“É Show ou é Fria”: 5/10 a 11/10

DADO VILLA-LOBOS & MARCELO BONFÁ

5 – Espaço das Américas – São Paulo

Parece que a dupla não pode mais usar qualquer menção ao nome “Legião Urbana” por medida judicial impetrada pelo filho do falecido Renato Russo – fiquei sabendo por fonte segura que foi um pedido do próprio vocalista antes de morrer. O que ambos não podem fazer é cometer os erros bisonhos que apresentaram em cima do palco em todas as ocasiões em que se meteram a revisitar o repertório do grupo. Dito isto, espero que a plateia se divirta com o prometido – a execução na íntegra dos álbuns Dois e Que País é Este? – e não entre no clima histérico que acomete os fãs dos Los Hermanos, por exemplo.

 

SANDY

5 – Km de Vantagens Hall – Belo Horizonte

Tentando buscar uma legitimidade em sua carreira solo, Sandy cercou-se de uma boa banda de apoio na hora de transpor as canções de seus discos para o palco.  Louve-se seu esforço em se afastar da imagem de menina bobinha do passado, mas ela ainda precisa comer muito feijão antes de se tornar uma referência musical digna de nota. É isto o que você verá e ouvirá nesse novo show, que traz um apanhado dos álbuns que ela lançou até agora e algumas canções inéditas. Tá a fim de ir? Aí é por sua conta e risco…

 

TONINHO FERRAGUTTI & SALOMÃO SOARES

5 – SESC 24 de Maio – São Paulo

Dois instrumentistas dos mais talentosos, o acordeonista e o pianista gravaram um disco bem interessante, fortemente influenciado por nomes tão díspares e geniais como Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Tom Jobim e Jacob do Bandolim. O resultado ficou tão legal que tenho certeza que essa apresentação deve incentivar a busca pela música brasileira de qualidade, facilitando e auxiliando o trabalho de quem deseja se educar musicalmente. Recomendo!

 

ODAIR JOSÉ & AZYMUTH

5 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Meus sinceros parabéns a quem teve a brilhante ideia de unir o subestimado cantor e o genial trio instrumental! E antes que você estranhe tal parceria, vou contar um segredo: ela não é inédita! Foi juntamente com o grupo que Odair gravou mais de sete álbuns, incluindo um dos trabalhos mais icônicos da música brasileira, Filho de José e Maria, lançado em 1977 e que rendeu condenação por parte dos setores mais conservadores do público. Não tenha a menor dúvida: é um show imperdível!

 

ZÉ RAMALHO

5 Teatro Positivo – Curitiba

Se existe um artista brasileiro com um repertório acima de qualquer suspeita na hora de montar um show, este é Zé Ramalho. Principalmente porque ele não é daqueles que deita nos louros do passado e está sempre compondo novas e instigantes canções. Pode apostar que o show será bem legal, com toneladas de hits e qualidade sonora impecável.

 

GUILHERME ARANTES

5 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Com mais de 40 anos de carreira, um dos mais brilhantes compositores da história da música brasileira mostra um show alto astral, recheado de canções legais – você vai se pegar cantando um monte delas! Pena que ele não estará acompanhado de sua excelente banda de apoio, que conta com o guitarrista Luiz Carlini e o baixista Willy Verdaguer, e sim sozinho no palco, acompanhado apenas de um teclado, o que vai transformar a apresentação em um encontro musical bem mais intimista.

 

VANCE JOY

5 – Audio – São Paulo

6 – Circo Voador – Rio de Janeiro

O cantor australiano é apenas mais um dessa turma “indie bunda mole metida a tocar ukelelê em festinhas” a produzir involuntariamente trilhas sonoras para comerciais de margarina, banco, carros, chinelos e todo o tipo de tranqueira disponível no mercado – vide a sonoridade de seu único hit, “Riptide”. É um som tão inofensivo que faz o Imagine Dragons soar como o Slayer perto dessa merda. O show é indicado só para gente “senpfível”, daquelas que tem ‘nojinho’ de qualquer tipo de sexo oral…

 

