“ROCK IN RIO”

27/9 a 3/10 – Parque Olímpico – Rio de Janeiro

Dentro de um evento tão gigantesco e com um cardápio dos mais variados, recomendo que ao longo desses dias você não deixe de assistir – no local ou pela TV, como será o meu caso – os shows do Drake, Seal, Mano Brown com Bootsy Collins, Foo Fighters, Weezer, Ego Kill Talent, Iza & Alcione e Nile Rodgers & Chic. Em contrapartida, prepare-se para as decepções que serão as apresentações do Whitesnake, Bon Jovi, Dave Matthews Band, Goo Goo Dolls, Ivete Sangalo, Jessie J, Elza Soares, Red Hot Chili Peppers, Panic! At The Disco. Bem, você já tem um roteiro. Agora se vire com a programação dos horários. Aí é por sua conta…

 

JESSIE J

27 – Espaço das Américas – São Paulo

A cantora inglesa é mais uma dessas inúmeras atrações do universo pop impostas pela indústria musical para renovar o estado de coisas e a ideologia consumista que tal universo propicia por um público sem muito critério. Suas canções são medíocres e os apelos de seus shows só cativam a quem não tem poder de discernimento para perceber que essa fórmula merece mesmo escorrer pela privada. Até quando teremos que aturar isso?

 

ZIZI POSSI

27 – Cine Theatro Brasil – Belo Horizonte

Por sempre ter sido uma cantora elegante e jamais ter baixado o nível das composições presentes em seus discos, dá para cravar que esse show, no qual vai apresentar um repertório apenas com canções italianas, não será uma daquelas ocasiões para se conferir uma grande artista em ação. Para quem acompanha a história da MPB, vê-la cantando músicas como “Per Amore”, “Torna a Surriento” e fazendo versões de Laura Pausini, Gigliola Cinquetti (a manjada “Dio Come Ti Amo”) e Rita Pavone (“Datemi un Martello”, claro) até que pode ser uma experiência divertida.

 

MAHMUNDI

27 – SESC Bom Retiro – São Paulo

A julgar por aquilo que ouvi em seu primeiro e autointitulado álbum, esta cantora e multiinstrumentista já poderia ser destacada como um dos melhores nomes da moderna música brasileira dos últimos tempos. As comparações com o tempo em que Marina Lima produzia boas canções não eram desmedidas, já que suas composições tinham doses explícitas do pop elegante e moderno que ela vinha criando até então. Pena que em seu mais recente trabalho, Para Dias Ruins, ela reuniu um repertório mais adequado a uma hipotética volta do Fat Family. Tomara que tal vacilo não tenha se espalhado para seus shows…

 

AZYMUTH com LENY ANDRADE

27 – SESC Pinheiros – São Paulo

Uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos, com sólida carreira internacional e tudo, o trio volta aos palcos desfalcado de um de seus mais emblemáticos integrantes – o falecido tecladista Jose Roberto Bertrami, agora substituído por Kiko Continentino -, mas deve deixar de mostrar a excelência de sua mistura sensacional de samba, soul, funk e jazz. Contando ainda com a participação da veterana e estupenda cantora Leny Andrade, será um espetáculo imperdível!

 

FAGNER

27 – Teatro Castro Alves – Salvador

Dono de algumas canções mais bonitas da história da música brasileira, este cearense continua na ativa e bem. Com o suporte de uma excelente banda ao seu lado, Fagner desfia canções lindíssimas com sua voz característica e repleta de poesia de primeira grandeza. Showzão!

 

A BARCA DO SOL

27 e 28 – SESC Belenzinho – São Paulo

Um dos principais líderes de uma cena de rock progressivo nos anos 70, o grupo fez escola porque sabiam que a dominação de uma linguagem sonora que inserisse a própria MPB elemento constante em suas composições seria uma via para um alcance maior junto ao público. Não deu muito certo em vendas de discos, mas foi eficiente ao inserir a banda dentro da cultura musical oriunda daquela década e revelar vários instrumentistas talentosos, como o multiinstrumentista Jaques Morelenbaum, o cantor/violonista Nando Carneiro e até mesmo Ritchie, que antes de estourar com “menina veneno” foi vocalista e flautista do grupo. Depois de 38 anos, eles voltam aos palcos para apresentar na íntegra o seu autointitulado LP de estreia, de 1974, contando com as presenças de Morelenbaum e Carneiro. Eu, no seu lugar, não perderia isso por nada nesse mundo.

