PITTY

21 – Audio – São Paulo

Os shows da cantora e de sua boa banda sempre foram relevantes apenas para quem tinha idade mental inferior a dezessete anos. A questão agora é que ela está em uma nova fase, aberta a outras sonoridades, o que é um perigo no caso dela – vide as pavorosas músicas novas que ela lançou recentemente, “Contramão” e “Te Conecta”. É óbvio que ela vai manter a pegada roqueira de seus trabalhos anteriores em cima do palco, mas… Ah, dois detalhes: ela vai mostrar várias canções inéditas, que estarão presentes em seu próximo disco, e na abertura vai rolar show da Tássia Reis. Bem, vá por sua conta e risco.

 

RÔMULO FRÓES

21 – Auditório Ibirapuera – São Paulo

Figura carimbada na cena da música brasileira underground, o cantor/compositor nunca primou pela afinação na hora de colocar sua voz grave em qualquer microfone, o que sempre tornou suas apresentações uma experiência próxima do suplício. Menos mal que ele faça uso de harmonias e melodias fora dos padrões mais convencionais, uma característica acentuada em várias canções de seu mais recente álbum, O Disco das Horas. Dá para arriscar. Quem sabe ele não anda passando um pouco de mel nas amígdalas?

 

MAHMUNDI

21 – SESC Pompeia – São Paulo

A julgar por aquilo que ouvi em seu primeiro e autointitulado álbum, esta cantora e multiinstrumentista já poderia ser destacada como um dos melhores nomes da moderna música brasileira dos últimos tempos. As comparações com o tempo em que Marina Lima produzia boas canções não eram desmedidas, já que suas composições tinham doses explícitas do pop elegante e moderno que ela vinha criando até então. Pena que em seu mais recente trabalho, Para Dias Ruins, ela reuniu um repertório mais adequado a uma hipotética volta do Fat Family. Tomara que tal vacilo não tenha se espalhado para seus shows…

 

IMAGINASAMBA

21 – Carioca Club – São Paulo

O que se pode comentar a respeito de mais um grupo de “pagode romântico isca de periguete que adora fazer ‘coraçãozinho’ com as duas mãos”? Nada além de desprezo é o que merece as canções ridículas dessa turma, com letras feitas especialmente para enternecer a alma de gente que tinge o cabelo com água de salsicha e usa vestidos colantes dois números abaixo do tamanho de seu manequim. Fuja correndo desta presepada!

 

JÃO

21 – Cine Theatro Brasil – Belo Horizonte

Não, não é o guitarrista do Ratos de Porão em carreira solo. É mais um desses moleques que algum empresário esperto tenta emplacar como a “nova esperança do pop brasileiro”, mas que só atrai a atenção de meninas que estão aprendendo a se masturbar. O fato de ter sido vencedor de um ‘prêmio’ como o MTV MIAW na categoria “Revelação” diz bem a respeito do tipo de som ridículo que esse moço faz. Nem pense em deixar sua filha assistir a esse troço…

 

ZECA PAGODINHO e MARCELO D2

21 – Espaço das Américas – São Paulo

Logo de cara, um aviso: serão shows individuais, o que não impede que Marcelo venha a aparecer em um algum momento da apresentação do Zeca. Com isso em mente, você pode decidir se vai ou não presenciar o veterano cantor dar uma aula de “samba de verdade”, já que poucos têm a autoridade dele na atualidade. O cara é carismático, sabe botar aquela voz bêbada com perfeição dentro das ótimas composições que permeiam seu repertório, tem sempre uma banda de apoio consistente ao seu lado e os shows são sempre divertidos justamente pela espontaneidade. De sua parte, Marcelo domina a fórmula “rap + samba” com tempero e consistência instrumental, além das letras espertas e ideais para o estilo. Se deixar de lado os discursos e papos furados que costumam permear suas apresentações e se concentre em cantar, o show vai tomar uma proporção ainda mais contagiante, ainda mais contando com uma sempre competente banda de apoio. Arrisque!

