Não deixe “High Hopes” passar despercebido na discografia de Bruce Springsteen

bruce high hopes

Bruce Springsteen sofre no Brasil uma maldição muito comum a artistas que souberam envelhecer bem em termos artísticos: é muito mais conhecido que seus próprios álbuns. Todo mundo elogia o cara sem sequer ter a menor ideia de como soam seus discos lançados posteriormente ao antológico Born in the USA, de 1984. Uma vergonha total.

Espero sinceramente que este texto consiga despertar a sua atenção para High Hopes, que vem acompanhado de um DVD excelente, no qual Bruce e sua sensacional banda tocam justamente o disco Born in the USA na íntegra, em um show gravado em Londres em 2013.

No álbum, Bruce revisitou não apenas canções de outros caras, mas também algumas músicas de seu próprio repertório, ao mesmo tempo em que deu suas impressões personalíssimas a pequenas pérolas como “Just Like Fire Would”, dos australianos do The Saints – uma das primeiras bandas punk do planeta – e “Dream Baby Dream”, do grupo Suicide. Ele também resgatou e revitalizou antigas composições de sua lavra, como as estupendas “American Skin (41 Shots)” e “The Ghost of Tom Joad”, ambas contando a guitarra sensacional de Tom Morello, do Rage Against the Machine.

 

 

 

 

Aliás, a presença do guitarrista em outras faixas contribuiu bastante para o tom sombrio e fascinante que reina no álbum, com letras ainda mantendo uma cortante e engajada abordagem social e política, outro laço a unir Bruce e Morello. São os casos de algumas canções que ficaram de fora de seus álbuns anteriores, como a valsa country “Hunter of Invisible Game”, a densa “Harry’s Place” – esta com uma vibe meio “Rock n’ Roll Fantasy”, do Bad Company – e no romantismo explícito presente na bela “Frankie Fell in Love”.

 

 

 

Não dá para ouvir “Down in the Hole” sem pensar nela como uma ‘prima-irmã’ da maravilhosa “I’m on Fire”, do mesmo Born in the USA, que por sua vez contrasta fortemente com a pegada folk irlandesa de “This is Your Sword” e, principalmente, com a celebratória faixa título, de Tim Scott McConnell, cuja levada rítmica percussiva me soou como algo próximo daquilo que a gente ouve em algumas canções da… Daniela Mercury! É serio. Ouça e diga se estou ficando maluco…

 

 

 

High Hopes não é um álbum esparso e costurado a esmo. Pelo contrário, ele prega a superioridade da poesia perante a mediocridade que reina atualmente. E Bruce faz isto melhor que ninguém…

5 respostas

  1. Nosso Boss nasceu predestinado a compor músicas boas. O cara simplesmente não erra. Incrível para quem o acompanha em sua vasta discografia como os álbuns são diferentes um do outro e como são igualmente brilhantes. Quando você pensa que ele está indo para o norte ele dá uma guinada para o sul com a mesma maestria. Não tenho vergonha em dizer que Bruce Springsteen é uma das últimas lendas ainda vivas e atuantes.

  2. Boa tarde Regis, vou procurar sim ouvir o álbum, acho o som do bruce extremamente honesto e o álbum que mais curto ainda é o “Human Touch”. Não consigo pular uma única canção desse disco. Grande texto mais uma vez.

  3. Começo o comentário com um mea culpa pois, do The Boss, o último álbum que tenho é o, na minha opinião, mediano Working on a Dream. Acho que por não ter curtido muito ele deixei de adquirir os álbuns posteriores. Vou ouvi-lo novamente pra ver me animo a adquirir os posteriores. No mais, o Boss é realmente uma unanimidade que precede sua produção musical.

  4. Comprei quando saiu, e ouvi e ainda ouço muito… que belo disco, profundo e muito bonito.

    Régis, uma pergunta: Já ouviu a banda Kadavar? Gostou? Grande abraço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress