LAURYN HILL

3 – Espaço das Américas – São Paulo

Quem já teve o desprazer de assistir a um show dessa pretensa ‘diva do soul’ sabe que a sua falta de profissionalismo em termos de horários e performances em cima do palco é uma das experiências mais exasperantes que uma plateia pode presenciar. Torça MUITO para que ela esteja em uma boa noite…

 

JESUS JONES, MASSACRATION e MALTA

3 – Tropical Butantã – São Paulo

O evento terá como principal atrativo a sensação do público em saber se os ingleses do Jesus Jones, ainda com a sua formação original, continua a fazer o som instigante e suingado que apresentava durante o auge da MTV – quem não se lembra de hits como “Right Here, Right Now” e “International Bright Young Thing”? – e se as canções do álbum mais recente, Passages, lançado no ano passado, funcionam bem em cima do palco. Na abertura, vão rolar apresentações de músicos do Angra, do manjado e sem graça Massacration, e da tal “banda Malta”, que tenta driblar o anonimato que sempre acomete quem participa de programas da Globo com um trabalho mais pesado e agressivo. A se conferir…

 

TIÊ e ORQUÍDEAS DO BRASIL

3 – Centro Cultural Olido São Paulo

Dentro da nova cena de cantoras que pululam entre o mainstream e o underground, o trabalho de Tiê é um dos mais simpáticos e livres de um “cabecismo poético” que por vezes resvala na pretensão no trabalho de algumas de suas “colegas”. Simples e bem arranjado, seu repertório traz pequenas pérolas que certamente vão atrair a atenção de quem não sabe nada a respeito dela. Dê uma checada de modo despretensioso e preste atenção ao grupo Orquídeas do Brasil, que era a banda feminina que acompanhava Itamar Assumpção. Algumas surpresas podem rolar…

 

GERALDO AZEVEDO

3 – Cine Theatro Brasil – Belo Horizonte

Um dos grandes – e subestimados – nomes do que de melhor a música brasileira produziu a partir dos anos 70 vai se apresentar sozinho, acompanhado de seu violão, um banquinho e um microfone. Pela qualidade de seu repertório, sugiro que você não deixe de assistir a este show.

 

PEDRO LUIS

3 – Imperator – Rio de Janeiro

A extrema valorização do trabalho desse moço é um mistério para mim. Tanto com a sua associação com o grupo A Parede quanto com o coletivo carnavalesco Monobloco, Pedro nunca demonstrou qualquer coisa que valesse realmente a pena acompanhar em termos musicais e artísticos. E não é diferente em sua carreira solo. Por isso, nada vai justificar uma saída de casa para vê-lo e ouvi-lo assassinando na íntegra o cultuado álbum de estreia de Luiz Melodia, Pérola Negra, que é exatamente o que ele ameaça fazer nesse show. Credo!

 

TONI GARRIDO

3 – Opinião – Porto Alegre

Não faço a menor ideia do que o (ainda) vocalista do Cidade Negra pretende apresentar – imagino que vai mostrar canções da banda da qual (ainda) faz parte com outras de sua própria lavra -, mas de uma coisa tenho certeza: seu show vai beirar o insuportável, já que ele é tão desafinado ao vivo que chego a pensar que falta ao moço um senso de ridículo. Depois não diga que não avisei…

 

VANGUART

3 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Ainda fazendo shows tentando promover o quarto álbum de sua banda, o fraco Beijo Estranho, o vocalista Helio Flanders continua se mostrando um primor na arte de desafinar, tanto no estúdio como, principalmente, ao vivo. É uma ‘regularidade’ impressionante. Fuja!

 

MARCELO D2

3 – SESC Pompéia – São Paulo

Podem falar o que quiserem, mas a fórmula “rap + samba” deste cara é muito bem temperada, com consistência instrumental e letras espertas, ideais para o estilo. Nos shows, isto costuma tomar uma proporção ainda mais contagiante, desde que D2 deixe lado os longos discursos e os papos furados que costumam permear suas apresentações e se concentre em cantar, ao lado de sua sempre competente banda de apoio. Se fizer isso, é showzão.

 

TONINHO HORTA

3 – Blue Note – São Paulo

O grande guitarrista mineiro dá um tempo nas comemorações de seus 35 anos de carreira e mostra um novo show, com um repertório centrado em temas em que a sua guitarra se mistura ao universo do xote, baião e forró “pé de serra”, o que certamente vai propiciar um amálgama sonoro sofisticado e divertido ao mesmo tempo. É um evento obrigatório!

