Para milhares de mulheres, ela deu forma e pavimentou a estrada que invadiu o universo masculino em busca de respeito, não apenas artístico, mas principalmente como afirmação de um ser humano que usou sua arte para dizer verdades a todos nós. Para mim, ela foi isso e é muito mais: Carole King é um dos mais importantes ícones da música POP (sim, com maiúsculas) em todos os tempos, com uma discografia irretocável! E é aí que entra sua obra-prima, que completa em fevereiro 50 anos de aniversário de seu lançamento.

Ela sacramentou em seu próprio álbum o inegável talento como compositora que já era reconhecido por todo o meio artístico desde o final dos anos 50 – ela compôs hits certeiros para Aretha Franklin – como “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman”, incluída também em Tapestry -, Bobby Vee, The Monkees (“Pleasant Valley Sunday”), Dusty Springfield e mais um monte de gente graúda. Até mesmo os Beatles fizeram sua versão de “Chains” em seu disco de estreia, que King compôs com seu então marido/parceiro, Gerry Goffin. Conhece a sensacional versão que o Grand Funk Railroad fez para “The Loco-motion”? Adivinhe quem a foi a moça que compôs a canção original?

Pianista de qualidade superior a qualquer um que se metesse a tocar o instrumento dentro do universo pop daqueles tempos, King martelou divinamente as teclas para criar canções absurdamente espetaculares, como “It’s Too Late”, “I Feel the Earth Move”, “Will You Still Love Me Tomorrow” e “You’ve Got a Friend”, regravada no mesmo ano por James Taylor.

Tapestry é monumental em todos os sentidos. O sentimentalismo nunca resvala para a babaquice açucarada, a descontração sônica aparece na medida certa e a sinceridade com que ela abre seu próprio coração nas letras é de fazer qualquer pessoa chorar em esguicho.

Pare de ler imediatamente o que escrevo e ouça Tapestry de ponta a ponta, de uma vez só. Duvido você sair dessa audição como a mesma pessoa de sempre…