É uma discussão que parece não ter fim…

Já faz certo tempo que se discute as novas maneiras de ouvir música no mundo, principalmente depois do surgimento dos serviços de streaming, que permitem ao usuário ouvir milhões de músicas mediante o pagamento de uma pequena assinatura, bla bla blá… Você sabe como isso funciona, não preciso explicar como funcionam essas ferramentas. Só que mesmo depois de anos, elas continuam como personagens de um velho embate: os valores das porcentagens de royalties que empresas que comandam tais plataformas repassam para as gravadoras, para quem detêm os direitos das canções e, no final da fila, para os compositores e artistas.

 

Taylor swift

Lembra quando uma das campeãs de acesso a esse sistema de audição, Taylor Swift, tomou a drástica atitude de romper com o Apple Music, alegando que discordava frontalmente dos valores repassados pelo serviço e da maneira como tal repasse era feito? Na mensagem em que explicava tal decisão, ela deixava claro o pensamento da maior parte dos artistas em relação aos “novos” tempos: que eles ainda não percebiam que o dinheiro que ganhariam seria oriundo dos shows em que promoveriam seus discos. E assim vinha rolando até que estourou a pandemia…

Parece incrível, mas ainda hoje os artistas – seres que frequentemente vivem em “realidades paralelas”, imersos em bolhas de fantasia que os mantém desconectados do mundo real – ainda alimentam a esperança de que venham a obter generosas remunerações, principalmente porque estão incapacitados de fazer shows da maneira tradicional. Nem que sejam ‘picotadas’ pela comercialização de faixas individualizadas.

Desde o surgimento do Napster, décadas atrás, que os artistas passaram a não ganhar absolutamente nada com as vendas de discos. Quem foi esperto na época sacou que um novo disco havia se tornado apenas uma “justificativa” para uma nova turnê e, consequentemente, para um faturamento que não passava pelos departamentos financeiros das gravadoras e selos. Isso significava que quanto maior fosse o sucesso de um novo álbum – e o próprio artista tinha que meter a mão na massa para que isso acontecesse -, maior seria a expectativa em relação à turnê, maior a venda de ingressos e artigos de merchandising e, consequentemente, maior grana para o artista.

 

O próprio caso da Taylor Swift foi um exemplo disto. Quando seu fraquíssimo álbum 1989 bombou em termos de sucesso entre seus fãs, a respectiva turnê que ela fez foi bastante lucrativa. Para ela.

Foi então que surgiram os serviços de streaming, que voltaram a ser um meio para que o artista conseguisse ganhar alguma grana com a comercialização de suas GRAVAÇÕES – faço questão de exagerar na visualização da palavra para você entender bem a coisa – e o velho ‘mimimi’ dos astros voltou a pulular por aí. Eles não conseguiam aceitar que, a partir de então, teriam que colocar todas as suas canções nos “Spotifys da vida” e trabalhar insanamente na divulgação disso, ao mesmo tempo em que criavam estratégias para alinhar tal megaexposição às sua agenda de shows e à venda de seus produtos, fossem eles camisetas, chaveiros, pôsteres e, claro, discos. Sim, seus CDs e, principalmente, LPs vendidos nas barraquinhas na entrada dos locais onde apresentassem seus shows.

Era um ciclo que tinha que ser bem fechado para gerar lucro. O coronavírus transformou tudo isso em pó, em areia e plantas cobrindo templos inoperantes e esvaziados. Até mesmo as “lives”, até então consideradas como salvadoras, vem caindo assustadoramente de audiência para todos os artistas e bandas.

Daqui em diante, tudo isso terá que ser mais uma vez repensado e recriado praticamente do zero. Qualquer coisa aquém disso é dar a cara para ser esbofeteado pela realidade…