 

NEY MATOGROSSO

3 e 4 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Ele apresenta agora um novo espetáculo, Bloco na Rua, no qual vai mostrar um repertório que fica meio longe de seus tradicionais hits, incluindo versões de canções alheias, aliado a arranjos quase brilhantes. É ainda um show com uma abordagem mais pop, em que Ney resgata “Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua”, clássico de Sergio Sampaio, “O Beco”, dos Paralamas do Sucesso e “Mulher Barriguda”, dos Secos & Molhados. É um show obrigatório para quem gosta de música como arte. Pena que tenha gente que não entenda isso e fique gritando “te amo”, “gostoso” e outras babaquices nos intervalos entre as canções e até mesmo durante as mesmas, o que é um porre…

 

ORQUESTRA JAZZ SINFÔNICA

3 e 4 – Auditório Ibirapuera – São Paulo

Sob a regência do maestro João Maurício Galindo, essa excelente orquestra vai dar uma aula de competência ao abordar temas de Tom Jobim, Guinga e Cyro Pereira, entre outros, com arranjos especiais. Não vou escrever nada além disso: um show da Jazz Sinfônica equivale a 743 aulas de música. Não preciso me alongar no assunto, certo? Programão!

 

ODAIR JOSÉ

3 e 4 – SESC Belenzinho – São Paulo

Nesta apresentação, o veterano cantor brega/romântico vai mostrar algumas canções de seu mais recente álbum, Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio, que continuam a apresentar uma surpreendente “pegada rocker” e com letras bem interessantes, o que ele já vem fazendo em seus discos anteriores. E tal abordagem também estará presente quando ele tocar suas músicas mais antigas. Vá e curta esse show surpreendente. Ah, vão rolar participações de Thunderbird e do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira.

 

ALCIONE

3 e 4 – Theatro NET – Rio de Janeiro

A “Marrom” canta muito. Isto é fato. O problema é que ela parece ter tanta certeza disto que acha que pode cantar qualquer coisa e todo mundo irá babar. Ledo engano. Um repertório que privilegie o samba e não canções “dor de corno” fazem com que a qualidade de seus espetáculos aumente consideravelmente. Espero que isso ocorra nessas apresentações, que estão sendo anunciadas como “shows acústicos”.

 

DOUBLE YOU

4 – Bolshoi Pub – Goiânia

Tenho certeza que o cantor William Naraine, que carrega o nome do grupo desde que surgiu nos anos 90 com uma versão dançante da balada “Please Don’t Go”, do KC & The Sunshine Band, deve morar no Brasil e trabalhar em outro emprego. O cara parece vagar o tempo todo por aqui fazendo ‘trocentos’ shows nos lugares mais inóspitos de nossa terrinha, o que é uma façanha em tempos tão bicudos para as agendas de todos os artistas. É óbvio que o show é uma ‘roubada’ babilônica, né? Pelo amor de Deus, fique em casa…

 

JOHNNY HOOKER

4 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Seus discos são pretensiosos e chatos pra cacete, sua tentativa em imitar o timbre de voz da Cássia Eller é irritante e… e… Quer saber? Hooker é daqueles caras que julgam que “esquisitice” é o caminho mais fácil para a adoração de baba-ovos – vide seu mais recente álbum, o terrível e afetado Eu vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito! Nem a pau que eu indicaria um show desse sujeito para quem quer se divertir e ouvir um som bacana. Vá fazer outra coisa!

 

ALMIR SATER

4 – Credicard Hall – São Paulo

Um dos artistas mais dignos da história musical deste país continua sua incansável batalha para mostrar às pessoas que “música sertaneja” não é este festival de lamúrias bregas e choronas que se ouve por aí. Por intermédio de poesia genuinamente agreste e bela, da viola bem tocada e da sinceridade que pontuam canções tão simples quanto pungentes, Almir tem tudo para lhe ensinar a diferenciar as pérolas das bijuterias baratas. Entendeu a analogia?

 

SORRISO MAROTO

4 – Km de Vantagens Hall – Rio de Janeiro

Meu Jesus na cruz… Isto é horrível! Como é que uma banda destas consegue desenvolver uma carreira inteira dependente de um meio musical que prima pelo vazio criativo e que inequivocamente dá seus últimos suspiros é algo que deveria ser estudado. Talvez a explicação esteja no fato de que sua música é feita para pessoas que acham que o amor é aquilo que se vê nas novelas da Globo. Meu Jesus na cruz…

 

