É isso mesmo, meu amigo e minha amiga: a agenda de shows mais sincera de todos os tempos está de volta!

Quem acompanhava meu trabalho no Yahoo sabia que toda quinta-feira era dia de gargalhar e se irritar com a relação de shows que o tio aqui tinha assistido e recomendava – ou não! – com toda aquela sinceridade sarcástica, ácida e azeda que faz parte da minha alma.

Quando o Yahoo deixou de ter espaço para matérias opinativas e os contratos dos colunistas não foram renovados, fiquei torcendo para ter a chance de manter essa “agenda opinativa” com a permissão do portal. Eles não só permitiram como ainda deram a benção para que eu usasse o mesmo nome aqui no site. Assim, vamos retomar esse guia de shows semanal que, sempre às sextas-feiras, pretende indicar as apresentações que você não pode perder e as ‘roubadas’ que devem ser evitadas.

Bem, vamos lá!

ART POPULAR

20 – Carioca Club – São Paulo

Apesar de voltar a ser liderado por Leandro Lehart – um cara positivamente diferenciado dentro do universo rasteiro do pagode ‘mela calcinha’ – e contar com a sua formação original, o grupo não consegue mais produzir algo minimamente interessante em termos de composição. Infelizmente, em vez de se tornar um grande grupo de samba de verdade, prefere fazer o mesmo som que 472 agrupamentos similares. Que pena…

 

SEU JORGE

20 – Km de Vantagens Hall – BH

Esperto ele é. Seu Jorge resolveu reviver o clima dos antológicos shows que Tim Maia e do Jorge Benjor fizeram no passado e fez aquilo que se transformou em uma característica de ambos: montou uma ótima banda de apoio, suingadíssima e competente. Para quê? Ora, para tocar as chatíssimas e terríveis canções de sua lavra – como “Burguesinha”, “Carolina”, “Mina do Condomínio” e umas baladas ainda mais terríveis, como “Tive Razão”, “Cuidar de Mim” e “Seu Olhar”, todas com as letras mais constrangedoras dos últimos tempos. Para quem encara um show como uma “balada” qualquer, será um deleite, já que a paquera vai rolar solta, as pessoas vão dançar e se beijar loucamente, aquelas coisas de sempre… Ah, só uma observação: ainda não consigo me conformar com a ‘brilhante ideia’ de algum ‘jênio do marquiti’ que mudou o nome de uma casa de shows para esse troço aí em cima, mas isso é uma outra história…

 

GUIZADO

20 – SESC Avenida Paulista – São Paulo

Já faz tempo que este multiinstrumentista vem fazendo discos bem interessantes, como Calavera (2010) e o mais recente, O Vôo do Dragão (2015), no qual incorporou de vez elementos eletrônicos ao seu estranho “jazz suingado MPBístico” de uma maneira bem experimental e elegante. Agora, ele anuncia que vai comemorar com este show o 10º aniversário de seu disco de estreia, Punx, ou seja, talvez ele apresente no palco as canções do álbum na íntegra. Independente do que ele apresentar, pode ter certeza que você vai presenciar um cara que não se acomoda na hora de elaborar seu som. Vale a pena conferir!

 

VICTOR & LEO

20 – Teatro do Bourbon Country – Porto Alegre

Infelizmente, a dupla – demitida da Globo depois dos problemas policiais que Victor teve com a patroa dele – vinha caindo dentro das armadilhas do ridículo mundo sertanejo. Tinham abandonaram o forte acento pop/folk que os diferenciava dos “Brunos & Marrones da vida”, já que colocavam disfarçadamente em seu som elementos de grandes nomes como Neil Young e Bruce Springsteen, o que obviamente passava despercebido da parte de seu público retardado. Com isto, as letras que versavam sobre o romantismo “dor-de-corno” caíram ainda mais de qualidade, as harmonias e melodias empobreceram consideravelmente e tudo agora mergulhou em um oceano de mediocridade. Quem sabe agora, com todo o sofrimento que ambos sentiram nos últimos tempos, a dupla volte a se importar menos em agradar gente descerebrada e volte a fazer canções dignas da fama que obtiveram? Torço para que se transformem em uma espécie de “Seals & Crofts sertanejo” ao apresentar as canções de seu mais recente álbum, Na Luz do Som, lançado no ano passado. O que já seria muito bom…

 

