MADELEINE PEYROUX

20 – Palácio das Artes – Belo Horizonte

21 e 22 – Theatro Municipal – Rio de Janeiro

A tímida e desengonçada cantora tem uma proposta artística corajosa, espontânea e verdadeira, que não esconde sua predileção pelo jazz, blues e folk, a ponto de muita gente compará-la com a mitológica Billie Holiday, o que é um exagero estratosférico. Mesmo assim, ela volta ao Brasil com uma apresentação imperdível, pois além de divulgar seu mais recente álbum, o ótimo Anthem, ela vai apresentar outras belas canções extraídas de sua discografia. É um evento classudo e descompromissado ao mesmo tempo. Não perca!

 

MARCELO NOVA

20 – Bolshoi Pub – Goiânia

Dono de um inegável carisma, ele sempre entrega o que promete: um show de rock and roll descompromissado, divertido e engajado na preservação de uma “vitalidade roots” bem vinda. Suas composições são bem acima da média e a banda que o acompanha é sempre competente. Torça para que ele toque vários temas do Camisa de Vênus para a coisa ficar ainda mais energética para quem está na plateia.

 

PÉRICLES

20 – Carioca Club – São Paulo

Ele é um cara carismático e dono de uma bela voz. Com o fim do Exaltasamba, Péricles iniciou sua carreira solo e eu torço sinceramente para que ele se afaste completamente do som que fazia com seu finado grupo, voltando a fazer um samba de raiz com letras que tenham uma maior profundidade poética. A julgar pela música mais recente que lançou, “Até que Durou”, que estará presente em seu novo disco, infelizmente parece que isto não vai acontecer tão cedo. Pena…

 

CHICO CÉSAR

20 – SESC Pinheiros – São Paulo

Depois de quase uma década sem lançar um álbum com canções inéditas, o cantor e compositor paraibano reaparece com O Amor é um Ato revolucionário, um disco repleto de canções engajadas na posição política de seu autor. Hum, não sei não…

 

CÉU

20 – SESC Pompéia – São Paulo

Boa cantora em disco e um pouco irregular ao vivo, ela se tornou um dos mais celebrados nomes da nova safra de cantoras brasileiras. Neste show ela vai mostrar canções de seus bons álbuns – incluindo o mais recente, cujo título ainda não foi divulgado -, o que é uma excelente pedida para quem não acredita que a música nacional vai além das “Anittas da vida”…

 

EDUARDO COSTA

20 – Teatro Guaíra – Curitiba

Esse cantor é mais um dos “sertanejos” a infestar o show business com músicas dor-de-corno e aquele romantismo piegas que só impressiona quem tem miolo mole. Para piorar, o cara tenta imitar o Leonardo na cara dura. Deus do céu, quando este tipo de praga vai acabar?

 

PEDRO MARIANO

20 – Teatro Bradesco – São Paulo

O grande problema o cantor era a sua total falta de carisma, um problema tão sério que acabava contagiando suas canções, que sempre soavam como se o Jorge Vercillo resolvesse parar de imitar o Djavan e passasse a fazer uma versão mais adocicada do Maurício Manieri. Incrivelmente, ele vem driblando isso com um novo show que se não chega a ser espetacular, não faz feio para quem deseja a assistir a uma apresentação mais “classuda”, na qual chega a tocar bateria e cantar ao mesmo tempo. Vale pela curiosidade…

 

“O GRANDE ENCONTRO” com ALCEU VALENÇA, ELBA RAMALHO & GERALDO AZEVEDO

20 e 21 – Km de Vantagens Hall – Rio de Janeiro

Quando três velhos parceiros de composição resolvem mostrar suas criações juntos, o resultado é um repertório com músicas belíssimas e um daqueles shows que resgatam aquilo que anda em falta na MPB hoje em dia: poesia. Boa pedida!

 

ROUPA NOVA

20 e 21 – Credicard Hall – São Paulo

É aquela velha história: os caras são músicos extraordinários, com total domínio de seus instrumentos, mas ficaram presos a um mercado que não aceita nada que contenha um mínimo de criatividade musical. Resignada, a banda então vem se rendendo há anos em tocar coisas abomináveis como “Dona” e “Whisky a Go Go”, feitas especialmente para agradar a um público muito pouco exigente. Infelizmente, o Roupa Nova é a prova que todo país tem o Toto que merece…

 

LENINE

20 e 21 – Teatro J. Safra – São Paulo

Dentro do atual cenário da MPB, poucos são os artistas que apresentam um trabalho tão consistente, coerente e de alto valor artístico quanto ele. Sempre surpreendendo a plateia com repertórios diferentes e com uma banda de apoio muitas vezes pesada para o tipo de som que faz, Lenine transforma cada uma de suas canções em manifestos poéticos muitas vezes sacolejantes – algo ainda mais raro de se ver e ouvir. Seu novo show, Em Trânsito, vai revelar muitas surpresas e não pode ser ignorado, justamente pelas qualidades de seu autor acima citadas. Vá sem medo!

 

ROCKFEST”

21 – Allianz Parque – São Paulo

Um festival que reúne duas bandas veteranas que pouca arriscam em suas apresentações ao vivo – Scorpions e Whitesnake (que lançou recentemente o pavoroso Flesh & Blood) -, um grupo escalado às pressas para substituir o Megadeth por causa do câncer do Dave Mustaine – o Helloween, com sua formação “dois vocalistas fingindo que são amigos” (Michael Kiske e Andy Deris) -, mais um velho conhecido dos brasileiros, que é o Europe, e o grupo nacional Armored Dawn “abrindo os trabalhos”… Dependendo de sua disposição, pode ser um evento divertido ou extremamente desgastante. Vá por sua conta e risco!

 

SKANK

21 – Espaço das Américas – São Paulo

Canções bacanas, instrumentistas competentes, astral animado e simpatia espontânea. São exatamente estas características que sempre estão presentes em qualquer show do grupo mineiro, que agora se propõe a montar um repertório unicamente centrado em seus três primeiros álbuns: Skank (1993), Calango (1994) e Samba Poconé (1996). É inegável que você vai passar o tempo com um sorriso estampado no rosto. Vá e divirta-se!

 

MARIA GADÚ

21 – Teatro Guaíra – Curitiba

Erroneamente chamada de “a nova Cássia Eller”, ela faz aquele tipo de som bem quadradinho, asséptico, sem risco, ideal para quem idolatra o Ivan Lins. O show costuma ter uma dinâmica meio arrastada e chega a dar sono em determinados momentos, pois fica a impressão de que ela passa o tempo inteiro cantando uma mesma música. Tomara que não inclua a pavorosa “Shimbalaiê” em suas apresentações.

 

CAPITAL INICIAL

21 – Tom Brasil – São Paulo

Podem acusar a banda de qualquer coisa, menos de ser incompetente em cima do palco e de fraquejar na hora de propiciar um show animado. Por ser o único grupo remanescente da cena roqueira brasileira dos anos 80 que conseguiu reciclar o seu público, o quarteto certamente vai exibir um desfile de hits para todo mundo cantar junto e se esbaldar. Isso, claro, para quem tem idade mental inferior a dezessete anos e não se irrita ao ver o vocalista Dinho Ouro Preto falar a palavra “cara” em cada frase que pronuncie…

 

ALCIONE

21 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

A “Marrom” canta muito. Isto é fato. O problema é que ela parece ter tanta certeza disto que acha que pode cantar qualquer coisa e todo mundo irá babar. Ledo engano. Um repertório que privilegie o samba e não canções “dor de corno” fazem com que a qualidade de seus espetáculos aumente consideravelmente. Espero que isso ocorra agora, no momento em que ela resolve montar uma apresentação “acústica”, como é o caso desse show.

 

MARIANA AYDAR

21 e 22 – SESC Belenzinho – São Paulo

Tendo lançado recentemente um bom disco, Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo, a cantora vai mostrar um espetáculo que pretende fazer um grande “anel rodoviário-musical” a interligar a MPB e o pop com searas inusitadas de sua personalidade musical, o que torna ainda mais explícito o caráter experimental de sua “MPB esquisita”. Se não tem a menor ideia do que escrevo aqui, então eu recomendo que você veja este show e tire suas próprias conclusões.

 

BROTHERS OF BRAZIL

21 e 22 – SESC 24 de Maio – São Paulo

Os dois irmãos Suplicy – Supla e João – tentam há muito tempo provar que não são uma piada sem graça em cima do palco. O problema é que para cada boa canção que mostram em cima do palco surgem duas ou três que beiram o constrangedor. E esta regra também vale para seus discos. Que pena…

 

ROBERTO CARLOS

22 – Espaço das Américas – São Paulo

Vamos encarar a verdade? Ok, lá vai: se você viu um show do Roberto Carlos, viu todos. Infelizmente, ele é incapaz de mudar um único detalhe de suas apresentações e esta postura já dura há décadas. As músicas são as mesmas, os arranjos são os mesmos, a comunicação com a plateia é a mesma, as rosas distribuídas para as senhoras tresloucadas que se sentam nas primeiras fileiras já são de praxe, a leitura descarada das letras em um teleprompter, o pieguismo romântico… Tudo rigorosamente igual. Se você não se incomoda com isso, bom proveito! Mas se é para saborear sempre a mesma iguaria, prefiro comer pastel de queijo na feira… Ah, um detalhe: é daqueles shows em que só mulheres são admitidas na plateia.

 

TIM “RIPPER” OWENS

22 – Manifesto Bar – São Paulo

Que ele é um excelente vocalista, ninguém discute – o trabalho ao lado do Judas Priest ainda vai merecer um melhor crédito no futuro -, mas falta a Owens um melhor direcionamento profissional e um pouco menos de ganância por cachês. Ele simplesmente topa fazer qualquer coisa para levantar uns trocados. Inclusive, vir ao Brasil o tempo todo para tocar “covers” variados – agora ele anuncia que vai fazer um “tributo ao Dio”. Chega uma hora que a parada toda fica meio patética…

 

BLACK ALIEN

22 – SESC Itaquera – São Paulo

Se existe alguém que adquiriu um status de “cult/maldito” dentro da cena hip hop nacional é este cara. Ex-integrante do Planet Hemp em priscas eras e figura presente no encarte de discos de gente como Paralamas do Sucesso, Charlie Brown Jr., Fernanda Abreu e Raimundos, ele parece ter vencido uma batalha contra seus demônios internos e reapareceu depois de um longo tempo ausente. Ele agora inclui as composições de seu mais recente álbum, o estranho Abaixo de Zero: Hello Hell. É daqueles shows que tendem a ser tornar enfadonhos para os ‘não iniciados’.

 

GUILHERME ARANTES

22 – SESC Parque Dom Pedro II – São Paulo

Com mais de 40 anos de carreira, um dos mais brilhantes compositores da história da música brasileira mostra um show alto astral, recheado de canções legais. Pode apostar que você vai se pegar cantando um monte delas! Pena que ele não estará acompanhado de sua excelente banda de apoio – com destaques para o guitarrista Luiz Carlini e o baixista Willy Verdaguer – e sim apenas usando um piano, sozinho, o que vai transformar a apresentação em um encontro musical mais intimista. Em compensação, a apresentação será gratuita. Não perca tal oportunidade.

 

ANA CAÑAS

22 – SESC Pinheiros – São Paulo

Outra boa representante da nova safra de cantoras brasileiras, Ana tem a seu favor um belo timbre de voz e uma postura até certo ponto ousada em termos musicais quando comparada com suas colegas contemporâneas. Isto faz com que seus shows sejam sempre surpreendentes – e no bom sentido. Vale a pena sacar o que ela vai aprontar no lançamento de seu mais recente álbum, Todxs. Outro show que vale uma espiada atenta. Ah, vai rolar participação especial de Duda Beat.

