, Bon ficou muito tempo comentando com os irmãos Angus e Malcolm Young o quanto Johnson o havia impressionado, principalmente por sua presença de palco, cujo ápice era botar seu guitarrista nos ombros e levá-lo para “passear” no meio da plateia enquanto ele solava. Tanto que Scott imitava isso ao carregar Angus e “dar uma volta” com ele no meio do público.

Aliás, existe uma história ótima: durante um show daquela turnê com o Geordie, Scott ficou pasmo ao ver Johnson gritando no palco, quase uivando, deitado no chão e se contorcendo. Para ele, o cara era um dos melhores vocalistas que ele já tinha visto e ouvido até então. Só que anos depois ele descobriu que tudo o que Johnson tinha feito naquele show foi causado por uma… apendicite! Veja como ele e a banda eram ótimos ao vivo:

 

 

Embora reconheça que Johnson tenha um vocal mais agressivo e estridente, e que ele tenha estado presente do início fase de amadurecimento da banda – a partir do sucesso intergalático do Back in Black – até os dias de hoje, para mim foi Scott quem personificou o espírito malandro do som do AC/DC.

E você? O que pensa a respeito disso?