O Brasil afunda cada vez mais na lama da ignorância

É estarrecedor percebermos a quantidade de cretinos a exibir seus ‘pontos de vista’ na internet. Infelizmente, as redes sociais se tornaram o paraíso de mentecaptos que disparam atrocidades – que eles mesmos chamam de ‘opiniões’ – sem qualquer tipo de filtragem, com a empáfia de quem se julga especialista. Pior ainda é perceber uma imensa manada de asnos dando ouvidos a esse tipo de gente.

Ninguém liga mais para boas notícias. Todo mundo quer ver sangue e ódio disseminados, só que longe de cada um, pois assim é mais fácil dar “likes” e demonstrar indignação de plástico, que é para ficar “bem com a galera”.

A votação de domingo passado foi um prato cheio – de merda, claro! – para os ‘especialistas de Facebook e Twitter’. A quantidade de asneiras que li nos últimos dias desse bando de desocupados mentais a respeito desse assunto deu a certeza de que em breve voltaremos a viver em arvores comendo carne crua e zurrando.

O mais inacreditável é verificar que há sim uma nova onda de moralismo tacanho e que a imensa maioria de quem pensa dessa forma é formada por… jovens! Duvida? Repare nos milhares de adolescentes que anseiam pela eleição de dois sujeitos completamente despreparados para conduzir o Brasil e você terá uma ideia do grande buraco onde nos metemos.

O que existe hoje é um nivelamento tão raso de ideias que não há uma única ocasião em que se verifique um debate de alto nível entre dois pontos de vistas diferentes. Todo mundo se posiciona contra ou a favor de qualquer coisa sem qualquer tipo de embasamento, sem qualquer tipo de justificativa plausível.

Para combater esse estado de coisas há muito pouco a fazer a não ser algumas ações pontuais que tratem de amenizar a exclusão de determinados grupos por conta do esmagamento das diferenças, já que não existe mais qualquer respeito à diversidade em todos os níveis.

A própria proliferação de blogs deu origem a um tsunami de informações mentirosas e opiniões sem o menor fundamento que são imediatamente propagadas por asnos sem a menor capacidade de compreensão, dotados de uma preguiça monumental na hora de checar a veracidade da ‘informação’ que passa adiante. Tudo isso vem gerando conflitos simultâneos e violência desenfreada, como quase aconteceu ontem no show do Roger Waters em São Paulo.

 

Quem leva a pior são aqueles que são excluídos por pensarem de modo diferente. São vítimas de uma espécie de “padronização do pensamento”. Hoje é tachado como “conservador” quem não se enquadra nessa onda de moralismo digital que permeia as redes sociais – fruto terrível da onda do “politicamente correto” que começou a varrer o mundo de alguns anos para cá – e não aquele que tem posições políticas conservadoras. Todos ignoram que não existe mais “direita” e “esquerda” no mundo político. Isso só existe na cabeça de milhões de retardados que se engalfinharam em uma patética batalha entre ‘petralhas x coxinhas’.

Eu mesmo me considero uma pessoa liberal em termos de costumes, mas tenho lá meus pensamentos conservadores em termos de política e comportamento. Por isso, afirmo categoricamente: o Brasil que conhecíamos morreu e foi substituído por algo muito pior. Que tragédia!

29 respostas

  1. Caro Régis, mais um texto perfeito .Estaríamos sendo personagens do livro ” 1984″ , de George Orwell , onde existe a “polícia do pensamento”, ou estaríamos vivendo no “Admirável Mundo Novo ” de Aldous Huxley ,onde fica claro a manipulação psicológica e condicionamento clássico, que se combinam para mudar profundamente a sociedade ?? Temo que vivemos uma mistura destes dois livros .O que você acha, meu amigo ?

  2. Desnecessário elogiar seu texto, pois toda vez que aqui deixo um comentário é para exaltar positivamente o que li. E mais uma vez foi isso o que aconteceu. Mas não posso deixar de citar um ponto: a escolha da foto que ilustra esse formidável texto foi de uma felicidade e pertinência incomensuráveis!
    Como já lhe disse várias vezes: Escreve um livro, Tio Regis!!!

  3. Meu amigo Régis : Na sua opinião , em quantos anos, ou décadas , poderíamos voltar a ser uma país livre da bunda-molice generalizada, e voltaríamos a ter a paudurecência necessária para sermos respeitados como nação ?

