FUNK COMO LE GUSTA

6 – Blue Note – São Paulo

Comemorando duas décadas de existência, a ótima banda paulistana, que sabe misturar soul, funk, jazz, MPB, ska e o que mais vier pela frente, tudo executados de modo brilhante, que transformam cada show em um grande baile. Em vez de perder tempo com picaretagens do naipe do Monobloco, vá assistir às apresentações destes caras e veja como técnica e suingue podem caminhar lado a lado, sem conflitos. Ah, nesse show vão rolar as participações de convidados especiais que não foram divulgados.

 

ALICE C AYMMI

6 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro

Da doçura da família Caymmi a Alice não tem nada. Sua voz é repleta de uma intensidade quase agressiva e a sua marcante presença de palco faz com que suas boas canções ganhem um atrativo a mais. O som é pop, mas não é babaca. Ótima pedida, principalmente para quem não a conhece. Ah, vai rolar abertura ou participação de uma tal de Mc Tha, de quem nunca ouvi falar…

 

ELBA RAMALHO

6 – Imperator – Rio de Janeiro

Ela volta a apresentar o show Carnaval do Brasil, calcado em um repertório que busca retratar a diversidade rítmica que assola o Brasil nessa época tão próxima. Embora mostre que ainda é uma artista capaz de contagiar a plateia, Deus queira que ela continue a deixar para trás os tempos em que sua voz lembrava uma gralha com laringite…

 

DIOGO NOGUEIRA

6 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Ele até tenta seguir os passos do pai – o lendário e falecido João Nogueira -, mas além de não ter voz condizente com o gênero, Diogo Nogueira tem carisma zero e faz um tipo de samba que não só passa a anos-luz de distância daquilo que Zeca Pagodinho e Jorge Aragão – estes sim representantes do “resgate do samba de raiz” -, como também soa como um Alexandre Pires mais rústico. Não perca seu tempo.

 

STRATUS LUNA

6 – Estúdio Bixiga – São Paulo

Ainda não assisti ao show desse jovem quarteto, mas a julgar pelas composições de seu espetacular álbum de estreia, não tenho a menor dúvida de que o som fortemente influenciado pelo jazz rock e pela vertente mais psicodélica do rock progressivo dos anos 70 vai ser esplendorosamente bem tocado em cima do palco. Também tenho certeza de que você vai sair da apresentação de queixo caído e com o disco embaixo do braço. Não perca!

 

FELLINI

6 – SESC Pompéia – São Paulo

Oriundo da cena pós-punk paulistana dos anos 80, a banda de tempos em tempos reativa sua formação para shows esporádicos, nos quais toca seus álbuns na íntegra. Só que agora é a vez de mostrar um novo álbum com canções inéditas, A Melhor Coisa que Eu Fiz, que ilustra mais uma vez a união entre o rock e o samba que o grupo sempre exercitou. Vale como curiosidade…

 

MARILIA MENDONÇA

6 e 7 – Espaço das Américas – São Paulo

De tempos em tempos nossos sentidos são assaltados por porcarias musicais que parecem ter sido criadas por alguns produtores tão sádicos quanto oportunistas. Veja o caso desta moça cuja voz esganiçada é um dos troços mais pavorosos a surgir na música brasileira em muitas décadas, sempre a serviço de canções tão cretinas que chega a provocar dores insuportáveis nos ouvidos. Não é à toa que um de seus hits tem como título “Hoje Eu Tô Terrível”. Não é só ‘hoje’ não, minha filha…

 

NEY MATOGROSSO

6 e 7 – Unimed Hall – São Paulo

Ele apresenta mais uma vez o espetáculo Bloco na Rua, no qual mostra um repertório que fica meio longe de seus tradicionais hits, já que inclui versões de canções alheias, aliado a arranjos quase brilhantes. É ainda um show com uma abordagem mais pop, em que Ney resgata “Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua”, clássico de Sergio Sampaio, “O Beco”, dos Paralamas do Sucesso e “Mulher Barriguda”, dos Secos & Molhados. É obrigatório para quem gosta de música como arte. Pena que tenha gente que não entenda isso e fique gritando “te amo”, “gostoso” e outras babaquices nos intervalos entre as canções e até mesmo durante as mesmas, o que é um porre…

 

MPB 4

6 a 8 – SESC 24 de Maio – São Paulo

Um dos importantes grupos vocais da história da música brasileira está de volta e esbanjando categoria. Ainda afinadíssimos, o grupo mostra grandes composições do passado e alguns clássicos da MPB. Tudo bem, o repertório é meio datado, mas ver quatro senhores de idade dando verdadeiras aulas de canto deveria ser uma lição obrigatória para esta molecada indie dos dias de hoje, que parece ter uma cacatua morta no lugar das amígdalas.