ED MOTTA

5 e 6 – Café-Teatro Rubi – Salvador

Aqui também você tem garantia de boa música. Ed Motta sabe das coisas, é uma enciclopédia ambulante e trata de colocar todo o seu conhecimento nas canções e arranjos que constrói. Sozinho, acompanhado apenas de um piano elétrico e de uma guitarra, ele vai dar uma revisitada em seu repertório e mostrar como compõe em casa. Deve ser interessante…

 

FLOGGING MOLLY

5 – Hermes Bar – Curitiba

6 – Carioca Club – São Paulo

7 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Tenho que confessar que compro todos os discos de todas as bandas que fazem o chamado “punk celta irlandês”, que não necessariamente vieram da Irlanda, mas que misturam em seu som agressivo instrumentos pouco usuais – gaitas de foles, rabecas, acordeons etc – e uma indefectível vontade de celebrar qualquer coisa entornando galões de cerveja. Por isto, eu não vou perder de forma alguma o maravilhoso show deste grupo de Los Angeles. Vai ser uma festa divertidíssima!

 

LÔ BORGES

5 e 6 – Teatro Paulo Autran – São Paulo

Esta é uma rara oportunidade de tomar contato com a obra de um dos melhores artistas da música brasileira. Oriundo do famoso Clube da Esquina, ele tem uma discografia curta e excelente, cheia de canções maravilhosas que nem mesmo a sua voz irregular consegue tirar o brilho. Como estas apresentações fazem parte da divulgação do DVD Tênis + Clube – Ao Vivo no Circo Voador, pode ter certeza que o famoso “Disco do Tênis” – o primeiro trabalho solo de Borges – será apresentado na íntegra ao lado das composições que ele emplacou no álbum Clube da Esquina. Pode ir sem susto…

 

ILÊ AIYÊ

5 e 6 – Auditório Ibirapuera – São Paulo

Bloco de música baiana é um troço que deveria ser liberado de se apresentar só em época de carnaval, mesmo que tenha a nobre intenção de valorizar a cultura africana no Brasil. Quem sabe assim as festas de rei Momo fariam mais sentido do que as toneladas de músicas ruins que somos obrigados ao ouvir todo santo mês de fevereiro. Neste caso, o primeiro bloco afro da Bahia, fundado em 1974, tem o mérito de buscar expandir a cabeça de quem tem a música como forma de expressão genuína. Nas duas apresentações vão rolar participações de outros blocos e de alguns nomes desse universo. Se essa é a sua praia, arrisque…

 

DIOGO NOGUEIRA

 5 e 6 – Theatro NET – Rio de Janeiro

Ele até tenta seguir os passos do pai – o lendário e falecido João Nogueira -, mas além de não ter voz condizente com o gênero, Diogo Nogueira tem carisma zero e faz um tipo de samba que não só passa a anos-luz de distância daquilo que Zeca Pagodinho e Jorge Aragão – estes sim representantes do “resgate do samba de raiz” -, como também soa como um Alexandre Pires mais rústico. Não perca seu tempo.

 

BELO

6 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Sempre penso que anos atrás ele passou uma temporada na cadeia pelos motivos errados: quem ‘cantava’ as ‘músicas’ que o sujeito mostrava nos shows não merecia outra coisa senão passar um bom tempo tomando água de caneca e tendo duas horas de sol por dia. Uma verdadeira aberração musical para quem gosta de samba, Belo continua impunemente nos dias de hoje a personificar o que de pior aquele troço que ficou conhecido como “pagode” propiciou. Suas péssimas canções fazem jus às interpretações que costuma cometer em cima dos palcos, o que torna cada um de seus shows – agora risivelmente batizados como “Belo In Concert” e com quase duas horas e meia de duração – uma espécie de castigo sonoro para quem se atreve a testemunhar essa presepada. Fuja disso!

 

BETH CARVALHO & FUNDO DE QUINTAL

6 – Km de Vantagens Hall – Belo Horizonte

Quando pensávamos que uma das grandes damas do SAMBA (é, com letra maiúscula mesmo) estava recuperada de um seríssimo problema de saúde, ela voltou ao palco recentemente ao lado do veterano Fundo de Quintal e fez um show inteiro deitada!!! Confesso que foi uma cena meio deprimente de assistir, embora Beth não tenha feito feio na hora de cantar, dada à terrível condição de sua saúde. Torço para que ela tenha se recuperado e possa fazer uma apresentação digna de sua estatura dentro da história da música brasileira.