MARIA RITA

4 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro

Demorou para que grande parte do público levasse a filha de Elis Regina a sério como cantora. E não há nada de errado com o mundo quando se percebe que ela melhorou muito como cantora e, principalmente, na escolha do repertório de seus shows – vide o que vai apresentar na referida data, batizado como “Amor e Música”, centrado no seu mais recente álbum com o mesmo título. Há uma dose maior de espontaneidade em suas apresentações e sua banda de apoio é eficientíssima. Para quem nunca a viu em cima do palco, vale a pena dar uma arriscada…

 

GAVIN JAMES

4 – Cine Joia – São Paulo

O cantor e compositor irlandês tem um som bastante adocicado e seu segundo álbum, Only Ticket Home, tem lá seus atrativos melódicos. Só que é absolutamente nítido que o moço quer abocanhar uma fatia do mercado de fãs femininas que seguem o Ed Sheeran, muito menos por ser ruivo e muito mais pela proposta “senpfível” de suas canções. É som indicado apenas para garotas que ainda sonham com o seu amor eterno. Tô fora dessa papagaiada!

 

ANELIS ASSUMPÇÃO

4 – SESC Santo Amaro – São Paulo

A filha do falecido Itamar Assumpção tem boas canções e banda afiada. Só por isto o seu show já valeria a pena. Como “bônus”, há uma interessante mistura de ritmos e gêneros – samba, reggaehip hop e o que mais lhe der na telha. Como a base do show são as canções de seu mais recente álbum, o bom Taurina, recomendo uma boa espiada na apresentação.

 

NÁ OZZETTI

4 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Muito distante do estereótipo “cantora gostosona de voz grossa” que impera nos dias de hoje, ela se tornou uma das mais subestimadas artistas das últimas décadas justamente por não se render aos fáceis apelos do comercialismo. Nessa apresentação ela vai repassar canções de sua carreira que já dura quatro décadas e entremear cada uma delas com pequenos contos, o que certamente dará uma atmosfera um pouco mais teatral ao show. É uma boa pedida para quem quer ouvir MPB de alto nível.

 

AVE SANGRIA

4 – SESC Pompéia – São Paulo

O grupo pernambucano se tornou uma das maiores lendas do rock nacional quando lançou um único e autotitulado LP em 1974 que, com o passar dos anos, se tornou objeto de culto por conta de sua sonoridade roqueira e psicodélica embebida em música regional nordestina.  Mais de quatro décadas depois, a banda se reúne novamente com alguns integrantes daquela formação para mostrar as canções daqueles tempos e alguns temas inéditos. Não perca isso de jeito algum!

 

EDU FALASCHI & JOÃO CARLOS MARTINS

4 – Tom Brasil – São Paulo

O ex-vocalista do Angra vai realizar um antigo sonho: tocar na íntegra as canções do álbum Temple of Shadows com uma orquestra – no caso, a Bachiana Filarmônica, regida pelo maestro Antonio Carlos Martins -, o que faz com que tal apresentação seja indicada apenas aos mais fanáticos pelo referido álbum. Não é o meu caso…

 

ZECA BALEIRO

4 e 5 – SESC Santana – São Paulo

Apesar de seus detratores alegarem que ele não faz nada de novo, a verdade é que Zeca Baleiro é um daqueles caras que podem ser acusados de qualquer coisa, menos de ser preguiçoso em relação ao seu trabalho musical. Sempre produzindo boas canções, com arranjos que muitas vezes fogem dos padrões tradicionais e com um discurso encorpado em termos poéticos, ele injeta certa dose de inconformismo dentro de uma cena que se mostra excessivamente passiva. Isto tudo sem contar a banda de apoio de primeiríssima qualidade. Agora ele volta com um espetáculo infantil, intitulado “Zoró Zureta”, com canções para a criançada, histórias e brincadeiras. Leve seus filhos sem susto!

 

TETÊ ESPÍNDOLA

4 e 5 – SESC Avenida Paulista – São Paulo

Embora sempre esteja à margem do mainstream de influências destas cantoras que hoje infestam a MPB nos dias de hoje, Tetê jamais deixou de ter um trabalho acima da média desde o final dos anos 70. Neste novo show ela vai mostrar algumas canções que marcaram os grandes festivais dos últimos 50 anos, o que pode render ótimos momentos caso o repertório seja bem escolhido. Dê uma espiada…

 

SOTO

4 – Teatro Odisséia – Rio de Janeiro

5 – Carioca Club – São Paulo

Ele é um frontman de primeira – chegou a ser cotado para excursionar com o Queen antes da contratação do Paul Rodgers, foi vocalista do Journey, da banda do Yngwie Malmsteen e de mais um monte de grupos -, tem uma ótima voz, presença de palco irrepreensível e um bom humor contagiante. Pena que é um compositor muito fraco. Mesmo assim, seus shows costumam ser divertidas celebrações daquele hard rock farofento que Los Angeles exportou para o mundo nos anos 80. Vá pela farra…

 

OSWALDO MONTENEGRO & RENATO TEIXEIRA

5 – Teatro Castro Alves – Salvador

Não tenho a menor ideia do que pode resultar o encontro entre dois nomes tão díspares em termos de qualidade musical. Tomara que o brilhantismo de Renato não seja contaminado pela chatice estratosférica e ‘pseudocabeça’ de Montenegro. É o mínimo que posso desejar a quem se aventurar a presenciar tal encontro.