 

TONINHO FERRAGUTTI QUINTETO

21 – JazzB – São Paulo

Um dos melhores acordeonistas da música brasileira, ele estará ao lado de excelentes instrumentistas em sua empreitada de unir a música brasileira tradicional com o jazz. Pode apostar que será um show bastante “classudo”…

 

RAIMUNDOS e TEQUILA BABY

21 – Opinião – Porto Alegre

Contra quase todos os prognósticos, os Raimundos seguem firme e fazendo bons shows, em que o clima de animação adolescente e porra-louca continua intacto. É claro que é um show para quem tem idade mental inferior a 15 anos, mas isto está longe de ser defeito para quem faz este tipo de som. Na abertura, vai rolar a apresentação de outra conhecida banda que apresenta características condizentes com a noitada, que é o caso do Tequila Baby. Bom programa para quem quer deseja dar uma ‘espairecida’ e voltar no tempo em que era “skatista hardcore”…

 

AIRTO MOREIRA

21 – SESC Pinheiros – São Paulo

Uma das figuras mais emblemáticas do sucesso que músicos brasileiros conquistaram no exterior, o genial percussionista vai deixar muito claro nessa apresentação os motivos que levaram-no a ser contratado por gente do naipe de Miles Davis, só para citar o mais famoso. Centrando o repertório em seu mais recente álbum, o excelente Aluê, lançado no ano passado, ele vai dar uma verdadeira aula de criatividade percussiva, contando ainda com uma banda de apoio formada por músicos igualmente respeitados no Brasil, com destaque para o baixista Sizão Machado e o baterista Carlos Ezequiel. Não perca!

 

GARAGE FUZZ

21 – SESC Pompéia – São Paulo

Não há dúvida de que este grupo santista foi um dos mais importantes nomes da cena punk/hardcore brasileira durante os anos 90, mas o som da banda mudou e hoje os caras estão mais próximos do senso melódico e harmônico de bandas como o Bad Religion, o que não é nada mal. Apesar disso, tenho lá minhas ressalvas em relação a esse show, pois ele será no formato “acústico”. Será que vai funcionar? Dê uma conferida no som dos caras e veja quem influenciou bastante o som do CPM 22. Não nas letras, claro…

 

PAULA TOLLER

21 – Teatro Guaíra – Curitiba

Deixando claro que o Kid Abelha acabou mesmo e que iria se dedicar à carreira solo, a cada vez mais linda Paula Toller continuava com sua vozinha pequenina e claudicante a serviço das canções de seu despretensioso disco, Transbordada. Agora ela reaparece com um novo show e prometendo incluir no repertório várias releituras de Mutantes, Charlie Brown Jr e outros menos cotados, além de canções de sua ex-banda, obviamente. É daqueles shows indicados para quem não tem muito critério na hora de sair de casa: divertido e mais nada. Para quem se contenta com pouco, já está bom. A abertura fica por conta da cantora, compositora e pianista Taís Alvarenga.

 

DJ JAZZY JEFF

21 – Tropical Butantã – São Paulo

Para quem não sabe, ele fez dupla com “Fresh Prince”, que era ninguém menos que o Will Smith. Desde que a dupla se desfez musicalmente em 2001, ele vem lançado álbuns muito bons repletos de ótimos temas calcados no “rap old school, e esse deve ser o mote de sua discotecagem aqui no Brasil. Se você é chegado nesse tipo de sonoridade como o tio aqui, vai se esbaldar!

 

JOSÉ AUGUSTO

21 – Tom Brasil – São Paulo

Depois de anos enterrado em um profundo ostracismo, eis que um dos maiores representantes do “romantismo piegas com cafonice explícita” ressurge sabe-se lá de onde para nos assombrar com canções horrorosas e uma voz carregada das piores características que se pode dar à palavra “sentimento”. Meu Jesus Cristo, o que as pessoas não fazem para poder pagar as contas…

 

“SAMPA JAZZ FEST 2018”

21 e 22 de setembro – Espaço Itaú de Cinema Augusta e Casa das Caldeiras – São Paulo

Este é mais um evento a propor a derrubada de barreiras musicais, já que a escalação de nomes como Hermeto Pascoal, o baixista camaronês Richard Bona, o saxofonista Esdras Nogueira e os grupos Bixiga 70 e Nelson Ayres Big Band, mais a presença de nomes menos conhecidos como Carol Panesi, Meretrio e Dani Gurgel, pode ser considerada como um grande cardápio de finas iguarias sonoras. Deixe a preguiça de lado e vá cuidar um pouco melhor de seus ouvidos!

