Mesmo nome, bandas diferentes

Semana passada, em uma reunião na casa de um casal de amigos, um dos convidados presentes demonstrou seu total desagrado em relação ao som do Nirvana com uma série de palavrões em alto e bom som, quase aos gritos. Para deixá-lo ainda mais irritado, perguntei a ele a qual dos “Nirvanas” ele se referia, já esperando uma nova avalanche de impropérios que seria recebida com sonoras gargalhadas por todos ali sentados. Qual não foi o meu espanto quando ninguém ali entendeu a minha pergunta. “Como assim, qual Nirvana?”, todos perguntaram em quase uníssono. Foi então que saquei que, não apenas meus amigos, mas muita gente provavelmente desconhece que houve um “outro Nirvana”. E isso me deu a ideia do texto que você lê neste exato momento.

Caso você não saiba, existem inúmeros casos de bandas diferentes que empregaram o mesmo nome ao longo da história do rock. É claro que alguns deles estão separados por décadas uns dos outros em termos de existência, o que não invalida a argumentação de que talvez o oportunismo tenha prevalecido frente ao desconhecimento.

Separei aqui alguns casos bastante curiosos para mostrar. Hoje, vou colocar aqui os dois mais intrigantes e, ao longo das próximas semanas, trarei mais exemplos desses “homônimos”…

NIRVANA

Pois é, vou começar com aquele que deu origem ao papo daquela reunião com os amigos. É óbvio que todo mundo conhece a banda do falecido Kurt Cobain e que deu ao mundo um rockstar de primeira grandeza chamado Dave Grohl. Só que antes existiu um outro Nirvana, inglês, formado em 1965 por dois vocalistas/compositores: o irlandês Patrick Campbell-Lyons e o grego Alex Spyropoulos. Junto com uma série de músicos de estúdio especialmente contratados para as gravações, a dupla soltou uma série de discos em que predominou a psicodelia britânica da época. Inclusive, eles foram os primeiros a lançar um LP “conceitual”, o álbum de estreia The Story of Simon Simopath, em 1967, anos antes que o The Who aparecesse com Tommy e os Kinks com seu Arthur or the Decline and Fall of the British Empire.

Depois de se separarem no início dos anos 70 e voltarem à ativa na década seguinte, a dupla entrou com um processo contra Cobain e seus amigos quando o homônimo de Seattle estourou mundialmente. Reza a lenda que Campbell-Lyons e Spyropoulos aceitaram um acordo extrajudicial que lhes rendeu uma bela grana. Saca só como era o maravilhoso som dos caras:

 

 

 

 

IRON MAIDEN

Sim, eu sei que é difícil acreditar, mas existiu um Iron Maiden muito antes de o baixista Steve Harris montar o seu próprio e famosíssimo grupo. Pouca coisa se sabe a respeito desta banda formada em Basildon, na Inglaterra, em 1964, que começou meio folk e foi tornando seu som cada vez mais barulhento, se transformando no final dos anos 60 em um grupo de hard blues progressivo. Dê uma ouvida no som que eles faziam:

 

Assim como os casos acima, a lista de “coincidências” é enorme e vai virar uma série divertida por aqui. Aguardem os próximos capítulos!

2018-11-26T11:25:49+00:00

7 Comments

  1. alex 26 de novembro de 2018 at 13:07 - Reply

    Outro dia fuçando no Youtube encontrei esse Iron Maiden por acaso e não entendi nada na hora. Pensei até que fosse algum bootleg obscuro deles. Pesquisei na internet e fora uma ou outra citação, não há mesmo muita informação disponível.

  2. Djalma lucio alves 26 de novembro de 2018 at 14:00 - Reply

    Só conheço, sobre o iron e o skid row!!

    • Regis Tadeu 26 de novembro de 2018 at 22:35 - Reply

      Vou citar os “Skid Rows” em uma próxima edição…

  3. Alexandre Vigas 26 de novembro de 2018 at 14:53 - Reply

    Comprei às cegas em meados dos 90 o Local Anaesthetic do “Nirvana UK”, selo Repertoire, num balcão de promocionais, coisa incrivel! Apenas duas faixas, divididas em vários movimentos. O vendedor na época me contou que já tinha sido devolvido umas duas vezesvpor inconformados por não ser o Nirvana “US”…

    • Regis Tadeu 26 de novembro de 2018 at 22:35 - Reply

      Que barbada!

  4. Eduardo de Souza Lima 27 de novembro de 2018 at 09:12 - Reply

    Bom dia, Regis…

    O legal é ver a confusão que isso dá em tempos de spotify e afins… os gerenciadores destes sites/aplicativos parece q não estão a par dessa confusão.

    Outro dia busquei “Eric Johnson”, e percebi que aparecia um álbum na sua discografia que eu não conhecia… Como eu conheço bem a carreira do guitarrista do G3, pesquisei na internet e descobri que existe um outro guitarrista homônimo. Um desavisado ia escutar o cd amarradão, achando que tava escutando o próprio.

    • Regis Tadeu 27 de novembro de 2018 at 10:52 - Reply

      Serviços de “streaming” não sabem porra nenhuma…

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