 

MARGARETH MENEZES

6 a 8 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Boa cantora ela sempre foi. Injustiçada na carreira? Também. Por isto, aqui está uma boa oportunidade para você sacar o quanto ela tem a oferecer agora, quando mostra o resultado de seu mais recente disco, Autêntica, ao lado de outras canções de sua errática carreira. Longe da batucada infernal da axé music, Margareth trata tudo com carinho intimista. Arrisque!

 

AMON AMARTH

6 Mister Rock – Belo Horizonte

7 Tropical Butantã – São Paulo

8 Circo Voador – Rio de Janeiro

Poucos grupos fazem um som tão poderoso nos dias atuais quanto esses suecos. Mesmo centrando seu discurso no velho clichê “viking senhor dos anéis” do estilo, a banda faz isto com uma qualidade inquestionável em seus álbuns e apresentações. Como atração de abertura, vão rolar shows do grupo alemão Powerwolf, que também é bem interessante. Vale a pena ir!

 

ART POPULAR

7 – Carioca Club – São Paulo

Apesar de voltar a ser liderado por Leandro Lehart – um cara positivamente diferenciado dentro do universo rasteiro do pagode ‘mela calcinha’ – e contar com a sua formação original, o grupo não consegue mais produzir algo minimamente interessante em termos de composição, mesmo dando ênfase ao piano e acrescentando elementos pouco comuns ao estilo, como orquestra e coros, o que foi comprovado no DVD Breakdown Partido Alto. Torço muito para que nesses shows os caras mostrem uma sonoridade diferenciada e letras com um maior grau de poesia de alto nível.

 

VANESSA DA MATA

7 – Imperator – Rio de Janeiro

Taí um daqueles shows que deixam todo mundo com sorriso no rosto e com vontade de cantar as músicas. Esqueça bobagens como “Ai Ai Ai”. Há uma delicadeza brejeira na voz de Vanessa que funciona perfeitamente dentro de suas canções. Suas apresentações são sempre corretas, com banda afiada e direção segura. É uma boa pedida para quem quer impressionar a(o) parceira(o) recém-conquistada(o), principalmente porque neste show ela vai mostrar o resultado de seu mais recente trabalho, o EP Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina.

 

RAEL

7 – Blue Note – São Paulo

Um dos nomes mais interessantes da moderna cena do hip hop nacional, ele vai mostrar algumas de suas novas canções, incluídas no álbum Coisas do Meu Imaginário, e alguns sons mais antigos, todos colocados por sobre bases rítmicas bem sacadas. Vale a pena dar uma arriscada…

 

KRISIUN

7 – Jokers – Curitiba

A banda brasileira que mais shows faz no exterior tem como tradição sonora mandar uma paulada death metal que assusta até mesmo os já iniciados no estilo, embora seus mais recentes discos – como o extraordinário Forged in Fury (2015) e o mais recente, igualmente sensacional Scourge of the Enthroned, lançado em 2018 – tenham adquirido uma cadência menos veloz, mas extremamente poderosa. É showzaço que você não deve perder e não recomendado para quem acredita que música é instrumento da paz e da alegria campestre. O Choke vai fazer o show de abertura…

 

TUFF

7 – Manifesto – São Paulo

O que leva alguém a trazer mais uma vez ao Brasil, em pleno ano de 2020, uma das bandas mais ridículas da outrora patética “cena glam rock” de Los Angeles é um mistério que poucos ousam – ou têm paciência e tempo livre – para decifrar. E ainda mais porque o único integrante do grupo mesmo é o vocalista Stevie Rachelle, que será devidamente acompanhado por músicos brasileiros! Com músicas constrangedoras de tão ruins, é daqueles shows que só agradará a quem tem miolo mole e ainda se veste como um “poser” desfilando pelas “Sunsets Boulevards da vida” vai curtir esta papagaiada. Inacreditável…

 

LENO & SOCIEDADE KAVERNISTA

7 – SESC Belenzinho – São Paulo

Essa será uma raríssima oportunidade de presenciar o cantor Leno – ex-integrante da dupla com a cantora Lílian que tanto sucesso fez na Jovem Guarda e que depois enveredou por uma ótima carreira solo – mostrando as canções de um álbum lendário: Vida e Obra de Johnny McCartney, proibido pela Censura durante a década de 70 e que recentemente recebeu uma linda versão em vinil. Junto com o grupo Sociedade Kavernista, ele vai revisitar as ótimas canções do disco e fazer uma apresentação que tem tudo para ser inesquecível. Eu mesmo não perderei isso por nada nesse mundo!

 

SKANK

7 – Teatro Castro Alves – Salvador

Canções bacanas, instrumentistas competentes, astral animado e simpatia espontânea. São exatamente estas características que sempre estão presentes em qualquer show do grupo mineiro, que agora se propõe a montar um repertório unicamente centrado em seus três primeiros álbuns: Skank (1993), Calango (1994) e Samba Poconé (1996). É inegável que você vai passar o tempo com um sorriso estampado no rosto. Vá e divirta-se antes que a banda em cerre as suas atividades, algo prometido para muito breve!