LUIZA POSSI

20 – Teatro Bradesco – São Paulo

Tudo o que ela quer é ser uma amálgama de Ana Carolina com Maria Rita. O problema é que sua falta de carisma vem sempre acompanhada de uma voz tremendamente irregular, e isso se reflete na fraqueza de seus discos. Deus queira que este problema tenha sido solucionado, pois ela agora vai se apresentar sem banda, tendo apenas a companhia de um pianista no palco – vai rolar também uma participação especial do sanfoneiro Enok Virgulino, do Trio Virgulino – e anunciou que, além de canções de sua carreira, vai mostrar releituras de composições de grandes nomes do jazz, MPB e do rock nacional. Se quiser arriscar, aí é por sua conta…

 

BIXIGA70

20 e 21 – SESC Pompéia – São Paulo

Este é um show imperdível, já que se trata de um dos grupos brasileiros mais legais da atualidade. Os caras resgataram a sonoridade afrobeat de artistas africanos dos anos 70 – que misturavam jazz, rock e a típica sonoridade daquele continente – e acrescentaram um “molho” brasileiro estonteante. E ainda estão lançando um novo álbum, Quebra Cabeça, o quarto na carreira. Vaio ser um showzaço!

 

PONTO DE EQUILÍBRIO

20 e 21 – SESC Belenzinho – São Paulo

O cenário do reggae no Brasil é uma lástima, com dezenas de grupo fazendo um som chinfrim e com uma postura de palco tão carismática quanto um cacto seco. Este octeto carioca – que alega ter uma carreira de dezoito anos! – não é exceção. As letras são terríveis, o discurso “igualdade, amor e justiça” provoca vergonha alheia em quem realmente segue a “filosofia rasta” e som medíocre, que dá a impressão de ser uma única música tocada em “loop”, só não é pior que o timbre do vocalista Hélio Bentes, que canta como se tivesse engolido uma bexiga de aniversário não muito cheia de ar. Para quem, como eu, que adora o reggae de Bob Marley, Peter Tosh, Dennis Brown, Gregory Isaacs e de bandas como Steel Pulse, Big Youth, Aswad, Heptones e Gladiators, ouvir o Ponto de Equilíbrio faz os ouvidos sangrarem em esguicho…

 

CENTRO DO ROCK

20 a 26 – Centro Cultural São Paulo – São Paulo

O projeto que pretende mostrar um painel do novo rock feito no Brasil começou no dia 4 passado e já rolaram apresentações de ótimos grupos da nova safra, como o potiguar Far From Alaska, o pernambucano Kalouv, o paulistano Bombay Groovy e o paraense Molho Negro, entre outros. A partir de hoje e até o dia 28, as grandes pedidas são as apresentações do mato-grossense Macaco Bong (dia 26), do paulista Picanha de Chernobyl e do guitarrista gaúcho Marcelo Gross (ex-Cachorro Grande), ambos no dia 27. É o evento ideal para quem tem curiosidade em saber como anda rock brasileiro da atualidade.

 

RATOS DE PORÃO

21 – Embaixada Osasco – Osasco (SP)

Uma das melhores bandas brasileiras de todos os tempos vai desfilar o seu tradicional festival de pancadaria sonora com a competência de sempre. Mais legal ainda é que os caras estão lançando mais um álbum, Século Sinistro, uma ‘desgraceira’ de chorar de tão boa. Vai se uma pancadaria indicada para ouvidos selecionados. Outras atrações do evento são as bandas Ossos Cruzados, Imminent Attack, Trezedog, Com Respeito e BMBC. Os amantes da sutileza devem passar longe…

 

LÉO JAIME & LEONI

21Km de Vantagens Hall – BH

Este show – ironicamente batizado como “Leoni & Leonardo” – traz dois velhos parceiros se reunindo para mostrar canções de seus respectivos repertórios, o que pode ser perfeito para quem é saudosista do chamado “rock dos anos 80”. É outra daquelas apresentações do tipo “vá por sua conta e risco”…

 

ROUGE

21 – Espaço das Américas – São Paulo

O show é batizado como “15 Anos”, que é exatamente a idade mental de todo mundo que se dispõe a gastar dinheiro para ver o quinteto de ex-meninas novamente em cima do palco, entoando canções que podem ser definidas sutilmente como “pop vagabundo”. O público desta presepada certamente vai entrar em delírio quando começarem os primeiros acordes daquela ridícula “Ragatanga”. É uma ‘roubada’ indicada só para quem tem miolo mole…

 

TULIPA RUIZ

21 – Opinião – Porto Alegre

Um dos grandes destaques da nova geração de cantoras brasileiras, ela vem se tornando um exemplo de como uma grande voz pode propiciar um belo show. O repertório é bacana, Tulipa é carismática e a banda que a acompanha segura muito bem a onda. Você vai sair do show com vontade de comprar o disco da garota. Pode apostar!

 

TURMA DO PAGODE

21 – P12 Parador Internacional – Florianópolis
Quem se importa com mais um dos 3.769 grupos de “pagode chifrudo” que existem por aí? Quem se importa com um grupo que só sabe cantar “lelelê”, “laialaiá” e mais um monte de letras ginasiais a respeito de dor do corno? Eu não. E você?

 

ANGRA

21 – Tom Brasil – São Paulo

É uma pena que uma das bandas de metal nacionais mais conhecidas no exterior esteja presa a uma fórmula sonora completamente caduca que hoje, mais do que nunca, é conhecida pejorativamente como “metal melódico”. Contando agora em suas fileiras com um dos vocalistas mais chatos da galáxia – o italiano Fabio Lione (ex-Rhapsody of Fire; ex-Labyrinth) -, é daquelas apresentações indicadas a quem ainda se emociona com cafonices como “Carry On” e outras bobagens. Além do repertório tradicional que sempre engloba canções antigas, vão tocar na íntegra o mais recente álbum, OMNI. O que não alivia muito…

 

MATANZA FEST

21 – Tropical Butantã – São Paulo
Muita gente acha um absurdo, mas… Sim, o Matanza é uma banda legal e que faz um show melhor ainda. Ao vivo, os caras mandam muito bem e as canções fazem muito mais sentido do que aquilo que você ouve no CD. È claro que você precisa entrar na vibe “Johnny Cash metal caminhoneiro cafajeste” para curtir e divertir com as canções escrachadas, mas mesmo quem não chegado a este tipo de “podreira” pode curtir as apresentações que marcam a despedida da banda. No evento vão tocar também InocentesMuzzarelas e Hatefulmurder, ou seja, vai ser diversão garantida!

 

GUGA STROETTER & ORQUESTRA HEARTBREAKERS convidam ANNA LU e JESSE MONROE

22 – Bourbon Street – São Paulo

Esta é uma apresentação imperdível por um motivo muito simples: traz uma banda competente ao extremo no domínio de instrumentos de sopro, contrabaixo, piano, vibrafone e o que mais estiver em cima do palco, sustentada por uma seção rítmica “nota 10”, e que se propõe a botar todo mundo para dançar ao som de… jazz! Trata-se de um “baile/show” contagiante, que vai contar com as participações da cantora britânica Jesse Monroe e da vocalista Anna Lu, que vão interpretar canções de Benny Goodman, Duke Ellington e até mesmo Amy Winehouse, tudo com uma abordagem “jazzisticamente suingante”. Para quem gosta de sacudir o esqueleto, é prato cheio!

 

PALAVRA CANTADA

22 – SESC Parque Dom Pedro II – São Paulo

É muito legal ver gente trabalhando a cabeça da criançada com músicas legais e criativas em termos poéticos, longe da lavagem cerebral feita pelas “Xuxas da vida”. E é justamente o que faz este projeto capitaneado pelo violonista Paulo Tatit e pela boa cantora Sandra Peres, que incluiu no repertório algumas novas canções. Faça um favor a seus filhos: leve-os a este show e coloque os pirralhos para trilhar um ótimo caminho musical.

 

GRITANDO HC

22 – SESC Interlagos – São Paulo

Uma das mais antigas e tradicionais bandas de hardcore – os caras têm uma carreira de quase 25 anos – volta a atacar com um repertório rápido, tocado de modo quase “desesperado”, no bom sentido do estilo, é claro. Como vão rolar várias canções do álbum mais recente dessa turma, Terra de Lobisomens, de 2016, misturadas com pauladas mais antigas, o resultado certamente vai provocar um festival de pogo na plateia. Desaconselhável o uso de blazer e sandálias de salto alto…

 

FABIENNE MAGNANT

23 – SESC Consolação – São Paulo

Neste show gratuito, a violeira e violonista francesa mostra o resultado musical da enorme influência que recebeu por conta das inúmeras viagens de pesquisa sonora que fez em nosso País. Ela vai tocar suas versões bastante peculiares de composições de instrumentistas de primeiro calibre, como Gerardo Nuñez, Marco Pereira e o lendário violonista Garoto. DE quebra, vai rolar a participação do violeiro Ricardo Vignini, que faz um trabalho igualmente instigante e digno dentro do universo da viola. Aproveite e leve toda a família para saborear tal experiência musical!

 

CATEDRAL

23 – Theatro NET SP – São Paulo

Sair de casa para assistir a um show de uma banda que insiste em imitar a Legião Urbana há 452 anos não é bem um programa recomendável, ainda mais apresentando canções de poética mais fraca que sopa de albergue noturno. Para piorar, o trio usou o velho truque da “turnê de despedida pelo Brasil” em 2016 para vender mais ingressos e agora vem com a lorota “milhares de pedidos dos fãs nos fizeram voltar à ativa e comemorar trinta anos de carreira”, uma trapaça absolutamente intolerável. Fuja disso!

 

BANDA MANTIQUEIRA
24 – Bourbon Street – São Paulo

Fundado em 1991 pelo clarinetista Nailor Proveta, este grupo voltou à ativa há alguns anos depois de um longo hiato. Desde então faz jus á fama que obteve no passado por conta da excelência musical de cada integrante e, principalmente, pela abordagem “big band” que os caras fazem para composições de Tom Jobim, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e João Bosco. Se você não conhece, vai ter uma agradável surpresa em todos os sentidos. Pode ir que é sonzaço!

 

OS INCRÍVEIS

 

25 – Imperator – Rio de Janeiro

Comandado pelo lendário baterista Netinho, a banda que foi um dos ícones da Jovem Guarda nos anos 60 comemora mais de meio século de existência com show em que mostra performances corretas e um monte de hits, como “Era um Garoto que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones”, a ufanista “Eu te Amo, Meu Brasil” e a instrumental “O Milionário”. Será um espetáculo bem divertido para quem curtiu aqueles tempos…

 

BANDA BLACK RIO

26 – Bourbon Street – São Paulo

Embora esteja completamente descaracterizada em relação a sua formação original, esta reencarnação do lendário grupo dos anos 70 faz um show até que animado, mas feito para agradar apenas a quem não faz a menor ideia da história da banda. Quem conhece o som “das antigas” vai simplesmente odiar o que estes caras estão fazendo. Sugiro uma olhadela para que você se posicione, ainda mais porque a promessa aqui é tocar na íntegra o clássico álbum Maria Fumaça, lançado em 1977.

 

RODRIGUINHO, GAAB, AH MR. DAN

26 – Audio – São Paulo

Não dá para esquecer que Rodriguinho foi um dos mais ativos representantes do “pagode mela calcinha” que fez muito sucesso entre meninas descerebradas anos atrás. Hoje, sem qualquer atrativo físico que cause algum frisson na mulherada, ele se vê obrigado a contar com a presença de seu filho Gaab, tão talentoso musicalmente quanto um arbusto, e do irmão Ah Mr. Dan – que raio de “nome artístico” é este? -, um sujeito que tem em seu currículo trabalhos como backing vocals do Exaltasamba e dos Travessos e que já compôs para Thiaguinho e Imagina Samba. Para piorar, será gravado um DVD nesse show, com as participações de Ferrugem, Livinho, Petra e do próprio Thiaguinho. A julgar pela “capivara musical” dos envolvidos, recomendo que você fique em casa. De preferência, com as janelas e portas trancadas…

 

SCALENE

26 – Imperator – Rio de Janeiro

O trabalho desse grupo nunca chamou efetivamente a minha atenção. Seja pelas canções apenas razoáveis embaladas com um peso sonoro meio artificial, pela falta de carisma de seus integrantes ou pela ausência de um direcionamento sonoro mais consistente, o grupo de Brasília padece de uma falta de personalidade que chega a ser irritante. Pode ser que ao vivo a coisa toda funcione um pouco melhor. Acho difícil que eu e você tenhamos alguma surpresa…

 

CPM 22

26 – Opinião – Porto Alegre

Comemorando duas décadas de existência, a banda trata de dar uma repassada em sua carreira com um repertório bastante irregular, em que boas canções – como aquelas do álbum Depois de um Longo Inverno, com uma maior influência de Social Distortion e ska punk – estão ao lado de outras fraquíssimas. É uma boa hora para a banda deixar de lado o seu público adolescente e partir para um som mais adulto.

 

PAD

26 – Teatro J. Safra – São Paulo
Tendo em mente apenas o que ouvi no disco de estreia da banda paralela do guitarrista Marcos Kleine, do Ultraje a Rigor, dá para cravar que o show seja mais intenso em sua proposta autoral de fazer rock cantado em Português sem apelar para tendências mais radicalmente agressivas. Vale uma boa espiada…