 

PÉRICLES
6 – Credicard Hall – São Paulo

Ele é um cara carismático e dono de uma bela voz. Com o fim do Exaltasamba, Péricles iniciou sua carreira solo e eu torço sinceramente para que ele se afaste completamente do som que fazia com seu finado grupo, voltando a fazer um samba de raiz com letras que tenham uma maior profundidade poética. A julgar pela música mais recente que lançou, “Até que Durou”, que estará presente em seu novo disco, infelizmente parece que isto não vai acontecer tão cedo. Pena…

 

CHITÃOZINHO & XORORÓ

6 – Espaço das Américas – São Paulo

Se você estiver esperando por novidades, nem passe perto da porta deste show. Agora, se você nunca foi a uma apresentação deles e tem certa curiosidade, esta é uma boa oportunidade. Acontece que a dupla está mais do que nunca se afastando daquelas baladas “dor de corno” horrorosas do passado e investindo em uma sonoridade bastante próxima do country rock, o que não deixa de ser uma boa notícia. Isso sem contar que a banda de apoio é uma das melhores da praça. Se você não for um cara preconceituoso, a hora é agora…

 

BIXIGA70

6 – Opinião – Porto Alegre

Outro show imperdível, já que se trata de um dos grupos brasileiros mais legais da atualidade. Os caras resgataram a sonoridade afrobeat de artistas africanos dos anos 70 – que misturavam jazz, rock e a típica sonoridade daquele continente – e acrescentaram um “molho” brasileiro estonteante. E ainda estão lançando um novo álbum, Quebra-Cabeça.  Showzaço!

 

ALICE C AYMMI

6 – SESC Bom Retiro – São Paulo

Da doçura da família Caymmi ela não tem nada. Sua voz é repleta de uma intensidade quase agressiva e a sua marcante presença de palco faz com que suas boas canções ganhem um atrativo a mais. O som é pop, mas não é babaca. Ótima pedida, principalmente para quem não a conhece.

 

VIOLETA DE OUTONO

6 – SESC Belenzinho – São Paulo

Para quem gosta de rock progressivo e de experimentações sônicas, ainda vale muito a pena assistir às apresentações deste grupo, que sobrevive desde os anos 80 fazendo o som mais improvável do mundo para quem se julga “descolado”. A formação original do trio vai apresentar um repertório dos três álbuns que lançaram – Reflexos da Noite (1986), Violeta de Outono (1987) e Em Toda Parte (1988) e terão como convidado o grupo Ema Stoned. Vale a pena!

 

CATEDRAL

6 Teatro Positivo – Curitiba

Sair de casa para assistir a um show de uma banda que insiste em imitar a Legião Urbana há 452 anos não é bem um programa recomendável, ainda mais apresentando canções de poética mais fraca que sopa de albergue noturno. Para piorar, o trio usou o velho truque da “turnê de despedida pelo Brasil” em 2016 para vender mais ingressos e agora vem com a lorota “milhares de pedidos dos fãs nos fizeram voltar à ativa e comemorar trinta anos de carreira”, uma trapaça absolutamente intolerável. Fuja disso!

 

NANDO REIS

6 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

O ex-Titãs vinha mostrando que havia dado uma boa melhorada em suas apresentações quando começou a divulgar o álbum Sei. Mais conciso, sem as loucuras do passado, ele tinha dado provas de que finalmente aprendeu a valorizar seu bom trabalho. Ele agora volta a ter como Os Infernais como sua banda de apoio para divulgar seu mais recente disco, Jardim-Pomar. Pode ter certeza que será bem mais legal do que as apresentações “voz & violão” que ele vem fazendo nos últimos tempos…

 

TRIBALISTAS

6 – Arena Olímpica – Rio de Janeiro

É inacreditável que depois do total fracasso do segundo e autointitulado álbum lançado no ano passado o trio formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes – secundado por inúmeros músicos contratados, incluindo Dadi, baixista da A Cor do Som – tenha a ousadia de se apresentar em grandes palcos espalhados pelo País. Não é possível que alguém se disponha a gastar uma grana preta para aire de casa e ouvir em cima do palco uma sucessão de canções horríveis e pretensiosas em sua “exibição de simplicidade”, um troço tão falso quanto uma nota de R$ 7. Passe longe desse ‘mamute apodrecido’!