 

ART POPULAR

21 e 22 – Centro Cultural São Paulo – São Paulo

Apesar de voltar a ser liderado por Leandro Lehart – um cara positivamente diferenciado dentro do universo rasteiro do pagode ‘mela calcinha’ – e contar com a sua formação original, o grupo não consegue mais produzir algo minimamente interessante em termos de composição, mesmo dando ênfase ao piano e acrescentando elementos pouco comuns ao estilo, como orquestra e coros, o que foi comprovado no DVD Breakdown Partido Alto. Torço muito para que nesses shows os caras mostrem uma sonoridade diferenciada e letras com um maior grau de poesia de alto nível.

 

RAEL

21 a 23 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Um dos nomes mais interessantes da moderna cena do hip hop nacional, ele vai mostrar algumas das canções incluídas nos álbuns Coisas do Meu Imaginário e no EP Ao Vivo, e alguns sons mais antigos, todos colocados por sobre bases rítmicas bem sacadas e com o suporte de uma banda de verdade. Vai rolar até um momento “voz e violão” no meio do show. Vale a pena dar uma arriscada…

 

CANNIBAL CORPSE e NAPALM DEATH

21 – Teatro Manauara – Manaus

22 – Espaço Jangada – Fortaleza

23 – Baile Perfumado – Recife 

Um evento que reúna duas das bandas mais… ahn… “românticas” da cena do heavy metal em todas as suas vertentes só pode ser definida com duas palavras: “disgracêra apocalíptica”. Se você assistiu aos vídeos que publiquei na edição da semana passada já percebeu que não estou mentindo…

 

“CARMINA BURANA”

21, 24 e 25 – Sala São Paulo – São Paulo

Aqui está uma ótima oportunidade de você impactar a si mesmo e a seus filhos com uma das obras eruditas mais famosas de todos os tempos. Com a regência de Luciano Camargo, a Orquestra Acadêmica de São Paulo e o Coral da Cidade de São Paulo apresentam a célebre cantata profana composta por Carl Orff, além da suíte “O Pássaro de Fogo”, de Igor Stravinski. Imperdível!

 

VANESSA DA MATA

22 – SESC Belenzinho – São Paulo

Taí um daqueles shows que deixam todo mundo com sorriso no rosto e com vontade de cantar as músicas. Esqueça bobagens como “Ai Ai Ai”. Há uma delicadeza brejeira na voz de Vanessa que funciona perfeitamente dentro de suas canções. Suas apresentações são sempre corretas, com banda afiada e direção segura. É uma boa pedida para quem quer impressionar a(o) parceira(o) recém-conquistada(o), principalmente porque neste show ela vai o resultado de seu mais recente trabalho, o CD/DVD Caixinha de Música, gravado ao vivo em São Paulo.

 

DEVOTOS

22 – SESC Pompeia –São Paulo

Antigamente conhecida como “Devotos do Ódio”, a banda pernambucana está comemorando três décadas de existência com o lançamento de um novo disco, O Fim que Nunca Acaba, e vai contar com a participação especial de dois líderes de bandas: Sandra Coutinho, das Mercenárias, e Clemente, dos Inocentes. Para quem gosta de punk, hardcore e até reggae tocado de modo deliciosamente tosco, será um programão.

 

MUMUZINHO

22 – Carioca Club – São Paulo

Na boa: quem é esse cara? O que ele faz? O que ele canta? Jogou onde? Já calçou uma chuteira na vida? Ah, ele uma vez atrapalhou um treino daquele timeco que perdeu de 7×1 para a Alemanha? E eu com isso?

 

KATINGUELÊ

22 – Carioca Club – São Paulo

Chega a ser difícil definir em palavras a ojeriza que tenho pelas músicas desse grupo – que outrora tinha um instrumentista diferenciado, que era o Salgadinho -, que jamais conseguiu fazer uma canção sequer que pudesse fugir do romantismo retardado. Lembrar de qualquer um de seus ‘sucessos’ faz o meu estômago embrulhar, como se eu tivesse bebido um milshake de sardinhas. Faça como eu: fuja disso!