 

RICARDO VIGNINI & TUIA

5 – Teatro J. Safra – São Paulo

O violeiro/produtor é um dos mais talentosos nomes da música brasileira dos últimos anos justamente por apresentar uma constante excelência em tudo o que faz. Depois de lançar o estupendo Rebento (2017), o integrante do ótimo duo Moda de Rock está soltando seu mais recente trabalho solo, Viola de Lata, totalmente voltado às sonoridade acústicas do instrumento. Neste show ele estará acompanhado do violinista Tuia e elaborou um repertório em que cabem tanto o repertório autoral de ambos como interessantes revisitações de canções de Zé Geraldo, Tavito e Sá & Guarabyra. Imperdível mesmo!

 

RODRIGO AMARANTE

7 – Teatro Castro Alves – Salvador

Um dos problemas da tal “volta dos Los Hermanos” está no fato de seus dois principais integrantes agendarem shows individuais para incrementar os cachês. Nesse show, ele provavelmente vai se apresentar sozinho, tocando violão e piano, cantando todas as canções de seu disco solo Cavalo e mostrando algumas novas composições, ou seja, ele tem tudo para fazer você ficar em casa ou pensar em fazer outra coisa na vida. Na abertura, vai rolar a apresentação da cantora americana Cornelia Murr, da qual confesso nunca ter ouvido falar. Considere-se avisado.

 

NUNO MINDELIS

8 – Bourbon Street – São Paulo

Um dos maiores representantes do blues da América do Sul é angolano de nascimento e brasileiro de coração, toca muito, é um compositor de mão cheia e, sabe-se lá por qual motivo, desenvolve uma carreira — internacional, inclusive – muito aquém de seu talento. Se você é daqueles que despreza a linguagem nacional para gêneros estrangeiros, sugiro comparecer a este show e dar o braço a torcer para o som deste excelente guitarrista. Ótima pedida!

 

VANESSA JACKSON

8 – Blue Note – São Paulo

Um exemplo de talento desperdiçado oriundo desses realits shows televisivos, a ótima cantora tem todas as condições de relembrar a ouvidos medíocres que a disco music era muito mais que “música de discoteca”, e que era preciso ter muito gogó e som instrumental caprichado para tocar clássicos como “It’s Rainning Men”, “I Will Survive”, “Last Dance” e tantas outras canções legais pra caralho. Se estiver no pique de sacudir o esqueleto ao som de boa música, pode se jogar na pista!

 

KENNY BARRON

9 – Bourbon Street – São Paulo

Extraordinário pianista, Barron é daqueles que carrega o estandarte do jazz com imensa galhardia muito antes de ser o pianista favorito do genial saxofonista Stan Getz e ter tocado ao lado de lendas do gênero como Dizzy Gillespie, Ron Carter, Charlie Haden, Roy Haines e Dave Holland. Além disso, tem um apreço todo especial pela música brasileira, tendo gravado álbuns em parceria com Toninho Horta e o saudoso baixista Nico Assunção, além de outros músicos luminares da cena nacional. Ao lado de uma cozinha rítmica brasileira da melhor qualidade – o baixista Nilton Matta e o baterista Rafael Barata -, ela vai fazer um daqueles shows imperdíveis!

 

A PLACE TO BURY STRANGERS

9 – Centro Cultural São Paulo – São Paulo

Confesso que nunca fui muito ligado ao som desse trio americano porque o som era muito calcado em cima da atmosfera sônica produzida pelo Joy Division, mas gostei bastante do mais recente álbum dos caras, Pinned, que tem uma pegada mais influenciada pelo shoegazer eletrônico. Vale uma arriscada…

 

CÉU

9 – SESC Avenida Paulista – São Paulo

Boa cantora em disco e um pouco irregular ao vivo, ela se tornou um dos mais celebrados nomes da nova safra de cantoras brasileiras. Neste show ela vai mostrar canções de seus bons álbuns – incluindo o mais recente, Tropix -, o que é uma excelente pedida para quem não acredita que a música nacional vai além das “Anittas da vida”…