DADO VILLA-LOBOS & MARCELO BONFÁ

21 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Parece que a dupla não pode mais usar qualquer menção ao nome “Legião Urbana” por medida judicial impetrada pelo filho do falecido Renato Russo – fiquei sabendo por fonte segura que foi um pedido do próprio vocalista antes de morrer. O que ambos não podem fazer é cometer os erros bisonhos que apresentaram em cima do palco em todas as ocasiões em que se meteram a revisitar o repertório do grupo. Dito isto, espero que a plateia se divirta com o prometido – a execução na íntegra dos álbuns Dois e Que País é Este? – e não entre no clima histérico que acomete os fãs dos Los Hermanos, por exemplo.

 

ROGÉRIO SKYLAB

21 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Ele é um exemplo inteligente de como dois elementos – “baixarias” e “sacanagens” – podem funcionar e fazer pensar. Unindo um esquisito lirismo politicamente incorreto levado a graus verborrágicos extremos a um som frequentemente pesado e intenso, Skylab destila sua acidez mórbida com uma fisionomia tão insana quanto divertida. Vale a pena ir! Na abertura, vai rolar a apresentação de Ana Frango Elétrico, da qual eu não faço a mínima ideia…

 

FELIPE CORDEIRO

21 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Guitarrista dos bons, o paraense aporta em São Paulo tentando emprestar um pouco de dignidade e competência a estas porcarias de eletromelody que tentaram empurrar goela abaixo da população tempos atrás. Enquanto fica na parte instrumental, até que dá para encarar a coisa toda. O problema surge quando Felipe abre a boca para cantar, já que é desafinadíssimo. Se resolver encarar, vá por sua conta e risco…

 

TOQUINHO

21 e 22 Imperator – Rio de Janeiro

Embora seja um exímio violonista e um cantor até que razoável, já faz muito tempo que Toquinho se acomodou musicalmente, sempre fazendo shows com o mesmíssimo repertório – “Tarde em Itapoã”, “Regra Três”, “Testamento”, “Como Dizia o Poeta”, “Meu Pai Oxalá”, “Que Maravilha”, “Caderno” e, claro, “Aquarela”. E é ainda mais lamentável saber que qualquer esperança de ousadia seja sepultada pelas próprias plateias, que querem sempre ouvir as mesmas coisas. Que pena…

 

MICHALE GRAVES

22 – Carioca Club – São Paulo

O ex-vocalista dos Misfits entre 1995 e 2000, Michael Graves – sei lá por quê ele usa o nome artístico de “Michale” – vai tocar na íntegra dois álbuns de seu ex-grupo, American Psycho e Famous Monsters. Diversão garantida para quem não for muito exigente…

 

ALEXANDRE PIRES

22 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Só tem uma coisa que é tão ruim quanto esse “pagode xexelento” que anda por aí: é alguém que faz um “pagode xexelento” ainda mais romântico e travestido de uma “classe” tão verdadeira quanto uma nota de R$ 30. Assim é um show do ex-vocalista do Só Pra Contrariar, um negócio tão açucarado que, para evitar acidentes, deveria ter um detector de diabéticos na porta do show. Só que agora ele percebeu que isso não cola mais e resolveu piorar ainda mais as coisas com um tal de “Bailão do Nego Veio”, no qual ele resgata canções dos anos 90, tipo “O Canto da Cidade da Daniela Mercury, “Liberar Geral” do Terra Samba, “Cheia de Mania” do Raça negra” e “Domingo” de sua ex-banda, o Só Pra Contrariar! E ainda promete fazer três horas de show!!! Se isso não for o Apocalipse, não sei mais o que será…

 

MONOBLOCO

22 – Circo Voador – Rio de Janeiro

É um dos troços mais sem personalidade do momento. A mistura de Carnaval, escola de samba, mangue beat, rock, chorinho, pagode, música brega… é feita apenas para impressionar playboys e patricinhas metidas a “descoladas”. É uma “micareta para gente bronzeada com Tang de tangerina e com sorriso de plástico”. Apesar de bem tocado, o som o Monobloco é a extensão dessa onda “o novo samba da Lapa” que o Rio de Janeiro vem tentando levar a outros Estados, ou seja, um troço chato pra cacete, que serve apenas para dar uma aura de intelectualidade a algo que mais se assemelha a uma micareta com pose de grã-fina. Evidentemente, é o show ideal para playboys e pseudogaranhões pegarem umas “periguetes patricinhas”. E ainda por cima batizaram esse show como “Arraiá”, ou seja, você já sabe o que esperar…

 

GILBERTO GIL

22 – Tom Brasil – São Paulo

Quando resolve fazer o som que realmente gosta, tocando músicas bacanas independentemente do formato que apresente, Gil tem a manha de ainda fazer um show bastante interessante. No caso aqui, ele vai mostrar algumas das canções de seu bom e mais recente disco, OK OK OK, lançado em 2018, e obviamente não faltarão ótimas músicas do passado. Torça apenas para que ele esteja com a voz em dia, sem estar propenso a afinações indesejadas…

 

BARONESS

23 Fabrique ClubSão Paulo

Essa sensacional banda americana tem o que eu chamo de “pacote completo”: seus álbuns são sensacionais – e com artes gráficas maravilhosas, pintadas pelo guitarrista/vocalista John Baizley -, os shows apresentam uma energia incontrolável, o som  é um stoner rock viajandão, melódico e incrivelmente pesado… Estão no Brasil para divulgar seu mais recente trabalho, o ótimo Gold & Grey,  e apresentar sua nova guitarrista, Gina Gleason, uma talentosa ex-integrante da banda do Cirque du Soleil que já tocou com Santana e o Smashing Pumkins em turnês recentes. Não perca esse show de forma alguma!!! Quem encontrar comigo por lá, pode se apresentar e bater um papo com o tio aqui…

 

HERMETO PASCOAL

23 – Bourbon Street – São Paulo

Não importa saber o que o grande bruxo sonoro vai tocar. Você tem apenas é que estar preparado para uma experiência sônica que vai fazer o seu cérebro rodopiar dentro da calota craniana. Serão shows absolutamente imperdíveis e imprevisíveis…

 

TONINHO HORTA

23 – Itaú Cultural – São Paulo

Esse show ainda divulga o álbum duplo/songbook 108 Partituras, com o qual o grande guitarrista mineiro comemorou seus 35 anos de carreira. O repertório é ótimo e a banda que o acompanha – com destaques para o cultuado saxofonista Nivaldo Ornelas – vai transformar a apresentação em um evento obrigatório!

 

ROBERTA SÁ

23 – SESC Pinheiros – São Paulo

Uma das poucas cantoras brasileiras que valem realmente a pena ver e ouvir nos dias de hoje, Roberta faz parte de uma safra musical que privilegia o samba com tintas “mpbezísticas”, mas com canções consistentes o suficiente para chamar a atenção. Seu espetáculo é enxuto e coeso, e agora traz as canções de seu mais recente trabalho, Giro, composto ao lado de Gilberto Gil e outros parceiros. Além disto, ela tem na excelente banda de apoio um suporte digno de nota para a sua bela voz. Recomendado!

 

ROY ROGERS

25- Bourbon Street – São Paulo
O brilhante guitarrista Americano é um especialista no slide e trata o seu som com toda a dignidade eu o blues tem que ter. Dono de uma extensa e ótima discografia, ele vai deixar a plateia literalmente de queixo caído. Outro show imperdível!

 

DJAVAN

26 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Sempre muito rigoroso com relação aos seus shows, Djavan certamente vai apresentar um espetáculo de alto nível, com músicos de apoio ultracompetentes, cenografia e iluminações caprichadas e com som de qualidade. O problema pode ser o repertório, que sempre traz excelentes canções ao lado de outras de nível muito inferior. A diversidade será dada pelas músicas do novo álbum, o irregular Vesúvio. Nesse sentido, o show é uma loteria. A não ser que você seja pouco exigente e trate apenas de saborear o que o artista lhe apresentar. Neste caso, boa sorte!

 

KAROL CONKÁ

26 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Incensada por gente que pensa que “afinação” é apenas mais uma palavra no dicionário, essa moça tenta fazer um som que se aproxime – ou copie, se preferir -, as modernas produções da atual safra da pavorosa mistura de hip hop com r&b que rola nos Estados Unidos atualmente, mas tudo o que acontece é enervar a todo mundo com suas músicas bem ruins. Se duvida disso, tente ouvir o seu segundo e mais recente, Ambulante, sem ter a vontade de desligar tudo lá pela terceira faixa. Para piorar, nos show ela vem acompanhada apenas de um DJ. Fuja!

 

ED MOTTA

27 – Bourbon Street – São Paulo

Aqui também você tem garantia de boa música. Ed Motta sabe das coisas, é uma enciclopédia ambulante e trata de colocar todo o seu conhecimento nas canções e arranjos que constrói. O repertório é repleto de canções internacionais de bandas e artistas razoavelmente obscuros para o povaréu brasileiro que tocaram muito nas rádios das décadas de 70 e 80 – tipo os ótimos Shalamar, McFadden &Whitehead, BB&Q Band e muitos outros -, juntamente com algumas poucas canções do próprio Ed, tudo tocado com um esmero de deixar qualquer um de queixo caído. Não perca esse show de forma alguma!

 

ELYMAR SANTOS

27 – Imperator – Rio de Janeiro

Os anúncios dos shows sempre dizem que “o cantor apresentará grandes sucessos de seu repertório”. Hein??? Como é que é??? Meu Deus do céu, quem em sã consciência sai de casa, paga ingresso para assistir a um troço destes.  Meu Deus…

 

BLITZ

27 – Teatro Bradesco – São Paulo

Pouco importa que a banda hoje seja apenas um arremedo do que foi no passado e traga poucos integrantes da formação original. Liderado pelo sempre bem humorado vocalista Evandro Mesquita, o grupo vai mostrar aquelas velhas canções do passado que todo mundo sabe a letra de cor e algumas canções de uma safra mais recente, incluídas em seu mais recente álbum, Aventuras II. É show para diversão pura e simples, sem encanações.

 

JESUS & MARY CHAIN

27 – Tropical Butantã – São Paulo
As sempre imprevisíveis apresentações da banda liderada pelos tempestuosos irmãos Jim e William Reid não dependem das ótimas canções em sua discografia. Os shows… Bem, pode acontecer de tudo o que possa você imaginar. Pague para ver!

 

MELIM

27 – Tom Brasil – São Paulo

Meu Deus do céu! Era só o que faltava: uma “versão Jack Johnson” do duo Anavitória!!! Jesus Cristo, que troço ruim do caralho! As canções são tão bobas e inofensivas que fazem a Mallu Magalhães soar como o Siouxsie & The Banshees no auge do pós-punk. Meu Jesus Cristo, quem criou esse troço? E vai rolar participação especial do Nando Reis…