Olá! Tudo bem com você e sua família? Espero que sim.

Depois de um tempo afastado do blog por conta de uma absurda carga de trabalho nos últimos meses, prometi a mim mesmo dedicar uma maior assiduidade a este espaço em 2021. Vou abordar um monte de assuntos diferentes e fazer questão de escrever a respeito da inacreditável quantidade de discos que farão meio século de existência ao longo de 2021. Vou tentar compensar minha ausência com tudo aquilo que julgo relevante nos dias atuais. Às vezes longos, às vezes curtíssimos, os textos serão um retrato semanal do que rola na minha cabeça. Combinado? Então vamos lá…

Quero começar essa retomada de frequência por aqui para escrever justamente a respeito de um álbum maravilhoso que completa, justamente neste 11 de janeiro, seu 50º aniversário de lançamento: Pearl, da Janis Joplin.

Ela tinha morrido em 4 de outubro de 1970 e, obviamente, não viu três meses depois o enorme sucesso que Pearl conquistou há exatos cinquenta anos, no mesmo dia em que escrevo estas linhas. Espiritualmente, deve ter ficado feliz com o êxito, embora não pudesse saboreá-lo fisicamente. Bem, é nisso que acredito.

Não tenho dúvida que as ótimas vendas do disco derivaram do prazer quase mórbido que o público tem em consumir o que quer que seja de ícones que morreram de modo trágico. Isso acontece até os dias atuais. Não é à toa que Pearl continua sendo relançado de tempos em tempos. A gravadora sabe que pode contar com ele para obter um “caixa extra”.

Eu seria muito injusto e cruel em escrever que esse foi – e ainda é – o único motivo que fez esse disco vender horrores. Não tenho dúvida que a qualidade musical de cada uma das canções incluídas certamente faria Janis subir vários degraus em sua celebrada carreira por si só. Ela não seria apenas a primeira estrela feminina genuinamente roqueira, mas se transformaria em uma espécie de “Aretha Franklin do rock”, com todos os méritos e virtudes que tal alcunha mereceria. Não deu tempo. Aos fatídicos 27 anos, ela se foi – saiba mais a respeito dela em um dos episódios da série “Aposto que Você Não Sabe” no meu canal no YouTube, que pode ser assistido aqui.

Pearl é especial também porque finalmente Janis teve uma banda à sua altura de sua grandiosidade como cantora, já que o Big Brother & Holding Company que a acompanhava, vamos combinar, até então não passava de um aglomerado de músicos não mais que medianos. Ela os aturava porque considerava os caras como uns chapas bem legais – pelo menos no começo da carreira – e tinha muito medo de quebrar a cara saindo da sua zona de conforto e cantar com uma banda mais “profissional”, que foi exatamente o que aconteceu quando ela foi colocada à frente da Kosmic Blues Band, com quem gravou em 1969 seu primeiro disco solo, I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama!, e se apresentou em Woodstock. A banda foi logo dispensada porque Janis não suportava a caretice dois caras. Batizado como Full Tilt Boogie Band, o novo quinteto só tinha “malacos de estúdio e dos palcos”, como o guitarrista John Till e o pianista Richard Bell (ambos ex-The Hawks, a banda que acompanhava o lendário cantor country Ronnie Hawkins).

Obviamente, você percebe ao ouvir maravilhas como “Move Over”, “Cry Baby”, “Me and Bobby McGee”, “My Baby” e “Mercedez Benz” que a produção cuidadosa e certeira de Paul Rothchild (que era o produtor do The Doors) soube captar com perfeição a grandiosidade da interpretação selvagem e atormentada de Janis, repleta de frustração, raiva, dor e carência afetiva.

Deixo abaixo o link de uma das mais completas edições do álbum, com mais de duas horas de duração. Se preferir, use os serviços de streaming disponíveis ou bote o CD/LP para tocar novamente. Reúna a sua família e mostre aos seus filhos como Janis, mesmo um poço de contradições em sua vida pessoal, foi um cometa esplendoroso e fugaz a passar pela Terra.