MPB-4 & DUO GISBRANCO

23 a 25 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Um dos importantes grupos vocais da história da música brasileira está de volta e esbanjando categoria. Ainda afinadíssimos, o grupo mostra grandes composições do passado e alguns clássicos da MPB. Tudo bem, o repertório é meio datado, mas ver quatro senhores de idade dando verdadeiras aulas de canto deveria ser uma lição obrigatória para esta molecada indie dos dias de hoje, que parece ter uma cacatua morta no lugar das amígdalas. Aqui eles se apresentarão com o ótimo duo de pianistas Claudia Castelo Branco e Bianca Gismonti – filha do extraordinário Egberto Gismonti – que sempre fazem um som excelente, apresentam uma mistura de jazz, MPB e música erudita de primeira grandeza, e o repertório será formado apenas com canções de Milton Nascimento. Considero primordial que você não perca esse show!

 

SILVA

23 – SESC Pompéia – São Paulo

Depois de lançar um quarto álbum interessante – Júpiter, em 2015 – e tentar dar um golpe de popularidade midiático ao revisitar o repertório de Marisa Monte com uma abordagem bem diferente das canções originais no disco seguinte, o fraquíssimo Silva canta Marisa (2016), ele reaparece insistindo novamente no erro de tentar aumentar a amplitude de seu público a qualquer preço com o álbum Brasileiro, lançado em maio passado. Nem que tenha que cantar de modo cada vez mais ‘adocicado’ e fazer duetos com Anitta ou quem mais for famosa nos dias atuais. Que decepção…

 

SUPLA

23 – Bolshoi Pub – Goiânia

O bom e velho canastrão punk está lançando um novo álbum, o duplo e bilíngue Ilegal/Illegal, e certamente vai intercalar as novas e divertidas canções com suas hilárias músicas do passado. Como a banda de apoio é boa e eficiente em propiciar aquele clima de “punk rock tropical” e o “papito” é extremamente carismático, a tendência é que o show seja descompromissado e bem divertido. Já tá bom, né?

 

GOLDEN BOYS

23 – Cine Theatro Brasil – Belo Horizonte

Parabéns a quem teve a brilhante de ideia de reunir novamente os integrantes deste ótimo grupo, cujo repertório é dominado por canções maravilhosas. E todos eles ainda estão cantando muito! Tremendo alto astral!

 

GILSON PERANZZETTA

23 – JazzB – São Paulo

Talentosíssimo multiinstrumentista, ele vai mostrar um repertório que vai mesclar composições de seu mais recente disco, Bandeira do Divino, e alguns grandes clássicos da música brasileira instrumental, tendo a maravilhosa cantora Alaíde Costa como convidada especial . Não tenho nem o que comentar: será um show com composições de altíssima qualidade para quem gosta de música brasileira com tintas jazzísticas.

 

O TERNO

23 – Teatro Castro Alves – Salvador

Juro por Deus: poucas vezes vi uma banda tão ruim na vida. Se os caras fossem apenas desengonçados em cima do palco, ainda vá lá. Só que presenciar um show desses caras é ser testemunha de um tsunami de vocais desafinados, músicas pavorosas, letras horríveis e uma presença de palco que chega próximo do retardamento mental. Fuja!

 

PAULA TOLLER

23 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Deixando claro que o Kid Abelha acabou mesmo e que iria se dedicar à carreira solo, a cada vez mais linda Paula Toller continuava com sua vozinha pequenina e claudicante a serviço das canções de seu despretensioso disco, Transbordada. Agora ela reaparece com um novo show e prometendo incluir no repertório várias releituras de Mutantes, Charlie Brown Jr e outros menos cotados, além de canções de sua ex-banda, obviamente. É daqueles shows indicados para quem não tem muito critério na hora de sair de casa: divertido e mais nada. Para quem se contenta com pouco, já está bom.