 

“ILHABELA IN JAZZ 2018”

6 e 7 – Centro Histórico – Ilhabela (SP)

Outro tradicional evento está em sua sexta edição e traz este ano uma escalação bem interessante. Na segunda e última etapa – a outra aconteceu na semana passada -, vão rolar interessantes apresentações, como o tributo ao cultuado e falecido saxofonista Victor Assis Brasil capitaneado pelo pianista Nelson Ayres, o lendário percussionista Airto Moreira com o seu grupo, Hermeto Pascoal ao lado de uma big band, entre outros bons shows. Vale a pena ir até o litoral para testemunhar tudo isso…

 

EMMERSON NOGUEIRA

6 e 7 – Teatro do Bourbon Country – Porto Alegre

É difícil acreditar que alguém saia de casa para assistir a um show em que um cantor/violonista sem o menor carisma apresente um típico repertório “pseudoclassic rock” de barzinho sem a menor ousadia nos arranjos e muito menos sem qualquer traço de criatividade até mesmo em suas interpretações. É o caso de pensar se determinadas plateias realmente não têm o menor senso crítico ou se Emerson é um gênio maquiavélico que hipnotiza as pessoas para que estas sirvam de cobaias para experimentos sônicos que ninguém ainda entendeu quais são. Sou mais a primeira hipótese.

 

TIA CARROLL

6 – Clandestinos Blues – Passo Fundo (RS)

9 – Villa Dionisio – Ribeirão Preto (SP)
11 – Galeria 335 – Piracicaba (SP)

É inacreditável que uma cantora sensacional como esta californiana seja completamente desconhecida no Brasil e até mesmo em seu próprio país. Dona de um timbre blues soberbo, ela ainda se dá ao luxo de se apresentar por aqui acompanhado do ótimo guitarrista Igor Prado e sua banda, com um repertório que vai deixar você de queixo caído. Não perca esses shows de forma alguma!

 

PETER MURHY

7 – Carioca Club – São Paulo

Confesso que tenho dificuldade em entender comemorações de aniversários de bandas que não existem mais há vários anos. Por isso, a vinda do ex-vocalista do Bauhaus ao Brasil para ‘festejar’ o 40º aniversário de sua ex-banda, e prometendo ainda a participação especial do ex-baixista do grupo, David J, também ex-integrante do Love & Rockets (lembra do hit “Go”?) é algo que cheira a pura pilantragem caça-níqueis. Mesmo anunciando que irá tocar na íntegra o primeiro álbum do finado quarteto, o quase clássico In the Flat Field, de 1980, não sei não… É muito “ex” para o meu gosto.

 

STRIKE

7 – Opinião – Porto Alegre

Ainda tentando se recuperar do péssimo episódio em que seu ex-baterista deu um copo de suco de laranja com sua própria urina para uma fã beber em um especial de TV e que acabou levando a banda a se separar por “tempo indeterminado” anos atrás, seus integrantes voltaram à ativa e tentam agora cativar uma nova parcela de fãs de miolo mole. O novo som dos caras, retratado no recentemente lançado EP Fênix, continua uma porcaria inominável. Duvido que o show seja diferente disso…

 

MAIARA & MARAÍSA

9 – Espaço das Américas – São Paulo

A dupla de garotas, assim como ocorre com Simone & Simaria, não passa de outro embuste pseudomusical para alegrar cérebros desprovidos de capacidades cognitivas básicas. Um show indicado apenas para débeis mentais…

 

ALAÍDE COSTA e CLAUDETTE SOARES

9 – Theatro NET – Rio de Janeiro

Duas das maiores cantoras que o Brasil já teve a oportunidade de ouvir irão recriar, meio século depois, o antológico show em que ambas participaram no Teatro Paramount, batizado como O Fino da Bossa, que acabou inspirando o programa de TV que tinha Elis Regina e Jair Rodrigues como apresentadores. Para melhorar ainda mais, as duas vão mostrar canções Tom Jobim e Vinícius de Morais. Se quiser assistir ao vivo uma linda página da música brasileira, a oportunidade é esta!

