FÁBIO JR.

7 – Espaço das Américas – São Paulo

Não adianta anunciar a estreia de um “novo show”. Da mesma forma como acontece com Roberto Carlos, Fábio Jr. também vem há muito tempo apresentando um show bastante burocrático. Mas ao contrário do “Rei”, o pai do tal de Fiuk é um roqueiro enrustido e sacana, que sabe que um pouco de espontaneidade é caminho certo para cativar ainda mais as suas fãs, que nunca cessam de gritar em suas apresentações. De uma coisa você pode ter certeza: a banda de apoio do cantor é sempre um time de primeira grandeza em termos instrumentais. Já as músicas…

 

GILBERTO GIL

7 – concha acústica do Teatro Castro Alves – Salvador

Quando resolve fazer o som que realmente gosta, tocando músicas bacanas independentemente do formato que apresente, Gil tem a manha de ainda fazer um show bastante interessante. No caso aqui, ele vai mostrar algumas das canções de seu bom e mais recente disco, OK OK OK, lançado há alguns meses, e obviamente não faltarão ótimas músicas do passado. Torça apenas para que ele esteja com a voz em dia, sem estar propenso a afinações indesejadas…

 

HUMBERTO GESSINGER

7 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Não se engane: os shows da carreira solo do líder do extinto Engenheiros do Hawaii são exatamente uma extensão da carreira de sua ex-banda. A diferença é que ele não se cerca mais de músicos medíocres. As canções são as mesmas de sempre e mais algumas de seu mais recente disco, o fraco Não vejo a Hora, lançado no ano passado. Os shows servem apenas para quem já é “convertido” e é desaconselhado para quem nunca suportou as letras “qualquer nota” do cara.

 

LINIKER & OS CARAMELLOWS

7 – Fundição Progresso – Rio de Janeiro

Um dos principais nomes da “lacration music” dos últimos tempos, ele e sua banda padecem do mesmo problema de seus colegas de ‘estilo’: canções fraquíssimas são apenas pretextos para um posicionamento mais contundente perante uma sociedade cada vez mais reacionária e conservadora. E quando a música é ruim, o discurso perde muito da força…

 

CHIMARRUTS

7 – SESC Belenzinho – São Paulo

Minha Nossa Senhora!!! Deus me livre!!! Saravá, pé-de-pato, mangalô três vezes!!! Credo!!! Deus, tenha piedade de nós!!!

 

PAULO RICARDO

7 – Teatro Positivo – Curitiba

Não adianta. O cara tenta, tenta, tenta, diz que finalmente gravou um álbum de rock como sempre sonhou, que seus shows agora serão mais intensos, aquele bla bla blá todo… Aí na hora de ouvir e assistir, é aquela sensação de constrangimento, de “vergonha alheia” em grau “master”. Será que não existe uma alma caridosa no mundo que chegue nesse rapaz e diga “filho, tá tudo errado, comece de novo e ouça os conselhos de gente sincera, por favor…”

 

LABIRINTO

8 Dissenso Lounge – São Paulo

Desconcertante. Este é o termo exato que define com exatidão o estado das pessoas que tomam contato pela primeira vez com o som deste grupo. A atmosfera musical elaborada por esta turma, cheia de efeitos etéreos e por vezes amedrontadores, sugere uma paisagem sonora que pode ser a trilha sonora de um filme, de um passeio pela encosta de um vulcão prestes a entrar em erupção ou do próprio fim do mundo. .A ótima banda dá início a uma série de shows sempre com uma atração convidada – no caso, o grupo Manger Cadavre?, do Vale do Paraíba (SP), influenciado por uma mistura de hardcore e crust. O Labirinto vai tocar na íntegra seu mais recente e ótimo álbum, Divino Afflante Spiritu, lançado no início do ano passado. De uma coisa você pode ter certeza: quem assiste ao show do grupo sai diferente do local…

 

JOÃO BOSCO

8 – Blue Note – São Paulo

Ao ultrapassar quatro décadas de carreira e lançar mais um disco com novas canções, Mano que Zuera, um dos maiores violonistas do planeta – não, não estou brincando, é sério – também vai dar uma repassada em seu imenso repertório de maneira técnica e brilhante. Preste atenção ao domínio que ele tem do instrumento, algo próximo do assombroso.