 

NAÇÃO ZUMBI

22 – Circo Voador – Rio de Janeiro

A verdade é uma só: se você assistiu uma única vez ao show deste grupo, pode apostar que viu todos, pois as suas apresentações sempre guardam pouquíssimas surpresas. Só que esta apresentação talvez uma exceção, já que a banda andou celebrando o 20º aniversário do álbum Afrociberdelia durante um bom tempo, o que pode significar um repertório mais diversificado com as canções mais recentes. Vale a pena dar uma espiada…

 

“VILLA MIX FESTIVAL”

22 – Autódromo de Interlagos – São Paulo

Qualquer evento que reúna Jorge & Mateus, Wesley Safadão, Gusttavo Lima, Matheus & Kauan, Kevinho e Alok em um mesmo dia é pior do que presenciar um festival de sexo explícito só com atrizes com mais de 80 anos e 190 quilos. Considere-se avisado(a)!

 

CAPITAL INICIAL

22 – Km de Vantagens Hall – Rio de Janeiro

Podem acusar a banda de qualquer coisa, menos de ser incompetente em cima do palco e de fraquejar na hora de propiciar um show animado. Por ser o único grupo remanescente da cena roqueira brasileira dos anos 80 que conseguiu reciclar o seu público, o quarteto certamente vai exibir um desfile de hits para todo mundo cantar junto e se esbaldar. Isso, claro, para quem tem idade mental inferior a dezessete anos e não se irrita ao ver o vocalista Dinho Ouro Preto falar a palavra “cara” em cada frase que pronuncie…

 

DADO VILLA-LOBOS & MARCELO BONFÁ

22 – Km de Vantagens Hall – Belo Horizonte

Parece que a dupla não pode mais usar qualquer menção ao nome “Legião Urbana” por medida judicial impetrada pelo filho maquiavélico do falecido Renato Russo. O que ambos não podem fazer é cometer os erros bisonhos que apresentaram em cima do palco em todas as ocasiões em que se meteram a revisitar o repertório do grupo. Dito isto, espero que a plateia se divirta com o prometido – a execução na íntegra dos álbuns Dois e Que País é Este? – e não entre no clima histérico que acomete os fãs dos Los Hermanos, por exemplo.

 

VICTOR & LEO

22 – Credicard Hall – São Paulo

A dupla vai dar uma “pausa prolongada” – ou seja, vai encerrar suas atividades e ver o que acontece lá na frente – agora no final do mês, principalmente para que o público esqueça as confusões extrapalco em que Vitor se meteu nos últimos tempos, como os sites de fofocas alardearam de maneira insana.  Musicalmente, o que você pode esperar dessa “despedida” é a constatação que a dupla não conseguiu escapar das armadilhas do ridículo mundo sertanejo, principalmente por relegar a um segundo plano o diferenciado acento pop/folk que os diferenciava dos “Brunos & Marrones da vida”, quando colocavam disfarçadamente em seu som elementos sonoros de canções de Neil Young e Bruce Springsteen. Obviamente, ninguém do seu público retardado percebia isso. Bem, isso agora parecer não ter mais a menor importância, né?

 

TEATRO MÁGICO

22 – Tom Brasil – São Paulo

Poucas coisas eram tão chatas quanto assistir a um show destes caras. O clima de “apresentação musical/teatral/poética/papo-cabeça de fim de ano de colégio estadual” era um dos troços mais insuportáveis que você possa imaginar, ainda mais acompanhado de canções muito fracas, mas que são cantadas em uníssono por fãs que morrem de saudade dos Los Hermanos. Só que minha impressão a respeito do som da banda melhorou bastante depois que ouvi o álbum da banda, Grão do Corpo (2014), que tem boas canções, por mais incrível que possa parecer. Quando achei que os caras engrenariam finalmente, soltaram o pavoroso Allehop. Assim não dá! E duvido que as coisas tenham melhorado mesmo agora, quando o grupo comemora quinze anos de existência e ainda coloca o tal de Francisco El Hombre na abertura. Assim não dá…

 

FAÍSKA

22 – SESC Itaquera – São Paulo

Um dos mais brilhantes e técnicos guitarristas brasileiros, dono de uma técnica de deixar qualquer um com o queixo caído, Faiska comemora quatro décadas de carreira mostrando as composições de seu quatro álbuns, notadamente do ótimo No Smoking (2012). A salada sonora proposta por ele em trio traz apetitosos ingredientes de rock, blues, country, fusion e o que mais ele resolver tocar com seu trio. Showzaço!