 

CORDEL DO FOGO ENCANTADO

27 e 28 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Tive a oportunidade de assistir a dois shows desse grupo e posso afirmar com propriedade: é uma das experiências mais aterrorizantes que já presenciei. Tudo é tão chato e pretensioso que vi algumas pessoas da plateia dormindo não apenas em pé, mas plantando bananeiras em cima das poltronas. É daqueles shows que faz o Teatro Mágico parecer o Behemoth perto dessa turma. Deus me livre de assistir a esse troço de novo!

 

THE MANHATTANS

27 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

29 – Espaço das Américas – São Paulo

Ainda contando com a presença de seu líder, Gerald Alston, o grupo vocal americano continua na ativa muito mais por conta da memória afetiva das pessoas em relação àquela soul music romântica da Filadélfia, a mesma que deu ao mundo outros grupos bem mais legais, como Stylistics, Harold Melvin & the Blue Notes, Spinners, O’Jays e o maior astro daquela turma, o saudoso cantor Billy Paul. Por isso, são apresentações indicadas apenas para quem namorou e transou ao som de “Kiss and Say Goodbye” e “Forever by Your Side”. Esteja avisado…

 

KATINGUELÊ

28 – Carioca Club – São Paulo

Chega a ser difícil definir em palavras a ojeriza que tenho pelas músicas desse grupo – que outrora tinha um instrumentista diferenciado, que era o Salgadinho -, que jamais conseguiu fazer uma canção sequer que pudesse fugir do romantismo retardado. Lembrar de qualquer um de seus ‘sucessos’ faz o meu estômago embrulhar, como se eu tivesse bebido um milkshake de sardinhas. Faça como eu: fuja disso!

 

ALMIR SATER

28 – Km de Vantagens Hall – Belo Horizonte

Um dos artistas mais dignos da história musical deste país continua sua incansável batalha para mostrar às pessoas que “música sertaneja” não é este festival de lamúrias bregas e choronas que se ouve por aí. Por intermédio de poesia genuinamente agreste e bela, da viola bem tocada e da sinceridade que pontuam canções tão simples quanto pungentes, Almir tem tudo para lhe ensinar a diferenciar as pérolas das bijuterias baratas. Entendeu a analogia?

 

RAÇA NEGRA

28 – Credicard Hall – São Paulo

É uma pena ver que o grupo, outrora digno representante da então “nova geração do samba”, não só acabou se transformando em um dos artífices desse pagode “mela-cueca”, chegando aos dias de hoje soando exatamente como seus imitadores. E não adianta colocar instrumentos diferentes e outras papagaiadas, porque as canções que o Raça Negra faz hoje são rasas e sem um pingo de originalidade… Passe reto.

 

SOM IMAGINÁRIO

28 – SESC Pinheiros – São Paulo

Criado inicialmente para servir de banda de apoio a Milton Nascimento no início dos anos 70, o lendário grupo formado por Wagner Tiso ao lado do saxofonista Nivaldo Ornelas, do batera Robertinho Silva e do baixista Luiz Alves volta a se reunir – sem o violonista/guitarrista Tavito – para recriar os temas do álbum Milagre dos Peixes – Ao Vivo­, que gravaram o cantor mineiro em 1974. Será uma ótima oportunidade para você sacar de onde veio toda a influência de rock progressivo, jazz e até pitadas de música erudita que se ouvia na música do “Bituca” naqueles tempos. Outro show de primeira qualidade!

 

DEVOTOS

28 – SESC Belenzinho – São Paulo

Antigamente conhecida como “Devotos do Ódio”, a banda pernambucana está comemorando três décadas de existência com o lançamento de um novo disco, O Fim que Nunca Acaba. Para quem gosta de punk, hardcore e até reggae tocado de modo deliciosamente tosco, será um programão.