 

MONOBLOCO

8 – Audio – São Paulo

É um dos troços mais sem personalidade do momento. A mistura de Carnaval, escola de samba, mangue beat, rock, chorinho, pagode, música brega… é feita apenas para impressionar playboys e patricinhas metidas a “descoladas”. É uma “micareta para gente bronzeada com Tang de tangerina e com sorriso de plástico”. Apesar de bem tocado, o som o Monobloco é a extensão dessa onda “o novo samba da Lapa” que o Rio de Janeiro vem tentando levar a outros Estados, ou seja, um troço chato pra cacete, que serve apenas para dar uma aura de intelectualidade a algo que mais se assemelha a uma micareta com pose de grã-fina. Evidentemente, é o show ideal para playboys e pseudogaranhões pegarem umas “periguetes patricinhas”. E ainda por cima batizaram esse show como “Arraiá”, ou seja, você já sabe o que esperar…

 

TURMA DO PAGODE

8 – Carioca Club – São Paulo

Quem se importa com mais um dos 3.769 grupos de “pagode chifrudo” que existem por aí? Quem se importa com um grupo que só sabe cantar “lelelê”, “laialaiá” e mais um monte de letras ginasianas a respeito de dor do corno? Eu não. E você?

 

ZÉ RAMALHO

8 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Se existe um artista brasileiro com um repertório acima de qualquer suspeita na hora de montar um show, este é Zé Ramalho. Principalmente porque ele não é daqueles que deita nos louros do passado e está sempre compondo novas e instigantes canções. Pode apostar que o show será bem legal, com toneladas de hits e qualidade sonora impecável.

 

ADRIANA CALCANHOTTO

8 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Seu novo show reúne um repertório formado por canções pinçadas de seus álbuns que, de certa forma, podem ser chamados de “trilogia marinha”: Maritmo (1998), Maré (2008) e o mais recente, Margem, lançado há pouco tempo. Uma coisa é certa: se tiver mais solta no palco e menos preocupada com sua performance, a cantora pode proporcionar uma experiência bem interessante para a plateia.

 

BETO GUEDES, 14 BIS e MARCUS VIANNA

8 – Km de Vantagens Hall – Belo Horizonte

Três shows distintos em uma mesma noite? É quase um minifestival com uma vibe mineira indiscutível. Se você for fã dessa turma, arrisque, mas espere por apresentações memoráveis…

 

MAWACA

8 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Se você não é do tipo preguiçoso em termos musicais, sugiro que aproveite esses shows para tomar contato com um grupo bastante instigante, que faz interessantes pesquisas a respeito de sons de outras culturas. As cantoras mostram sempre um repertório belo e estranhíssimo ao mesmo tempo. É daquelas experiências desconcertantes e necessárias para a gente abrir as nossas cabeças musicais.

 

HURTMOLD

8 – SESC Belenzinho – São Paulo

A banda paulista até que faz músicas razoavelmente interessantes, mas peca justamente na hora de mostrá-las em cima do palco. A postura “ensaio aberto” dos integrantes da banda, além da total falta de carisma dos mesmos, acaba minimizando o impacto de algumas canções, principalmente as inéditas que a banda promete mostrar neste show. Tome uns bons bules de café para não cair no sono…

 

ROUPA NOVA

8 e 9 – Espaço das Américas – São Paulo

É aquela velha história: os caras são músicos extraordinários, com total domínio de seus instrumentos, mas ficaram presos a um mercado que não aceita nada que contenha um mínimo de criatividade musical. Resignada, a banda então vem se rendendo há anos em tocar coisas abomináveis como “Dona” e “Whisky a Go Go”, feitas especialmente para agradar a um público muito pouco exigente. Infelizmente, o Roupa Nova é a prova que todo país tem o Toto que merece…

 