 

ROGER WATERS

9 e 10 – Allianz Parque – São Paulo

Aqui está mais um exemplo de que a grandiosidade visual de alguns shows não permite mais que sejam assistidos de perto pela plateia. Ao contrário, as apresentações do eterno ex-baixista do Pink Floyd necessitam de certa distância do palco para que todo o conceito do espetáculo – agora rebatizado como “Us + Them”, com canções de seu mais recente trabalho, o bom Is This the Life We Really Want?, mescladas com as canções de sua ex-banda – seja compreendido. Como experiência sensorial, é imperdível!

 

CYPRESS HILL

9 – Opinião – Porto Alegre

10 – Espaço das Américas – São Paulo

O sensacional grupo de hip hop californiano não apenas faz shows muito legais como sempre apresenta um repertório bacana, ainda mais agora que os “fumetas” acabaram de lançar um novíssimo álbum, Elephants on Acid, e certamente vão tocar algumas canções novinhas. Tenho a forte sensação que você vai se divertir muito indo aos shows…

 

MANO WALTER

10 – Credicard Hall – São Paulo

Nunca via ouvido falar desse sujeito. Até que uma leitora de meus textos por aqui teve o descaramento de enviar vídeos de algumas das … ahn… ‘canções’ do cara, como “Juramento do Dedinho”, “Playboy Fazendeiro”, “Balada do Vaqueiro” e “O Que Houve”, dizendo que ele era a “nova sensação do forró”. Juro por Deus: tive vontade de vomitar pelos olhos! Sabendo agora que esse show vai servir para que um DVD seja gravado – com as participações de convidados, como participações especiais de César Menotti & Fabiano, Aviões do Forró e de um moleque chamado Gustavo Mioto –, torço para que toda a plateia presente a esse inferno seja obrigada a passar três dias inteiros trancada dentro do Credicard, sem poder sair e sequer ir ao banheiro, ouvindo a produção gritando no PA da casa: “deu merda, vamos ter que gravar tudo de novo”…

 

“HOMENAGEM AO REI” com EDUARDO LAGES & MARINA ELALI

10 – Imperator – Rio de Janeiro

A união entre o maestro que conduz a banda de apoio do Roberto Carlos há mais de quatro décadas e a boa cantora – mas que peca por uma certa breguice na escolha de seu repertório – certamente não vai produzir um espetáculo em que “ousadia” seja uma palavra-chave. Pelo contrário, a tendência é que todas as canções de Roberto Carlos apresentadas soem “limpinhas” e cafonas, bem condizente com um tipo de público que se recusa a sair de sua zona de conforto auditiva. Que pena…

 

LEONARDO

11 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Se você pensa que “romantismo” é ouvir canções tão consistentes quanto um pote de canjica, com letras repletas de poesia de 5ª série de Primeiro Grau, cantadas por um sujeito até que boa-praça, mas que é incapaz de mostrar um pingo de ousadia em seu som, então este show é para você. É um espetáculo em que transbordam emoções de araque, em que até mesmo o resgate de músicas do passado de gente como Tião Carreiro, Chitãozinho & Xororó e João Mineiro & Marciano receba um tratamento indigente em termos musicais. Fuja!

 

THIAGUINHO

11 – Carioca Club – São Paulo

Embora seja um cara carismático em cima do palco, ele desperdiça tal atributo com um repertório de porcarias vexaminosas, que só entusiasma periguetes e candidatas a tal. Sem contar que, ao vivo, sua voz não é lá essas coisas, o que não ajuda em nada a tornar seu show um evento imperdível. Pelo contrário: é preferível ficar em casa assistindo ao videotape de Guarani de Bagé x Tuna Luso, disputado em uma quarta-feira chuvosa.

 

JAIR NAVES

11 – Centro Cultural São Paulo – São Paulo

Em carreira solo, o fundador do grupo Ludovic conseguiu a proeza de soar mais chato e desafinado que em sua banda – seu álbum E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas é um dos troços mais terríveis lançados nos últimos tempos. Depois de soltar o razoável Trovões a Me Atingir em 2015, seu maior ponto fraco continua sendo as suas vocalizações. Se cantando em estúdio é ruim, ao vivo então a coisa assume ares de tortura. E ele ainda ameaça mostrar composições inéditas, previstas para um terceiro disco, programado para o ano que vem. Caia fora dessa roubada!