 

LUIZA POSSI

28 – Teatro Bradesco – São Paulo

Para quem deseja ardentemente ser um amálgama sonoro de Ana Carolina com Maria Rita, ela não consegue se desvencilhar da falta de carisma e, principalmente, de sua voz tremendamente irregular. Se quiser encarar, aí é por sua conta…

 

ROBERTA MIRANDA

28 – Tom Brasil – São Paulo

Não dá para enganar: este é daqueles ticos shows em que uma boa cantora como Roberta afunda em um oceano de breguice estética/musical que chega a comover. Ela tinha tudo para ser uma artista diferenciada, mas sabe-se lá por que insiste em um repertório simplesmente pavoroso. É uma apresentação indicada apenas para pessoas com pouquíssima exigência musical.

 

JOSÉ AUGUSTO

28 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Depois de anos enterrado em um profundo ostracismo, eis que um dos maiores representantes do “romantismo piegas com cafonice explícita” ressurge sabe-se lá de onde para nos assombrar com canções horrorosas e uma voz carregada das piores características que se pode dar à palavra “sentimento”. Meu Jesus Cristo, o que as pessoas não fazem para poder pagar as contas…

 

TONINHO HORTA & ORQUESTRA FANTASMA

28 e 29 – SESC Pompéia – São Paulo

Os shows marcam o lançamento de um álbum, Belo Horizonte, com o qual o grande guitarrista mineiro estende sua parceria com a banda que o acompanha em várias apresentações – com destaques para os lendários Paulo Braga na bateria e Nivaldo Ornelas no sax, o que faz do evento um programa obrigatório!

 

FABIANA COZZA

28 e 29 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Um dos bons nomes da nova safra de cantoras brasileiras, ela continua a promover seu mais recente álbum, Canto da Noite na Boca do Vento, só com canções da saudosa Dona Ivone Lara, o que deve garantir um padrão de qualidade bastante alto durante toda a apresentação. Não tenho dúvidas de que ela vai conquistar a plateia logo na segunda música. Em tempos de descartabilidade musical, nada como ouvir artistas que acreditam que é possível utilizar o astral de antigamente para revitalizar os dias atuais.

 

MELIM

29 – Credicard Hall – São Paulo

Meu Deus do céu! Era só o que faltava: uma “versão Jack Johnson” do duo Anavitória!!! Jesus Cristo, que troço ruim do caralho! As canções são tão bobas e inofensivas que fazem a Mallu Magalhães soar como o Siouxsie & The Banshees no auge do pós-punk. Meu Jesus Cristo, quem criou esse troço?

 

KAOLL com RICARDO VIGNINI

29 – SESC Interlagos – São Paulo

Essa boa banda faz uma ‘mistureba’ bem interessantes de fusion e hard rock setentista, juntando influências de Jimi Hendrix, King Crimson, Jethro Tull e do saudoso músico mineiro Marco Antonio Araújo. Recomendo uma conferida, pois você irá se surpreender positivamente, ainda mais com a presença do talentoso violeiro Ricardo Vignini.

 

JALOO

29 – SESC Pompéia – São Paulo

Prefiro beber em um gole só um pote inteiro de liquidificador lotado até a boca de uma vitamina de leite com linguiça calabresa apimentada do que a passar perto do local do show desse rapaz. Sério. Sugiro que você faça o mesmo…

 

TIÊ

29 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Dentro desta nova cena de cantoras que pululam entre o mainstream e o underground, o trabalho de Tiê é um dos mais simpáticos e livres de um “cabecismo poético” que por vezes resvala na pretensão no trabalho de algumas de suas “colegas”. Simples e bem arranjado, seu repertório traz pequenas pérolas que certamente vão atrair a atenção de quem não sabe nada a respeito dela. Dê uma checada de modo despretensioso.