 

PAULO RICARDO

7 – Teatro Positivo – Curitiba

Não adianta. O cara tenta, tenta, tenta, diz que finalmente gravou um álbum de rock como sempre sonhou, que seus shows agora serão mais intensos, aquele bla bla blá todo… Aí na hora de ouvir e assistir, é aquela sensação de constrangimento, de “vergonha alheia” em grau “master”. Será que não existe uma alma caridosa no mundo que chegue nesse rapaz e diga “filho, tá tudo errado, comece de novo e ouça os conselhos de gente sincera, por favor…”

 

OSWALDO MONTENEGRO

7 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Já vi muitos músicos ruins na vida. Ruins, muito ruins. Mas talvez seja pior ver um artista chato, que faz canções chatas, com letras chatas, que prega um discurso chato e faz arranjos chatos. Músicos ruins podem ser engraçados, mas o artista chato é apenas… chato. Ninguém personifica isso como Oswaldo Montenegro. Não importa que ele esteja estreando um novo show, batizado como Serenata. Ele sempre é capaz de fazer adormecer uma manada de rinocerontes enfurecidos, de fazer gente dormir plantando bananeiras nas cadeiras dos teatros. Deus, como isto é chato…

 

GRLS!
7 e 8 – Memorial da América latina – São Paulo

Além de palestras referentes ao Dia Internacional da Mulher, o evento vai ter uma programação de shows eminentemente feminina, com destaque para a apresentação da cantora australiana Kylie Minogue, que você conhece obviamente por causa da música “Can’t Get You Out of My Head”, um daqueles exemplos de canção pop perfeita. Além dela, vão rolar apresentações de Iza, Gaby Amarantos, Linn da Quebrada e Little Mix. Se essa for a sua “praia”, mergulhe fundo…

 

SEU JORGE & DANIEL JOBIM

7 e 8 – Teatro do Bourbon Country – Porto Alegre

Ao tomar conhecimento desse show, com repertório formado apenas por composições de Tom Jobim, só consegui imaginar a alma dele rodopiando nas Paragens Celestiais como aquele personagem que ocasionalmente aparecia nos desenhos do Pernalonga, o Diabo da Tasmânia. Para bom entendedor, meia palavra basta…

 

SHAMAN

8 – Bolshoi Pub – Goiânia

A inesperada reunião do quarteto com ¾ de sua formação original – com o excepcional vocalista Alírio Neto, do Queen Extravaganza, substituindo o falecido André Matos – vem sendo devidamente aguardada pelos fãs. E só por eles, evidentemente. Como essa nova formação vai se sair ainda é uma incógnita, mas a inclusão de canções dos álbuns Ritual (2002) e Reason (2005) devem propiciar sensação de orgasmo na plateia mais entusiasmada. Então tá…

 

ZEZÉ MOTTA

8 – Imperator – Rio de Janeiro

Como ela continua uma boa cantora, é bem provável que você assista a uma apresentação honesta e competente na homenagem que ela faz a Elizeth Cardoso. Arrisque!

 

ELZA SOARES

8 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Assistir a uma apresentação desta outrora grande cantora é testemunhar o quão bizarro pode ser o show business brasileiro. Até concordo que a voz dela é inconfundível. Só que a esta altura do campeonato, isto não significa algo agradável. Pelo contrário. Elza continua exagerando absurdamente em suas cantorias, desafinando horrores e, para piorar, ela vai mostrar algumas canções de seu mais recente álbum, o horrível Planeta Fome. Vergonha alheia em grau master, principalmente por sempre haver bobalhões “baba ovos” na platéia. Fuja disso!

 

MARTIN BARRE

8 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Juntamente com outro integrante de uma das clássicas formações do Jethro Tull – o baterista Barriemore Barlow -, o guitarrista montou uma espécie de “dissidência” da banda inquestionavelmente liderada pelo vocalista/flautista Ian Anderson. O grupo de apoio traz dois convidados especiais: os tecladistas Adam Wakeman (filho do lendário Rick Wakeman) e Dee Palmer, ex-integrante de uma das formações bem lembradas pelos fãs quando atendia pelo nome de “David” (sim, rolou uma operação de mudança de sexo). Indicado apenas para os mais fanáticos…

 

WANDER WILDNER

12 – Opinião – Porto Alegre

Até hoje não consigo entender porque uma dúzia de gatos pingados idolatra este cara como se fosse um “segundo Messias”. O gaúcho ex-vocalista dos Replicantes tem uma carreira solo horrorosa, canta mal pra cacete, se julga um “punk brega” e vai tocar neste show várias músicas de seu mais recente trabalho, Canções Iluminadas de Amor, que tem lá seus bons momentos, mas insuficientes para apagar a má impressão. A ocasião será aproveitada para uma gravação ao vivo de um futuro disco. Vá por sua conta e risco.