GRAMMY 2019? Nem perco tempo com essa merda

Prometi a mim mesmo que jamais voltaria a comentar qualquer premiação do Grammy. Com o passar dos anos, cheguei à conclusão que não vale mais a pena escrever as mesmas coisas de sempre: que esse tipo de espetáculo pouco engraçado e deprimente é um retrato fiel de uma indústria musical que ainda insiste em arrastar correntes por aí, tal qual uma alma penada em busca de algum tipo de redenção. “Tinha prometido”, porque hoje volto a abordar o assunto por conta da quantidade de gente que entrou em contato comigo por e-mail e, principalmente, pelas redes sociais, pedindo para que eu escrevesse algo a respeito do que aconteceu ontem.

Não vou aqui detalhar nada porque simplesmente passei batido. Ignorei solenemente a transmissão, pois não tenho mais saco para aguentar três horas e meia de um desfile de momentos constrangedores e de baixíssimo nível musical/artístico como um todo. Para piorar, o clima de “marmelada” reinante afasta qualquer possibilidade de se assistir a esse troço com algum tipo de prazer ou surpresa. Os “prêmios”, na verdade, servem muito para que as indústrias premiem a si mesmas, há uma questão mercadológica envolvida nessa patuscada. Ignorar isso é acreditar que Lula é um sujeito inocente e que o Bolsonaro é um estadista, coisa de gente com muitos parafusos a menos. Para tornar a experiência de assistir a esse troço ainda mais desagradável, de uns tempos para cá a cerimônia mais parece um episódio ruim do American Idol, com apresentações solo e em duetos elaboradas com a perspicácia de um operador de periscópio de submarino.

Basta dar uma olhada na lista dos ‘indicados’ – uma falcatrua que ninguém consegue desmascarar porque mídia e indústria musical são totalmente cúmplices – para perceber que de onde você menos espera e quem não sai nada mesmo. Quando uma moça insossa como uma tal de Dua Lipa ganha prêmios de “Revelação” e “Melhor Gravação Dance”, cheguei à conclusão que revelação mesmo é algum empresário/produtor tentar emplacar esse troço sem temer uma possível condenação a quinze anos de cadeia por estelionato musical. Aberração ainda maior é uma tal de Kacey Musgraves ganhar como “Melhor Álbum” e “Melhor Disco de Country” pelo pavoroso Golden Hour, que soa tão ‘country’ quanto um texugo com alfinetes nos olhos. E os prêmios de “Melhor Álbum Pop” para o ridículo Sweetener, de Ariana Grande, e de “Melhor Álbum de Rock” para a coletânea de plágios do Led Zeppelin From the Fires, dos moleques do Greta Van Fleet, parece coisa de “pegadinha do Mallandro!” Ahá!!!

Obviamente, nem precisei ter assistido as apresentações na íntegra de gente sem um pingo de talento como Camila Cabello, Post Malone, Shawn Mendes, Cardi B e outros menos conhecidos para sentir um alívio por ter economizado algumas horas de minha vida. Enquanto Camila é uma menina cuja voz dá o mesmo prazer que beber um uísque bem vagabundo com uma sardinha em estado de decomposição dentro do copo, o tal de Malone cantou ao lado do Red Hot Chili Peppers como se tivesse os pulmões entupidos por espuma de barbear. Assisti a uns trechos do tributo a Dolly Parton e tive a impressão de que tudo soou como uma sucessão de temas de desenho animado para crianças com problemas de musgo dentro das orelhas:

 

Para se ter uma ideia do como essa presepada vem se tornando mais ridícula a cada ano, o grande vencedor dessa edição, o rapper Childish Gambino – levou quatro estatuetas, inclusive como “Melhor Canção” e “Melhor Gravação”, por conta da boa “This is America” -, sequer deu as caras por lá, enquanto que o Drake teve seu discurso de agradecimento por ter ganho como “Melhor Rap” cortado na metade quando começou a falar a verdade e diminuir a importância do prêmio. E vamos combinar que botar Jennifer Lopez para fazer tributo aos tempos da Motown é o mesmo que escalar a Bruna Marquezine para comandar cerimônia de teatro em homenagem a Molière.

Se você teve a manha de assistir ao evento até o final e conseguiu de divertir com o que assistiu, tenho que tirar o chapéu: você é um idiota.

2019-02-11T22:55:47+00:00

13 Comments

  1. Rodolfo 11 de fevereiro de 2019 at 15:12 - Reply

    Finalmente estou lendo uma opinião coerente, não uma rabiscada de algum jornalista medíocre “opina” nos demais portais de comunicação.