 

MARINA DE LA RIVA

29 – SESC Pinheiros – São Paulo

A boa cantora reaparece nos palcos com um novo show, Memórias de um Jardim: Inverno, em que reforça a relação entre a sua música e a poesia latino-americana. Com novas composições de sua autoria centradas no universo do samba, é daquelas apresentações que vale a pena dar uma espiada…

 

NANDO REIS

29 – concha acústica do Teatro Castro Alves – Salvador

Mais conciso, sem as loucuras do passado, Nando vem dando provas de que finalmente aprendeu a valorizar seu trabalho, tendo novamente Os Infernais como sua (boa) banda de apoio. O problema é que ele está divulgando seu mais recente disco, o horrível Não Sou Nenhum Roberto, mas às Vezes Chego Perto, no qual se meteu a regravar canções de Roberto Carlos com resultados sofríveis e muito desafinados. É claro que ele vai apresentar também as suas próprias composições, o que significa que você está por sua conta e risco caso resolva encarar a parada…

 

GANG 90

29 – Centro Cultural São Paulo – São Paulo

Confesso que sou muito – muito MESMO! – desconfiado de bandas que voltam à ativa sem um integrante sequer da formação original, como é o caso aqui, em que apenas membros de formações posteriores – no caso, a vocalista Taciana Barros e o baixista Paulo Lepetit – assumem o nome e tratam de revisitar o passado. Quer arriscar? OK, mas depois não diga que não avisei…

 

VÂNIA BASTOS

30 – SESC do Carmo – São Paulo

Acompanhada apenas pelos pianistas Túlio Mourão (ex-tecladista dos Mutantes nos anos 70) e Rafa Castro, a sempre boa cantora vai mostrar um espetáculo totalmente calcado em cima de canções de grandes cantores e compositores mineiros – como Milton Nascimento, Beto Guedes, Flávio Venturini, Murilo Antunes e Ronaldo Bastos – e também outras de seu disco Vânia Bastos Canta Clube da Esquina. Só por conta disto este show merece ser conferido…

 

LUPA SANTIAGO

1/10 – Bourbon Street – São Paulo

Excelente guitarrista, Lupa Santiago faz uma interessante ponte unindo o jazz e a MPB instrumental e é exatamente isto que ele costuma apresentar com maestria em seus shows. A “cancha” que adquiriu por ter tocado muito no exterior e ao lado de grandes nomes como Dave Liebman e até mesmo Hermeto Pascoal dão o devido gabarito à sua performance, sempre ao lado de um grande grupo de apoio. Pode ir sem susto.

 

SLAYER

2/10 – Espaço das Américas – São Paulo

A banda sempre entregou a velha e ótima pancadaria que sempre cativou a nossa alma. Por isso, saber que essa é a turnê de despedida do quarteto traz, sinceramente, a sensação de dever cumprido tanto para os caras como para os fãs. Mesmo com a morte de Jeff Hanneman – extremamente bem substituído pelo sensacional Gary Holt, do Exodus – e com o ótimo Paul Bostaph no lugar do mitológico Dave Lombardo, Kerry King e Tom Araya continuaram a fazer ótimos shows sem perder o pique em nenhum momento. Agora é hora de se aposentarem dos palcos. Por isso, não perca esse show de maneira alguma!

 

MIKE PORTNOY com Noturnall e Edu Falaschi

3 – Bolshoi Pub – Goiânia

O que posso escrever a respeito de um show em que o ex-baterista do Dream Theater vai se apresentar ao lado de músicos nacionais e com a participação do ex-vocalista do Angra? Sabe-se lá o que irão apresentar, mas não tenho dúvidas de que será o tipo de evento indicado só para os fãs mais retardados dos envolvidos.

 

“ENCONTRO DE CANTADORES” com ELOMAR, XANGAI e RENATO TEIXEIRA

3 – Teatro Castro Alves – Salvador

Para quem curta a vertente da MPB mais tradicionalista, esse evento funciona como o encontro de “profetas do cancioneiro popular”. Pelo ineditismo do encontro, a promessa de grandes canções de cada um deles sendo apresentada de modo bastante particular e essencialmente visceral em sua rusticidade é um atrativo dos mais interessantes. Vale a pena arriscar.

 

BAILE DO SIMONAL

3 – Tom Brasil – São Paulo

Capitaneado pelos filhos do “homem” – Simoninha e Max de Castro -, este projeto trata de resgatar as sensacionais canções do cantor mais carismático que este país já viu. Apoiado por uma banda competentíssima e com a possibilidade de aparecerem convidados especiais, é um daqueles shows em que é impossível ficar sem pelo menos balançar algumas partes do corpo.