 

GUILHERME ARANTES

23 – Blue Note – São Paulo

Com mais de 40 anos de carreira, um dos mais brilhantes compositores da história da música brasileira mostra um show alto astral, recheado de canções legais. Pode apostar que você vai se pegar cantando um monte delas! Pena que ele não estará acompanhado de sua excelente banda de apoio – com destaques para o guitarrista Luiz Carlini e o baixista Willy Verdaguer – e sim apenas usando um piano, sozinho, o que vai transformar a apresentação em um encontro musical mais intimista.

 

PAULINHO MOSKA

23 e 24 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Ele voltou a usar o “Paulinho” em seu  nome artístico, mas em seus shows, ele só reforça a tese de que é um cara talentoso, mas que sempre apresenta um repertório bastante irregular. A falta de uma constante safra de boas canções é justamente o que atrapalha a sua carreira, o que fica ainda mais nítido com esse show, no qual se apresentará acompanhado apenas de seu violão.

 

TULIPA RUIZ

23 a 25 – SESC 24 de Maio – São Paulo
Um dos grandes destaques da nova geração de cantoras brasileiras, ela vem se tornando um exemplo de como uma grande voz pode propiciar um belo show. O repertório é bacana – centrado agora em seu mais recente e ótimo álbum, Dancê -, Tulipa é carismática e a banda que a acompanha segura muito bem a onda. Você vai sair do show com vontade de comprar o disco da garota. Pode apostar!

 

RACIONAIS MC’S

24 – Km de Vantagens Hall – Rio de Janeiro

Se você for daquelas pessoas com a mente aberta em termos musicais, certamente vai gostar de ver a maior banda de rap do Brasil em cima do palco. Evidentemente, é preciso que se deixe de lado certos parâmetros cênicos do que significa um show para sacar os grooves muito bem escolhidos e as letras certeiras de Mano Brown. Deixe de lado o preconceito e encare esta apresentação como uma “experiência sonoro/literária”. Aí o lance tomará outra – e melhor – proporção…

 

FUNDO DE QUINTAL e XANDE DE PILARES

24 – Carioca Club – São Paulo

29 – SESC Bom Retiro – São Paulo (somente o grupo)

Embora seja bastante veterano – na verdade, um dos primeiros grupos de samba a ingressar no universo do que passou a se chamar pagode -, esta rapaziada se contenta em apenas fazer aquele sonzinho sem vergonha para derreter corações de ‘piriguetes’ com mini-saias e cabelo tingido com água de salsicha. Samba que é bom mesmo… Nada! No caso do cantor, por ter boa presença de palco e carisma, ele até poderia ter uma carreira decente se resolvesse construir um repertório bacana, com canções influenciadas pelo samba do passado, e fizesse uma aulas de canto para deixar de desafinar tanto. Em vez disso, prefere chafurdar na vala da descartabilidade com músicas ridículas, que apenas são relevantes para ‘periguetes’ com os cabelos tingidos com água de salsicha e soltar sua voz de maneira ‘qualquer nota’.

 

NELSON AYRES & RICARDO HERZ

24 – JazzB – São Paulo

O encontro do lendário pianista/maestro/arranjador/compositor como jovem e talentoso violinista Ricardo Herz será um momento de altíssimo nível musical, já que estarão apresentando as composições do disco que gravaram em duo. Não perca!

 

ULTRAJE A RIGOR

24 – Teatro Bradesco – São Paulo

A banda de Roger Moreira, que estava prestes a encerrar a carreira do grupo quando foi contratada para ser coadjuvante no novo programa de TV do pseudohumorista Danilo Gentili, tem em sua formação atual uma boa e azeitada máquina sonora, além de um caminhão de hits sensacionais, alto astral, gozações e transmissão de energia para a plateia de modo incontestável. Vá sem susto: é programaço!