  4. Meu caro Regis , a cada comentario seu que leio mais me identifico com seus pensamentos, musicais, politicos, sociais, chego a pensar que vc é meu alter ego. Parece q vc entrou na minha cabeça e traduziu tudo o q eu penso. Obrigado por me fazer parte neste oasis de lucidez e inteligencia cercado de ignorancia.

  5. A mula da vez é quem vai no show do Roger Waters e não conhece o posicionamento do mesmo e muito menos compreende as letras.
    Ou é fanatismo político ou a o “brain damage” está imperando por estas terras.

  6. Ótimo texto. Lendo os comentários, tive uma surpresa postiça. Por enquanto, não apareceu alguém te chamando de direitopata elitista ou de esquerdopata caviar. É incrível como as pessoas são classificadas. Eu seria algo próximo de um centro esquerda mas não sou obrigado a comungar de algumas ideias comuns à maioria do pessoal de esquerda. A vida não pode se resumir a caixinhas minúsculas de ideias.

  7. Quem não conhece a história do Pink Floyd, que compre a postura do canalha dissimulado do Roger Waters. A única coisa que ele estuda sobre o Brasil é a pronúncia para “valew, Saun Pawlow!” cinco minutos antes do show, antes disso ele nem sabe direito onde está. Depois que o show acaba, ele corre para entrar logo em seu jatinho, com seus milhares de dólares a mais na conta, para não ter que respirar os mesmos ares dos brasileiros. Por quê ele não doa seus cachês milionários à causas humanitárias, tal qual Eddie Vedder, Sean Penn, etc., já que ele é tão engajado? Por favor, Roger Moneymaker Hipócrita, nunca mais pise aqui.

  8. Régis vi um vídeo seu a respeito do candidato Jair Bolsonaro de 2016, a respeito de como seu discurso era sujo e extremista. Também como ele iria ganhar muitos votos por conta disso. Assustador perceber como isso não só aconteceu, como criou uma leva de pessoas a defendê-lo independentemente de qualquer coisa que diga. Muito bem colocado o texto.

  9. O Brasil de hoje, a juventude de hoje e as classes “artísticas” e “intelectuais” de hoje são consequências trágicas de oito anos de PSDB no poder e, sobretudo, catorze anos de petismo no poder. O PT com sua demagogia, seu populismo hipócrita, sua pobreza artística, sua enorme desonestidade intelectual, seu comportamento rasteiro e sua gente chinfrim desencadeou toda essa tragédia moral, intelectual, cultural, artística e comportamental dos dias atuais.

  10. Curioso, Régis.Um sujeito, que foi um ditador dentro do Pink Floyd, quer nos ensinar sobre democracia! Um mau caráter que ajuizou uma ação ridícula alegando ter criado o nome ” Pink Floyd” (uma mentira deslavada) em face dos remanescentes da banda, vem em nome da justiça nos disciplinar? Um babaca que compôs uma música falando mal da própria mãe tem equilíbrio mental para posicionar-se politicamente? O cara grava um concerto em homenagem a queda do muro de Berlin e vêm dar suporte a um partido que apóia a ditadura de esquerda venezuelana? Ao invés de se doer pelo cara, você deveria levantar a “capivara” dele, e verificar que seria muito melhor ele ficar quieto. Você acha ele um defensor da democracia, Régis? Pergunte ao David Gilmour!

  11. Ora…a hashtag “ele não” é um slogan! Quer forma de padronização de pensamento mais eficaz que repetir um slogan como um papagaio? O Roger fez exatamente o que você criticou no penúltimo parágrafo! Impôs o politicamente correto, sem sequer estar informado sobre a situação do Brasil! Precisa alguém botar mais fogo neste país do que já temos? No mais, o brasileiro ou é criticado por ser alienado e só pensar em futebol, ou por ser um Neanderthal político. Quanto ao mimimi, em respeito a um leitor seu , Regis, desde a Cover Guitarra,, responda por gentileza: o Roger tem moral para falar sobre autoritarismo?

    1. Conhece um negócio chamado “liberdade de expressão”? Pois é, eu conheço e a defendo. Inclusive a sua liberdade em escrever uma asneira do tipo “Impôs o politicamente correto, sem sequer estar informado sobre a situação do Brasil” (sic). Se você não aceita isso, então você mesmo é um “neanderthal político”. Fim desse papo. Pode passar para um próximo assunto…

      1. Vamos passar, afinal,para este aqui você já ficou sem argumentos,e sequer respondeu minha pergunta. E o seu “sic” não colou mesmo,não é ? Passemos para o próximo assunto,pois este seu texto aqui até um neanderthal acha contradições.