 

NEY MATOGROSSO

22 – concha acústica do Teatro Castro Alves – Salvador

Ele apresenta agora um novo espetáculo, Bloco na Rua, no qual vai mostrar um repertório que fica meio longe de seus tradicionais hits, incluindo versões de canções alheias, aliado a arranjos quase brilhantes. É ainda um show com uma abordagem mais pop, em que Ney resgata “Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua”, clássico de Sergio Sampaio, “O Beco”, dos Paralamas do Sucesso e “Mulher Barriguda”, dos Secos & Molhados. É um show obrigatório para quem gosta de música como arte. Pena que tenha gente que não entenda isso e fique gritando “te amo”, “gostoso” e outras babaquices nos intervalos entre as canções e até mesmo durante as mesmas, o que é um porre…

 

BON JOVI

25 – Allianz Parque – São Paulo

Ver senhores cinqüentões pagando de “gatinhos” já é uma experiência que causa vômitos incessantes. Ver esses caras em cima de um palco fingindo que são “roqueiros de verdade” perante uma plateia formada por senhoras já na menopausa, vestidas com calça de couro e jaquetas de “oncinhas”, ao lado de garotinhas histéricas que berram até mesmo por um pedaço de pizza requentada, é algo que nos aproxima ainda mais dos chimpanzés. Se você quer ver como uma banda de hard rock “mela calcinha” ainda consegue arrancar dinheiro de fãs trouxas, não perca tal espetáculo. Depois não diga que eu não avisei…

 

WHITESNAKE

25 – Km de Vantagens Hall – Belo Horizonte

Se você nunca viu um show da banda comandada pelo eterno ex-vocalista do Deep Purple, a hora é agora, pois é muito provável que esta seja sua última turnê, já que a voz de Coverdale já foi para o “vinagre” ao vivo. Tanto isso é verdade que os momentos de solos de seus músicos foram estendidos ao limite do insuportável. Além disso, todos cantam com o “patrão” para segurar a onda, incluindo o tecladista Michele Luppi (ex-Vision Divine), que ‘dobra’ os vocais de Coverdale em 90% do tempo com sua voz poderosa e afinada. Com um repertório cheio de clássicos e até mesmo com uma ou duas canções recentes de seu terrível álbum Flesh & Blood, é daquele show que vai agradar somente aos fãs menos exigentes.

 

YANIEL MATOS TRIO

25 – JazzB – São Paulo

Esse jovem pianista cubano é um dos mais brilhantes instrumentistas presentes no cenário musical brasileiro. Dono de uma técnica extraordinária e de um senso melódico difícil de encontrar nos dias de hoje, ele vai deixar toda a plateia de queixo caído com uma sonoridade que transita pelo jazz, pela MPB instrumental e, claro, pelos ritmos e harmonias da música cubana. Outro show imperdível!

 

JOÃO DONATO & DONATINHO

26 – SESC do Carmo – São Paulo

Ver este extraordinário pianista em ação é presenciar uma maravilhosa página da história da música brasileira sendo apresentada na sua frente, ao vivo. Mesmo que não exiba mais a exuberante técnica e destreza do passado, Donato ainda é capaz de nos emocionar com pérolas extraídas de seu imenso repertório, em que o samba e o jazz formam uma única linguagem. Ao lado de seu filho multiinstrumentista, é daqueles shows para assistir sem medo!

 

LÍNGUA DE TRAPO

26 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Você acharia graça em um sujeito que passou anos e anos contando as mesmas piadas e que, depois de um longo período de inatividade, volta a contar as mesmíssimas piadas esperando que todo mundo morra de rir? Mesmo lançando um novo disco – O Último CD da Terra – depois de 24 anos, as graças continuam as mesmas, enquanto as canções pioraram muito. Já viu, né?

 

MONICA SALMASO

26 – Teatro Castro Alves – Salvador

A ótima cantora vai apresentar um novo show, no qual divulga seu mais recente álbum, Caipira, ao lado dos arranjadores daquele álbum – Nelson Ayres, Guinga, Teco Cardoso e Nailor Proveta, entre outros -, mais o Quarteto Carlos Gomes de cordas. Taí um espetáculo classudo e imperdível.

 

SCOTT HENDERSON

26 – Blue Note – São Paulo

O estupendo guitarrista americano é um velho conhecido dos brasileiros por suas constantes visitas, nas quais sempre divulga seus ótimos discos – agora é a vez de People Mover –, sempre mostrando o que sabe fazer de melhor: unir jazz, rock, funk e blues de um modo soberbo, Não perca esse show de modo algum!