Charles Aznavour foi mesmo o “Frank Sinatra francês”

Sim, a comparação lhe caía como uma luva feita sob medida. Seu nome foi sinônimo de música francesa e seu vastíssimo repertório tinha como elemento constante uma atmosfera de nostalgia quase palpável. Pode apostar: ele foi muito mais do que apenas o compositor de “She”, a maravilhosa canção – cujo título original é “Tous les Visages de l’Amour” – que revitalizou sua carreira mundial muitos anos depois de seu lançamento original em 1974 ao ser interpretada de maneira brilhante por Elvis Costello como o tema do simpático filme Um Lugar Chamado Notting Hill, estrelado por Julia Roberts e Hugh Grant em 1999:

https://www.youtube.com/watch?v=nK9H2owUQQ8

 

Aznavour morreu ontem, aos 94 anos. Nos últimos tempos, vinha sofrendo com um problema que aflige todas as pessoas da terceira idade: quedas que acabavam fraturando ossos e levando a problemas de coluna. Por pouco não morreu em cima do palco – ele tinha agendado um show em Bruxelas em 26 de outubro! – já que continuava a se apresentar ao vivo com uma disposição física e mental que faria com que Stan Lee criasse um personagem baseado em tal aptidão quase sobrenatural para qualquer ser humano normal com a mesma idade. Talvez isso tenha acontecido porque ele era um daqueles “multiartistas” – foi cantor/compositor/ator/dublador/arranjador/produtor e o que mais você imaginar -, dotados de tamanha versatilidade que podiam fazer coisa sem demonstrar um vacilo sequer em termos de qualidade. Sem contar que o palco o revitalizava:

https://www.youtube.com/watch?v=ls8Cn5abrX0

 

Compôs para todo mundo do alto panteão da canção francesa – Edith Piaf, Gilbert Bécaud, Juliette Gréco, Charles Trénet e Maurice Chevalier, entre outros – e calou a boca de muitos críticos que tentaram ridicularizá-lo quando começou a cantar – tardiamente, diga-se de passagem – no início dos anos 60 e quando se tornou ator dos bons, trabalhando muito bem em filmes como A Passagem do Reno (1960), O Último dos Dez (1974, baseado em um livro da lendária Agatha Christie), Os Fantasmas do Chapeleiro (1982) e o premiado O Tambor (1979), que recebeu até mesmo um Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro”.

Seu repertório nada tinha de “moderno”. Pelo contrário. Aznavour era um romântico à moda antiga, que privilegiava a qualidade dos arranjos de suas canções sem qualquer facilidades para uma fatia de mercado que só interessava a gravadoras ávidas por grana. Para ele, era importante ter classe e autenticidade acima de tudo. O resto seria consequência, como assim foi: vendeu mais de 180 milhões de álbuns em oito décadas de carreira sem abrir mão de seus conceitos sonoros e sem fazer concessões a quem quer que fosse.

 

Aznavour foi aquilo que ouvimos dele desde sempre…

9 respostas

    1. A frase está correta gramaticalmente, mas resolvi mudar para deixar tudo menos rebuscado. Ah, um aviso: seja mais educado na próxima vez em que tentar corrigir alguém. Considere-se avisado.

          1. Calma Man! Seus textos são sempre muito bem escritos. Só essa observação de usar a palavra MESMO como pronome.
            Abraços.

  1. Nossa, jurava que a música “She” era do Elvis Costello !!! Perdoe minha ignorância, Régis . Hoje, aprendi mais uma com você…Obrigado !!

  2. Boa tarde, tudo bem?
    Poderia me ajudar? Como grande fã de Charles Aznavour tenho quase certeza que você vai saber o que procuro.
    Busco o nome de uma musica dele, no clip ele esta com uma blusa branca (uma jaqueta ou um casaco talvez) e ela esta encostado nem parede branca, parece ser uma praça. Na verdade minha mãe viu esse clipe na globo no dia em que ele morreu e queria muito ouvir a musica de novo. Gostaria de saber para baixar para ela, já procurei no youtube, mas não tive sucesso. Se puder me ajudar eu serei eternamente grata! Abraços!!

      1. Muito obrigada por responder ao meu comentário.
        Farei isso, vou procurar por essa musica que você falou.
        Muito obrigada!!
        Minha mãe ficará muito feliz!!
        Bjus, bjus e bju!!

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