DAVE BICKLER

8 – Bolshoi Pub – Goiânia

9 – Manifesto Bar – São Paulo

Anunciar que o ex-vocalista do Survivor – sim, é dele a voz na conhecidíssima “Eye of the Tiger” – estará no Brasil “cantando seus clássicos” é a típica mistura de piada/fake news que tanto prolifera por aí. É óbvio que todo seu repertório será centrado nas canções que gravou com o grupo em seus quatro primeiros álbuns – que não são ruins, diga-se de passagem – e ali não há clássico algum a não ser a canção que citei. Portanto, vá mais pela curiosidade e não por conta de anúncios fantasiosos…

 

SHAMAN

9 – Audio – São Paulo
A inesperada reunião do quarteto com ¾ de sua formação original – com  o excepcional vocalista Alírio Neto, do Queen Extravaganza, substituindo o falecido André Matos – vem sendo devidamente aguardada pelos fãs. E só por eles, evidentemente. Como essa nova formação vai se sair ainda é uma incógnita, mas a inclusão de canções dos álbuns Ritual (2002) e Reason (2005) devem propiciar sensação de orgasmo na plateia mais entusiasmada. Então tá…

 

MUNDO LIVRE S/A

9 – SESC Vila Mariana – São Paulo

Há mais de três décadas este grupo pernambucano tenta, tenta e não consegue cativar mais do que meia dúzia de fãs com pouco discernimento musical. Talvez as chatíssimas canções, aliadas aos vocais desafinadíssimos do líder Fred 04, tenham a ver com isto. Isto sem contar o total desequilíbrio entre o excesso de pretensão e as condições de transformar isto em boas músicas. É um sonzinho fuleiro, mas no pior sentido do termo, que não melhorou em nada com o lançamento recente de mais um fraco álbum, A Dança dos Não Famosos. Vá por sua conta e risco…

 

ZECA PAGODINHO

9 – concha acústica do Teatro Castro Alves – Salvador

Podem falar o que quiserem, mas quando o assunto é “samba de verdade”, ninguém tem a autoridade de Zeca Pagodinho na atualidade. O cara é carismático, sabe botar aquela voz bêbada com perfeição dentro das ótimas composições que permeiam seu repertório, tem sempre uma banda de apoio consistente ao seu lado… E os shows são sempre divertidos justamente pela espontaneidade. Vá na boa…

 

AMARO FREITAS

11  –  Teatro Castro Alves – Salvador

O trabalho deste pianista pernambucano é uma das mais surpreendentes revelações dos últimos tempos. Em seus dois álbuns, Sangue Negro (2016) e Rasif, lançado no ano passado, ele criou um amálgama sonoro que uniu o jazz a ritmos tradicionalmente nordestinos de uma maneira exuberante. Não tenho dúvida de que ele vai reproduzir no palco a excelência de suas composições de seus discos. Resumindo: não perca essa apresentação de maneira alguma!

 

LACUNA COIL

11 – Opinião – Porto Alegre

12 – Tork n’ Roll – Curitiba

Tenho a mais absoluta certeza de que se o Roxette fosse uma banda de metal com leves tintas góticas, o resultado seria muito próximo do som deste grupo italiano. Nenhuma das canções são muito agressivas, a junção da voz feminina da gostosíssima Cristina Scabbia com as vocalizações masculinas e sem carisma de Andrea Ferro forma um dueto desprovido de intensidade e o som resultante é aquele troço que agrada a headbangers sensíveis e mocinhas pseudogóticas. É o show perfeito para embalar e criar romances na plateia…

 

LUPA SANTIAGO

13 – JazzB – São Paulo

Excelente guitarrista, ele faz uma interessante ponte unindo o jazz  e a MPB instrumental e é exatamente isto que ele costuma apresentar com maestria em seus shows. A “cancha” que adquiriu por ter tocado muito no exterior e ao lado de grandes nomes como Dave Liebman e até mesmo Hermeto Pascoal dão o devido gabarito à sua performance, sempre ao lado de um grande grupo de apoio. Pode ir sem susto…

 

AZYMUTH

13 – SESC 24 de Maio – São Paulo

Uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos, com sólida carreira internacional e tudo, o trio volta aos palcos desfalcado de um de seus mais emblemáticos integrantes – o falecido tecladista Jose Roberto Bertrami, agora substituído por Kiko Continentino -, mas deve deixar de mostrar a excelência de sua mistura sensacional de samba, soul, funk e jazz. Outro espetáculo imperdível!