    Grande abraço Régis

  2. Leandro 11 de fevereiro de 2019 at 15:40 - Reply

    Anos que nem perco o meu precioso tempo assistindo essa papagaiada chamada Grammy.

  3. Marcos Tavares 11 de fevereiro de 2019 at 15:49 - Reply

    ”Esse tipo de espetáculo pouco engraçado e deprimente é um retrato fiel de uma indústria musical que ainda insiste em arrastar correntes por aí”……Concordo !!!! Penso a mesma coisa sobre os programas de sábado à tarde na TV aberta .

  4. Marcos Tavares 11 de fevereiro de 2019 at 15:54 - Reply

    ” De uns tempos para cá a cerimônia mais parece um episódio ruim do American Idol” …..Essa frase cabe bem para o programa Raul Gil…..Régis, você acertou em cheio nesse texto….Acho que o povo que assiste o Grammy é o mesmo tipo acéfalo que se deleita com Faustão, Big Brother, Raul Gil, etc……….

  5. Fábio Fernandes 11 de fevereiro de 2019 at 16:44 - Reply

    “Texugo com alfinetes nos olhos”, HAAHAHAHHAHAHAHBAAHHAHAHA. Essa foi a melhor de todos os tempos, Regis! Quanto à essa porcaria de Grammy, ao mesmo tempo que há pessoas como você com discernimento para ignorar essa patacoada, deve haver centenas de milhares de acéfalos dando gritos histéricos com as premiações.

  6. Sandro Rafael da Silva 11 de fevereiro de 2019 at 19:56 - Reply

    Grammy e Oscar são presepadas para panacas babarem. Falou e disse, Régis.

  7. Lucas França 11 de fevereiro de 2019 at 22:08 - Reply

    Regis vc repetiu a parte “crianças com problemas de musgo dentro das orelhas” 2 vezes no seu texto. De resto, mais um texto excelente.

    • Regis Tadeu 11 de fevereiro de 2019 at 22:56 - Reply

      Opa! “Bug” corrigido. Obrigado pelo toque!

  8. Ana 12 de fevereiro de 2019 at 04:38 - Reply

    vc sempre menospreza as cantoras… sim eu tbm não gosto de Ariana Grande, Camila Cabello etc… mas creio q vc pega mais pesado com elas do q com os caras. Talvez seja isca pra irritas os fãs q sao chatos pra cacete. Mas é visível o seu ódio. Lembro do q vc falou da Amy Winehouse quando ela morreu, a diferença de como falou por exemplo, do Kurt Kobain… E nem adianta me chamar de feminazista ou sei la o q, pois nenhum machista admite que é um. Pelo contrário, tem orgulhos de ser. As vezes eu entendo as divas pop exaltarem tanto seu público gay, já q os homens héteros sempre as desprezam.

    Agora, certeza q ele vai vim apontar erros de português zzzz…

    • Regis Tadeu 12 de fevereiro de 2019 at 10:05 - Reply

      Deus do céu, quanta merda você escreveu…

  9. Ivan Souza de Abreu 12 de fevereiro de 2019 at 11:38 - Reply

    Assino em baixo as palavras colocadas nesse texto. O Grammy hoje nada mais é que uma festa de firma de uma indústria falida. E achei interessante você ter considerado “This Is America” uma boa canção, mesmo com toda a jogada de marketing do Donald Glover para promovê-la (algo que vi o senhor comentando no Twitter, inclusive). Por curiosidade, o que você acha te chamou mais atenção nela? No mais, continue com o trabalho de grande qualidade, Régis. Abraço.

    • Regis Tadeu 12 de fevereiro de 2019 at 14:29 - Reply

      Obrigado pelo elogio, Ivan. A canção em si é boa e o clipe fez o alvoroço pretendido e necessário.

  10. Murilo 15 de fevereiro de 2019 at 13:07 - Reply

    Eu assisto! Realmente o Grammy tem várias falhas principalmente no que diz respeito a entrega de prêmios… O álbum do ano merecia ter sido para “Dirty Computer”, por exemplo e Revelação para H.E.R… ainda assim a premiação ainda rende coisas bacanas… Teve Alicia Keys mostrando seu talento em 2 pianos, três cantoras FODAS homenageado Aretha Franklin, performance de Diana Ross,uma performance linda e emocionante da Brandi Charlili com “The Joke”, a apresentação da Janelle Monae foi muito boa… Ah Regis para de ser tão mal humorado rs

Deixe um Comentário