  12. “Aqui você não vai encontrar “papinho” para agradar fãs idiotas e gente que sente dor na hora de botar o cérebro para pensar. Acostume-se ou caia fora ” Ao anunciar o fim de papo e mandar passar para o próximo assunto, quem caiu fora foi você. No seu próprio blog.

    1. Sim, é isso mesmo. Caí fora do papo com alguém que não prestou muita atenção ao ““Aqui você não vai encontrar ‘papinho’ para agradar fãs idiotas e gente que sente dor na hora de botar o cérebro para pensar”…

  13. Antes de cair fora, vamos aos erros do seu texto. Você comete , por mais de uma vez , falácias de generalização. Vamos a elas: “ninguém mais liga para boas notícias”, “todo mundo se posiciona contra ou a favor,sem uma justificação plausível”, “não há uma ocasião que se encontre um debate de alto nível”. As três assertivas são falaciosas, afinal, é impossível para você saber de tudo o que se passa na internet. Num debate, estas afirmações seriam rebatidas facilmente. Sigamos. Você fala em “debates de alto nível”, sem explicar o que é um debate de alto nível. Você fala em “ideias rasas”, sem explicar o que são ideias rasas. Você defende “ações pontuais”, sem diz quais são. Segue. Afirmar que a imensa maioria dos que têm pensamentos “tacanhos” é de jovens, outra afirmativa complicada. Você distribuiu os comentários por faixa etária? Qual a proporção de crianças, jovens e adultos? Como você teve acesso a estes números?
    Afirmar o nexo de causalidade entre o fervor político e as vaias do show foi um um ponto que fez sentido (ufa). Mas, aí surge um “não há direita nem esquerda”. Opinião extravagante, pra dizer o mínimo. Por fim, a ilação “o Brasil que conhecíamos morreu e foi substituído por algo muito pior”, omitiu a informação: Qual o Brasil que conhecíamos! .Pois é Regis, você não acredita que suas opiniões devam passar por maior …filtragem? Afinal, você é especialista, conforme anunciado no primeiro parágrafo. E só mentecaptos saem por aí criando blogs cretinos, que disparam atrocidades, não é mesmo regis?

  14. Não vou entrar no papinho raso de que, como “gringo”, Roger Waters não possa ter uma opinião sobre a política brasileira. Afinal de contas, só como exemplo, o que não falta é brasileiro com opinião sobre Obama, Trump, Putin Merkel, Cristina Kirchner e uma série de políticos de outros países.
    Mas não posso deixar de apontar como ao aderir aqui dentro ao “Helenão”, o RW tenha assumido uma das posturas mais desagradáveis da esquerda: a de se julgar a portadora de todas as virtudes, monopolista das boas intenções. E de cima desse pedestal imaginário em que ela mesma se colocou, achar que pode julgar ( e condenar)todos os que pensam diferente. E justamente ao se deparar com a opinião diferente, desqualificar a diferença como “fascista” e fazer o papel de vítima.
    Ser fã do Pink Floyd não obriga ninguém a assinar embaixo as opiniões políticas do RW. No máximo, dá a oportunidade de pensar sobre o que está ouvindo, e reafirmar ou refutar a opinião que tinha antes, Ao divulgar uma mensagem que mostra um posicionamento em um ambiente polarizado, Waters assumiu um risco. Vaias e aplausos são parte do jogo.
    Faz parte da democracia no seu sentido mais amplo o artista ter o direito de mostrar seu posicionamento. E faz parte da mesma democracia os fãs, ou uma parte deles, aplaudirem ou vaiarem.
    Agora, ridículo, desonesto e patético é,no show seguinte, aparecer uma tarja escrito “ponto de vista político cesurado”, como se o “artista revolucionário, corajoso, bonzinho e bem intencionado” tivesse sido vítima da Gestapo, Tcheka ou coisa do gênero.
    Não pude deixar de associar essa vitimização picareta àqueles discursos ridículos que o Joey de Maio fazia nos shows do Manowar, dizendo que “não queriam nos deixar vir tocar no Brasil”.

  15. E o que dizer, Régis, da baixeza de quem não votou no candidato vencedor postar: “Não carrego essa culpa, depois vou dizer: eu avisei”, como se a pessoa morasse na Suécia, ou como disse o Álvaro Dias num debate, na Dinamarca. Torcer para o pior é muito baixo!

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