Que bom poder voltar a escrever aqui. Calma, eu explico a minha ausência nas últimas duas semanas…

Nada demais. Apenas excesso de trabalho em diversas áreas de atuação, como sempre tem sido a minha vida até hoje. Da mesma forma como aconteceu com muita gente, tive que me adaptar para continuar fornecer conteúdo para as mais diversas áreas – internet, rádio, consultorias – e com um timing bem diferente no meio dessa pandemia toda. Só que não é a respeito disso que vou escrever hoje…

Hoje vou dar uma dica preciosa: um disco que estava meio que escondido em minha coleção e que resolvi reouvir ontem, em pleno domingo. Trata-se do primeiro álbum solo do primeiro vocalista da lendária banda Made in Brazil, Cornélius “Lúcifer”.

Ele foi uma das estrelas que brilharam naquele que é um dos mais incríveis discos de rock nacional de todos os tempos: Made in Brazil (1974), também conhecido como o “disco da banana” – e não era o álbum do Velvet Underground. Não lembro exatamente o número exato das milhares de ocasiões em que ouvi esse disco, mas sei que foi a primeira vez que ouvi uma banda brasileira fazendo um negócio tão legal quanto o rock and roll que se fazia lá fora.

 

 

 

Cornélius tinha uma voz sensacional, que resvalava perigosamente no termo “irritantemente rouco”, o que aguçava ainda mais a curiosidade da minha geração roqueira. Lembro que sua saída do grupo não foi tão surpreendente quanto o inacreditável disco solo que gravou na sequência, Santa Fé (1976), em que renegava na capa o seu passado roqueiro e mergulhava em um funk/soul que demorei anos para aceitar e entender. Só que quando o disco “bateu” em mim, se tornou um de meus favoritos em todos os tempos dentro do cenário musical brasileiro. Saca só como era o som de cara:

 

 

Tirando bissextas participações ao lado da formação do Made in Brazil que vigorava na época, nunca mais se ouviu falar dele ou de qualquer trabalho musical que tenha feito. Até que ele veio a falecer em 2013, pouco lembrado e injustamente sem ter recebido em vida a fama que merecia como cantor e carismático rockstar por parte das novas gerações de roqueiros.

Se você curtiu o som do Santa Fé – que virou um dos LPs mais raros do mercado de vinis -, coloco abaixo o link para o disco na íntegra. Boa audição!