Como você já deve ter percebido, não vivemos mais uma época em que a música tenha se notabilizado por uma enxurrada de lançamentos de álbuns. Da mesma forma, basta ser minimamente antenado com o que rola no planeta em termos de som para sacar que não dá para ouvir 000,01% das canções que surgem diariamente. Mesmo para quem trabalha diretamente com isto – como é o caso do tio aqui – é praticamente impossível acompanhar em tempo real todas as novidades despejadas em um mercado cada vez mais acirrado em termos de competitividade para atrair a atenção das pessoas.

É por isto que vou tentar fazer a minha parte e recomendar alguns álbuns que foram lançados no Brasil nos últimos anos, mas que foram criminosamente ignorados tanto pelo público quanto pela chamada “crítica especializada”, esta última cada vez mais empenhada em “jogar pra galera” ao tentar ‘bombar’ verdadeiras bombas em forma de “hype”.

Leia – e ouça – a seguir alguns nomes que lançaram álbuns bem legais e que merecem mais atenção de sua parte:

 

soundgarden

SOUNDGARDEN – Superunknown (Special Edition)

Disponível em várias versões no exterior e em CD duplo aqui no Brasil, a edição de 20º aniversário desse belo álbum da banda de Seattle trouxe, além do repertório do ótimo disco original bem remasterizado, alguns quitutes bem apetitosos, como demos bem diferentes de algumas canções, ensaios e alguns remixes, além de vários “b-sides” legais, como “Kyle Petty, Son of Richard”:

 

arch enemy

ARCH ENEMY – War Eternal

A conhecida banda sueca de metal trocou de vocalista feminina – saiu Angela Gossow, que virou a empresária da banda, e entrou a canadense Alissa White-Gluz, ex-The Agonist -, mas o som continuou absurdamente agressivo e bem tocado, com boas canções e uma produção caprichada:

 

 

NINE INCH NAILS – Hesitation Marks

O projeto capitaneado pelo talentosíssimo e carismático Trent Reznor tem nesse álbum – lançado em 2013! – uma prova de que os tempos de raiva incontrolável de seu líder contra tudo e todos ficaram para trás. Não é um disco “feliz”, mas ao final da audição temos a sensação de que acabamos de tomar contato com um tipo de som que opta por encontrar soluções em vez de enumerar os problemas, apesar de tudo ainda estar em volta em uma atmosfera em que a escuridão dá o tom.

 

 

OF MONSTERS AND MEN – My Head is an Animal

Esse grupo surgiu depois de vencer uma espécie de “torneio musical nacional” em seu país natal, a Islândia, e ter o seu disco de estreia aclamado – com justiça, diga-se passagem – pela mídia especializada internacional. Embora tragam fortes semelhanças com o som do Arcade Fire, as canções do álbum são excelentes e empolgantes até mesmo nos momentos mais delicados. Quer um exemplo? Assista aos maravilhosos clipes de “Little Talk” e “King and Lionheart”:

 

 

neon trees

NEON TREES – Habits

Como tudo na vida é cíclico, está aqui a prova de que tem gente revisitando a new wave dos anos 80 com tintas bem modernas. É o caso deste grupo americano, que teve o seu primeiro disco recentemente lançado com esquisito atraso no Brasil – lá fora saiu em 2010. Imagine se o Killers fosse um grupo menos chato e mais despretensioso, com canções cheias de refrãos grudentos e uma pegada mais, digamos, “pop punk dance”, e você terá uma ideia de como é o som deste pessoal.

 

 

Boa audição!