 

HERMETO PASCOAL

24 – Blue Note – São Paulo

Não importa saber o que o grande bruxo sonoro vai tocar. Você tem apenas é que estar preparado para uma experiência sônica que vai fazer o seu cérebro rodopiar dentro da calota craniana. Serão shows absolutamente imperdíveis e imprevisíveis…

 

SANDY & JUNIOR

24 e 25 – Allianz Parque – São Paulo

A tal “volta” dos irmãos provocou uma das maiores ondas de infantilização explícita que pudemos constatar em um universo teoricamente adulto. É aquele tipo de evento indicado somente para gente com enormes carências emocionais e que não se sentem felizes enfrentando uma realidade repleta de boletos para pagar, filhos na escola, almoço de domingo com a sogra e outras “bordoadas”. De minha parte, já sei onde NÃO estarei…

 

PATO FU

24 e 25 – SESC Pinheiros – São Paulo

As apresentações da banda são a prova de que é possível fazer um som “bacaninha” e alegre com um frescor sonoro bem vindo, ainda mais quando se apresentam tocando instrumentos de brinquedo, como é o caso aqui, já que estão divulgando o álbum Música de Brinquedo 2. As composições são muito acima da média do que a gente ouve por aí na cena pop/rock nacional, a turma manda bem em cima do palco e a plateia sempre é receptiva às canções. Resumindo: show alto astral e competente.

 

DANIEL

24 e 25 – Tom Brasil – São Paulo

Infelizmente, ele não se cansa de endereçar sua voz para quem pensa que “romantismo” é ouvir letras tão consistentes quanto um pote de canjica, e ainda faz uma força descomunal para parecer um “bom moço” em cima do palco, secundado por uma banda de apoio competente e um grupo de bailarinas com coreografias cafoníssimas. Nada além disso.

 

JOTA QUEST

24 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

25 – Teatro Feevale – Porto Alegre

Não há nada mais a dizer a respeito dos shows deste grupo: é o exemplo de como uma banda que poderia fazer um som sensacional se transformou em uma espécie de “Luciano Huck do pop/rock nacional”. E agora vão insistir em fazer mais um show no formato “acústico”! É, não tenho mesmo nada mais a escrever a respeito…

 

AIR SUPPLY

24 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

25 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Poucas coisas são tão asquerosas na história da Música universal quanto os discos do Air Suply. Agora multiplique isto à enésima potência e você terá uma ideia do suplício que é assistir a um show desta dupla australiana, tão careta e cafona que faz o Cauby Peixoto parecer o Ozzy Osbourne. Além da absurda quantidade de sacarose presente em suas terríveis canções – uma espécie de “Viagra ao contrário” -, a presença de palco dos dois manés deveria ser considerada como um crime contra a Humanidade. Não vá e impeça qualquer pessoa amiga de testemunhar esta bizarrice canastrona.

 

ADRIANA CALCANHOTO

24 – Teatro Guaíra – Curitiba

25 – Teatro do Bourbon Country – Porto Alegre

Seu novo show reúne um repertório formado por canções pinçadas de seus álbuns que, de certa forma, podem ser chamados de “trilogia marinha”: Maritmo (1998), Maré (2008) e o mais recente, Margem, lançado há pouco tempo. Uma coisa é certa: se tiver mais solta no palco e menos preocupada com sua performance, a cantora pode proporcionar uma experiência bem interessante para a plateia.

 

TRIBO DE JAH

25 – SESC Itaquera – São Paulo

É inacreditável como um grupo com mais de duas décadas de carreira e onze discos nunca tenha feito uma única canção que preste dentro da seara reggae que se propôs a abraçar. E não adianta vir com aquele papo de “pô, os caras são cegos, dá um desconto”, pois Stevie Wonder e Ray Charles mostraram que a ausência de um sentido não atrapalha a musicalidade. Até mesmo para os padrões sonoros dos discípulos de Jah o som destes caras é bem ‘perninha’. É uma apresentação indicada só para quem tem areia de praia no lugar do cérebro…

 

DANIEL DAIBEM

25 – SESC Parque Dom Pedro II – São Paulo

O guitarrista se tornou razoavelmente conhecido depois de apresentar durante muito tempo um programa de jazz na Rádio Eldorado FM aqui em São Paulo, no qual procurava explicar o gênero de um modo bem fácil para o ouvinte leigo. Esta é uma boa oportunidade de conferir seus dotes como instrumentista a serviço de um repertório que, além de conter suas próprias composições, traz interessantes releituras de temas de grandes nomes do ficou conhecido como “soul jazz”, gente do porte de Grant Green, Ray Charles, Wes Montgomery e George Benson, entre outros. Ótima pedida, principalmente para quem, como o tio aqui, curte esse tipo de som.