 

SANDY

22 – Teatro do Bourbon Country – Porto Alegre

Tentando buscar uma legitimidade em sua carreira solo, Sandy cercou-se de uma boa banda de apoio na hora de transpor as canções de seus discos para o palco.  Louve-se seu esforço em se afastar da imagem de menina bobinha do passado, mas ela ainda precisa comer muito feijão antes de se tornar uma referência musical digna de nota. É isto o que você verá e ouvirá nesse novo show, que traz um apanhado dos álbuns que ela lançou até agora e algumas canções inéditas. Tá a fim de ir? Aí é por sua conta e risco…

 

ALCIONE

22 – Teatro Castro Alves – Salvador

A “Marrom” canta muito. Isto é fato. O problema é que ela parece ter tanta certeza disto que acha que pode cantar qualquer coisa e todo mundo irá babar. Ledo engano. Um repertório que privilegie o samba e não canções “dor de corno” fazem com que a qualidade de seus espetáculos aumente consideravelmente. Espero que isso ocorra agora, no momento em que ela está comemorando 45 anos de carreira e 70 de idade.

 

KORZUS

22 – Mister Rock – Belo Horizonte

Uma das mais importantes e espetaculares bandas da história do heavy metal nunca conseguiu engrenar uma carreira internacional, o que é um mistério para todo mundo, já que seu som é avassalador. Prova disto você terá nesta apresentação, na qual a banda vai mostrar uma pancadaria sônica que beira o inacreditável. Na abertura, vão rolar apresentações do Noturnall (com a participação especial de Mike Orlando, do Adrenaline Mob), Armored Dawn e Rygel. Para quem curte heavy metal, será um evento imperdível!

 

ROBERTO CARLOS

22 e 23 – Espaço das Américas – São Paulo

Vamos encarar a verdade? Ok, lá vai: se você viu um show do Roberto Carlos, viu todos. Infelizmente, ele é incapaz de mudar um único detalhe de suas apresentações e esta postura já dura há décadas. As músicas são as mesmas, os arranjos são os mesmos, a comunicação com a plateia é a mesma, as rosas distribuídas para as senhoras tresloucadas que se sentam nas primeiras fileiras já são de praxe, a leitura descarada das letras em um teleprompter, o pieguismo romântico… Tudo rigorosamente igual. Se você não se incomoda com isso, bom proveito, mas se é para saborear sempre a mesma iguaria, prefiro comer pastel de queijo na feira…Ah, um detalhe: o show do dia 23 é só para mulheres!

 

SHAMAN

22 e 23 – Audio – São Paulo

A reunião do quarteto com sua formação original vem sendo devidamente saudada pelos fãs. E só por eles, evidentemente. Como o quarteto promete tocar na íntegra os álbuns Ritual (2002) e Reason (2005), toda essa turma deve estar em sensação de orgasmo. Então, tá…

 

OTTO

22 e 23 – SESC Pinheiros – São Paulo

Ele alega que estes shows marcam o lançamento em vinil de seu primeiro álbum, Samba Pra Burro, lançado em 1998. Também há a possibilidade de algumas canções que não costumam aparecer no repertório de suas apresentações surgirem do nada. Isto pode ser uma surpresa positiva ou negativa, dependendo de como você interpreta a musicalidade deste pernambucano maluco. É claro que ele continua cantando mal, fazendo e dizendo coisas inesperadas que tendem a ‘vergonha alheia’, e obviamente provocando gargalhadas na plateia. A sorte é que ele está sempre acompanhado de uma boa banda de apoio, que se sai bem na tarefa de segurar as pontas quando Otto desanda a falar. É um daqueles shows imprevisíveis…

 

ANELIS ASSUMPÇÃO

22 e 23 – SESC 24 de Maio – São Paulo

A filha do falecido Itamar Assumpção tem boas canções e banda afiada. Só por isto o seu show já valeria a pena. Como “bônus”, há uma interessante mistura de ritmos e gêneros – samba, reggaehip hop e o que mais lhe der na telha. Como a base do show são as canções de seu mais recente álbum, o bom Taurina, recomendo uma boa espiada na apresentação.

