Não sei muito bem o motivo, mas fiquei muito surpreso – e de modo bastante negativo – quando os álbuns abaixo foram lançados e não provocaram qualquer estardalhaço dentro do panorama musical nacional. Nem mesmo um burburinho. Nada. Sei que muita gente ouviu cada um deles, mas esperava sinceramente que pudessem dar uma boa chacoalhada no marasmo que vez por outra impera na música brasileira, que alterna momentos que vão do patético ao sublime.

Ainda indignado com esse descaso, faço questão de colocá-los aqui para que você acompanhe os áudios correspondentes e depois vá atrás deles nos “streamings da vida”. Nunca é tarde para você mesmo criar a sua “temporada para ouvir artistas nacionais”.

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FALCÃO – Sucessão de Sucessos que se Sucedem Sucessivamente Sem Cessar

Que ele é um dos artistas mais escrachados, sarcásticos e inteligentes da música brasileira, disto não há dúvida. Só que o gigante cearense se superou com esse álbum, uma coleção de barbaridades hilariantes e muito bem sacadas. Que outro adorável maluco usaria a mitológica “Smoke on the Water”, do Deep Purple, para fazer “Fumando Numa Quenga”? Ou homenagear Bob Dylan em “Lasque a Rola em Tonha”? Ou cunhar um hit com o título “Você é a Letra X da Palavra Love”, que rendeu o primeiro “videoclipe selfie” do Brasil?

 

 

 

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ROGÉRIO SKYLAB – Melancolia e Carnaval

Maluco, grosseiro, politicamente incorreto, completamente “chupeta”, falastrão, excêntrico, punheteiro, imprevisível, gênio incompreendido, provocador… Qualquer que seja o adjetivo que você use para definir este cidadão é muito pouco para dimensionar o quão surpreendente é este ótimo álbum, o segundo de uma trilogia– o primeiro é Abismo e Carnaval, de 2012 -, no qual ele apresenta vários sambas de sua autoria, todos muito bem arranjados em sua simplicidade e com belos versos. E ainda tem a participação de Jards Macalé, Rômulo Fróes e a Velha Guarda da Mangueira. É um álbum surpreendentemente belo!

 

 

 

THAÍDE

Uma das figuras mais dignas da história do hip hop nacional, ele lançou recentemente um single com duas boas canções. A primeira é “Malandragem é Viver”, mais roqueira, com a participação do Pump Killa, enquanto a segunda é “Respeito é Pra Quem?”, junto com Arnaldo Tifu, DJ Spaiq e o mesmo Pump Kill:

 

 

VALDIR VERONA & RAFAEL DE BONI – Duo de Viola e Acordeon

Figura bastante conhecida no meio musical gaúcho, este violonista/violeiro de Caxias do Sul é um dos mais incansáveis batalhadores da perpetuação da música instrumental daquele Estado para as novas gerações. O álbum anterior dos dois, Encontro das Águas (2007), já beirava o sublime, e ele teve a manha de repetir o mesmo grau de qualidade neste trabalho mais recente, repetindo a parceria com o talentoso acordeonista De Boni. De quebra, ainda mostro um vídeo em que a dupla recebeu o auxílio luxuoso de Yamandu Costa:

 

 

ADRIANO GRINEBERG – Blues for Africa

Talentosíssimo tecladista com especialização em blues, neste trabalho ele voltou sua atenção para os sons africanos e obteve um resultado excepcional e instigante para quem gosta de sonoridades que fogem do usual. O alto astral do disco tem como bom exemplo o que se ouve em “Syahamba”, uma homenagem a Nelson Mandela, e na versão ao vivo para “Kumbaya”.