 

“O GRANDE ENCONTRO” com ALCEU VALENÇA, ELBA RAMALHO & GERALDO AZEVEDO

25 – Teatro Castro Alves – Salvador

Quando três velhos parceiros de composição resolvem mostrar suas criações juntos, o resultado é um repertório com músicas belíssimas e um daqueles shows que resgatam aquilo que anda em falta na MPB hoje em dia: poesia. Boa pedida!

 

LENY ANDRADE & GILSON PERANZZETTA

25 – SESC Bom Retiro – São Paulo (somente a cantora)

28 – Imperator – Rio de Janeiro

O renomado jazzista Wynton Marsalis a considera como a “Sarah Vaughan brasileira”. Pode parecer incrível, mas isto é pouco para definir uma das maiores cantoras brasileiras – e do planeta, por que não? Ao lado do renomado pianista, ela certamente vai arrasar na abordagem do repertório de cartola e Nelson Cavaquinho. Não perca isto de forma alguma!

 

ZEZÉ MOTTA

26 – SESC do Carmo – São Paulo

Como ela continua uma boa cantora, é bem provável que você assista a uma apresentação honesta e competente, na qual irá cantar grandes sucessos imortalizados na voz de Elizeth Cardoso acompanhada apenas por um pianista. Você há de concordar que um setlist com canções de gente do naipe de Pixinguinha, Cartola, Baden Powell, Tom Jobim e Vinícius de Moraes não dá para menosprezar, né?

 

BANDA MANTIQUEIRA

27 – Bourbon Street – São Paulo

Fundado em 1991 pelo clarinetista Nailor Proveta, este grupo voltou à ativa há alguns anos depois de um longo hiato. Desde então faz jus á fama que obteve no passado por conta da excelência musical de cada integrante e, principalmente, pela abordagem “big band” que os caras fazem para composições de Tom Jobim, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e João Bosco. Se você não conhece, vai ter uma agradável surpresa em todos os sentidos. Pode ir que é sonzaço!

 

MARILIA MENDONÇA

28 – Teatro Positivo – Curitiba

De tempos em tempos nossos sentidos são assaltados por porcarias musicais que parecem ter sido criadas por alguns produtores tão sádicos quanto oportunistas. Veja o caso desta moça cuja voz esganiçada é um dos troços mais pavorosos a surgir na música brasileira em muitas décadas, sempre a serviço de canções tão cretinas que chega a provocar dores insuportáveis nos ouvidos. Não é à toa que um de seus hits tem como título “Hoje Eu Tô Terrível”. Não é só ‘hoje’ não, minha filha…

 

FERNANDA ABREU

28 e 29 – SESC 24 de Maio – São Paulo

Acompanhada por uma ótima banda de apoio, ela vai mostrar as boas canções de seu repertório – que incluem algumas de seu mais recente álbum, Amor Geral – com uma abordagem orgânica e eletrônica ao mesmo tempo. Pode funcionar bem se ela tiver corrigido as terríveis desafinações que costumava exibir no passado. Será que melhorou?

 

MICHEL LEME TRIO

29 – SESC Avenida Paulista – São Paulo

Um dos mais talentosos e genuinamente insanos guitarristas brasileiros, este paulistano é daqueles caras cujo estilo desconcertante, em que jazz e rock convivem de modo quase anárquico em termos de harmonias e melodias, é quase uma aula de ousadia musical. Indicado apenas para quem tem uma cabeça musical mais ampla que a maioria das pessoas…

 

ALMIR SATER

29 – Teatro Guaíra – Curitiba

Um dos artistas mais dignos da história musical deste país continua sua incansável batalha para mostrar às pessoas que “música sertaneja” não é este festival de lamúrias bregas e choronas que se ouve por aí. Por intermédio de poesia genuinamente agreste e bela, da viola bem tocada e da sinceridade que pontuam canções tão simples quanto pungentes, Almir tem tudo para lhe ensinar a diferenciar as pérolas das bijuterias baratas. Entendeu a analogia?