 

FERRUGEM

11 – Km de Vantagens Hall – Rio de Janeiro

Nunca tinha ouvido falar desse moço. Fui conferir suas músicas e tive a plena certeza que perdi preciosos minutos de minha vida só para ter a oportunidade de dizer a você: já sei onde NÃO estarei…

 

TURMA DO PAGODE

11 – Credicard Hall – São Paulo

Quem se importa com mais um dos 3.769 grupos de “pagode chifrudo” que existem por aí? Quem se importa com um grupo que só sabe cantar “lelelê”, “laialaiá” e mais um monte de letras ginasiais a respeito de dor do corno? Eu não. E você?

 

“Z FESTIVAL”

11 – Pepsi On Stage – Porto Alegre

Como é? Um festival com Ana Vitória, Iza, um pseudosurfista surfista metido a cantor chamado Vitor Kley – que mais parece um cruzamento do Felipe Dylon com o Lion, dos Thundercats -, um “come ninguém” conhecido pela alcunha de “Zeeba”, uma “DJ de pendrive” chamada Sabrina Bastos e, para ‘coroar’, um show com Camila Cabello, ex-integrante daquela pavorosa armação do Fifth Harmony? Meu Deus do céu! Quem organizou um evento desse naipe só pode estar a mando de alguma entidade maligna devoradora de almas de gente que tem vapor quente de banheiro no lugar do cérebro…

 

BADI ASSAD

11 – SESC Pompéia – São Paulo

Talentosíssima violonista brasileira com carreira internacional, ela vai fazer uma rara aparição por terras nacionais mostrando sons e histórias de seu livro Volta ao Mundo em 80 Artistas, recentemente lançado. Com a participação especial do insosso Filipe Catto – protagonista de um dos capítulos da obra -, o show apresenta um repertório contendo composições de diversos estilos e etnias em simbiose com o material da própria Badi, ou seja, vai ser um “samba do crioulo doido”. O domínio dela sobre o instrumento é absurdo, embora deixe um pouco a desejar quando começa a fazer firulas vocais. Torça para que ela tenha abandonado isso e se concentre apenas em cantar o que cada canção pede e manter o foco no violão. Aí sim a coisa toda pode funcionar. Caso contrário…

 

ZUMBIS DO ESPAÇO

11 – Pindabar – Pindamonhangaba (SP)

Com uma carreira meio longa e uma discografia bem irregular, o grupo paulista ainda está fazendo shows para promover o álbum que lançaram em 2016, o interessante Em Uma Missão De Satanás, agora tendo como abertura a banda carioca Carbona. Para quem gosta de um som descabelado, divertido e sem muito compromisso, pode ser uma noitada bem divertida…

 

ROUGE

11 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

O show batizado como “15 Anos” traz exatamente o número da idade mental de todo mundo que se dispõe a gastar dinheiro para ver o quinteto de ex-meninas novamente em cima do palco, entoando canções que podem ser definidas sutilmente como “pop vagabundo”. O público desta presepada certamente vai entrar em delírio quando começarem os primeiros acordes daquela ridícula “Ragatanga”. É uma ‘roubada’ indicada só para quem tem miolo mole…

7 respostas

  1. “é preferível ficar em casa assistindo ao videotape de Guarani de Bagé x Tuna Luso, disputado em uma quarta-feira chuvosa.” Kkkkkkkkkkkkkkk!!! Sensacional!!!

  2. Moro perto de uma casa de show na Zona Leste de São Paulo, que terá o “prazer” de receber o cantor Belo dia 26 de Outubro . Passando a pé, parei para perguntar o preço do ingresso : R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 estudantes, com direito a duas cervejas ou refrigerantes…..Pensei comigo :
    “Imperdível, hein ???” ……Pelo preço do ingresso e os brindes oferecidos, você já imagina a qualidade da platéia que vai frequentar este show…..Acho que vou instalar um Bunker em casa…….

  3. Bahh Tia Carrol Tocar em Passo Fundo que fica a uns 400 km daqui e não tocar em Porto Alegre? Bahh estamos ruim de espaço cultural em nossa capital. Agora Flogging Molly fui em 2012 e tu definiu muito bem, não tem como ouvir a banda genial, muito boa, e não estar acompanhada de uma boa cerveja. Pena não vir pra Porto Alegre. Abraços Regis.

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