 

KOMATSU

22 – Delinquent’s – Joinville (SC)

23 – Complexo Mofo – Sorocaba (SC)

O ótimo quarteto holandês de stoner volta ao Brasil para divulgar seu mais recente álbum,  New Horizon, que será oficialmente lançado no próximo mês e certamente terá canções tão legais quanto aquelas que costumam apresentar em seus intensos shows. Não perca tais apresentações de jeito algum!

 

GUI AMABIS

23 – Centro Cultural São Paulo – São Paulo

Cantor, instrumentista e produtor de trilhas para o cinema, ele lançou dois bons discos que, infelizmente, foram ignorados pela maioria do público: Memórias Luso/ Africanas (2011) e Ruivo em Sangue (2015) . Agora está lançando um novo trabalho, Miopia, que de certa forma traz no título a maneira como sua subestimada carreira é retratada por quem vive reclamando que a música brasileira não presta. Não deixe de assistir a esse show!

 

KILLING JOKE

23 – Carioca Club – São Paulo

É sério: muito provavelmente, esse será o melhor show do ano no Brasil. Talvez da década. Poucas vezes uma banda conseguiu unir um repertório irrepreensível a apresentações com um clima apocalíptico tão intenso quanto esse quarteto inglês. Liderado pelo malucaço vocalista/multiinstrumentista/arranjador Jaz Coleman e contando com um guitarrista diferenciado como Geordie Walker, um baterista pesadíssimo como Paul Ferguson e o celebrado baixista/produtor Youth, a banda vai simplesmente derreter os cérebros presentes na plateia. Não perca isso de maneira alguma!

 

MARDUK

23 – Manifesto Bar – São Paulo

Vai ser uma noite de black metal para ninguém botar defeito. O Marduk faz um som de ótima qualidade para os padrões do estilo, tocado em velocidade supersônica e absurdamente violenta, só que muito bem tocada, já que os caras são ótimos instrumentistas. É uma “disgracera” impactante. Quem comparecer vai presenciar um novo sentido para o termo “noite infernal”.

 

CELSO FONSECA

23 – SESC Belenzinho – São Paulo

Excelente guitarrista que já trabalhou ao lado de Gilberto Gil, Djavan e Milton Nascimento, entre tantos outros, ele vem há anos desenvolvendo uma interessante carreira solo, tanto que seu mais recente álbum, Turning Point, é o 15º em sua discografia. Se você não tem preconceito em ouvir a música brasileira contendo pequenos elementos eletrônicos, tenho certeza que irá se surpreender positivamente com esta apresentação…

 

A COR DO SOM

23 – Teatro Castro Alves – Salvador

Sei que pode parecer incrível, mas a volta do grupo, com a sua formação original, é altamente recomendável. Não tanto pelas canções com vocais que vão apresentar – “Abri a Porta”, “Palco” etc -, mas principalmente pelos temas instrumentais que irão mostrar. Caso você não saiba, os caras são músicos de primeira linha e quando botam para quebrar nesta seara, sai de baixo!

 

CESAR CAMARGO MARIANO

25  Bourbon Street – São Paulo

Dono de uma carreira de mais de meio século, o extraordinário pianista, compositor e arranjador aproveita a ocasião para voltar a tocar em trio – piano/baixo/bateria – e certamente vai revisitar seu repertório mais antigo, que privilegiava tal formato nos tempos em que maravilhava nossos ouvidos com os temas tocados com o Sambalanço Trio e o Som 3. Como Cesar é incapaz de fazer porcarias, saia de sua casa sem pestanejar a fim de conferir este show, independente do que ele irá tocar.

 

QUARTETO EM CY

26 – Imperator – Rio de Janeiro

Um dos melhores grupos vocais de todos os tempos na história da música brasileira volta à ativa e trata de comemorar meio século de carreira com um show delicado e repleto de belas harmonias, tudo a serviço de um repertório recheado de clássicos. Resumindo: aula de canto à vista!

 

DEMÔNIOS DA GAROA

26 – SESC Pompéia – São Paulo

Para um grupo formado em 1943, estes intérpretes dos sambas de Adoniran Barbosa continuam bastante entrosados e bem humorados. Embora a formação esteja bem diferente daquela consagrada, os caras ainda são capazes de resgatar a velha sonoridade do choro e do samba de uma São Paulo que não existe mais. Se você quer entender isto um pouco mais, vale a pena dar uma checada no som dos “velhinhos”…

 

LET’S ZAPPALIN’

27 – Café Piupiu – São Paulo

O novo grupo liderado pelo extraordinário guitarrista Rainer Pappon – um especialista na obra de Frank Zappa desde os tempos em que integrava a Central Scrutinizer Band – é de uma competência ímpar na hora de executar as elaboradíssimas composições do falecido gênio bigodudo, tocando tudo com esmero impressionante. Estas apresentações serão ainda mais legais porque os caras vão tocar na íntegra os lendários álbuns Over-Nite Sensation (1973) e Apostrophe (1974), além de várias outras composições espetaculares do “mestre bigodudo”. Para quem conhece a obra de Zappa, o show será um deleite. Para quem não conhece, será uma oportunidade única de tomar contato com sons tão inesperados quanto sensacionais.

 

TERRA CELTA

27 – Bourbon Street – São Paulo

Este grupo faz um show bem animado, já que sua música tem profundas influências das canções mais tradicionais da Irlanda, Escócia e Bretanha, e tudo é tocado com aquela sonoridade característica, com muitos instrumentos típicos, como violino, gaita de fole, acordeom, banjo, mandolin, tin whistle, clarinete, bouzoukie muitos outros. Vale a pena!

 

THIRTY SECONDS TO MARS

27 – Espaço das Américas – São Paulo

Um poço sem fundo de pretensão e ausência de conteúdo, este grupo só se sustenta por conta da presença do vocalista/ator/bonitão de plantão Jared Leto, por quem as garotas ficam úmidas só por lembrarem do rosto do cara. Musicalmente falando, é uma mistura de Tokyo Hotel com Fall Out Boy, ou seja, é show para meninas. Já sabe, né?

 

CHICO CÉSAR

27 – SESC 24 de Maio – São Paulo

Depois de quase uma década sem lançar um álbum com canções inéditas, o cantor e compositor paraibano reapareceu com Estado de Poesia, um disco que não trouxe qualquer novidade na fórmula musical que ele sempre utilizou, misturando as sonoridades e ritmos do nordeste com o samba e a MPB tradicional. O mesmo vale para esse show, no qual ele pretende resgatar canções do passado e até mesmo incluir uma ou outra inédita. Vale uma espiada se você for curioso e gostar dessa “praia sônica”.

 

XANDE DE PILARES

27 – SESC Belenzinho – São Paulo

Por ter boa presença de palco e carisma, ele até poderia ter uma carreira decente se resolvesse construir um repertório bacana, com canções influenciadas pelo samba do passado, e fizesse uma aulas de canto para deixar de desafinar tanto. Em vez disso, prefere chafurdar na vala da descartabilidade com músicas ridículas, que apenas são relevantes para ‘periguetes’ com os cabelos tingidos com água de salsicha e soltar sua voz de maneira ‘qualquer nota’.

 

PAULA TOLLER e BARÃO VERMELHO

27 – Tom Brasil – São Paulo

Bem, você já leu acima a minha opinião a respeito do show da ex-vocalista do Kid Abelha. Com relação ao show do Barão Vermelho, é preciso dizer que a entrada do vocalista/guitarrista Rodrigo Suricato no lugar de Roberto Frejat não gerou alterações muito significativas. Portanto, vá e divirta-se, sem pensar muito…

 

ULI JON ROTH

27 – Teatro Rival – Rio de Janeiro

Eternamente conhecido como ex-guitarrista do Scorpions, ele é um instrumentista extremamente admirado por sua técnica cristalina e faiscante, inversamente proporcional à sua voz, uma das coisas mais horríveis da história do rock. Como ele promete apresentar um show com mais de duas horas de duração com canções de sua ex-banda e do grupo que montou na virada dos anos 70 para os 80, o Electric Sun, não tenha dúvida que ele vai cantar bastante, o que será uma tragédia. Torça para que ele venha com algum vocalista a tiracolo ou que dê preferência a temas instrumentais…