Os 60 anos de Madonna e suas canções ensinam a respeito de feminismo

O machismo na indústria musical e na vida diminuiu, mas continua lá, entrincheirado, cercado pelos novos tempos em que as mulheres, merecidamente, alcançaram conquistas até então inimagináveis décadas atrás. A tendência é desaparecer, muito figurão como o nojento Harvey Weinstein vai cair, mas será em longuíssimo prazo. Falta muito ainda, mas se tivermos um mundo de igualdade, respeito e equiparação salarial entre homens, mulheres, transgêneros e o que mais existir, já é um bom começo. Só que não é esse o assunto aqui. Quero escrever a respeito de… Madonna.

No princípio, era apenas a imagem de uma garota que dizia saber o que queria em um universo totalmente dominado por homens babões. Sabia ser bobinha e esperta ao mesmo tempo em “Borderline”, alegre e juvenil em “Holiday”, esperançosa em encontrar seu amor sem baixar a guarda em “Lucky Star”… E sabia também, desde o início, que sexo era uma mercadoria que se vendia fácil – tanto que ainda hoje é assim -, mas Madonna usou as regras do jogo da indústria para passar suas mensagens.

Madonna elevou a autoestima das garotas em todo o planeta em busca da tão sonhada independência? Não tenho dúvidas disso. Nem que para isso tivesse que ser sexy e aparentemente “disponível” para o macaréu do show business. Deve ter feito suas concessões, sabe-se lá quais, para chegar onde chegou quando começou a dar seu recado para todas as garotas em “Express Yourself”. Foi quando decidiu que soltar canções manifestando o direito de ser dona do seu próprio nariz, mesmo nas entrelinhas de seus versos, só teria efeito de a sua postura artística exemplificasse tal pensamento. E assim ela fez e vem fazendo ao longo da carreira.

Madonna soltou canções pop sensacionais. “Like a Virgin”, que Quentin Tarantino diz ser o relato de uma garota que encontra o maior pau que viu até então, que a faz sentir como se fosse uma virgem novamente; “Material Girl” e seu explícito desejo de se aproveitar da grana dos homens; “Into the Groove” e a celebração da felicidade em dançar sozinha em seu quarto; “Human Nature” e sua resposta contra a caretice; “Music” e sua mensagem de desinibição; a deliciosa “Beautiful Stranger” em seu revivalismo psicodélico… Tem um disco inteiro que é simplesmente primoroso em sua discografia, que é Ray of Light. Não é pouca coisa…

https://www.youtube.com/watch?v=a4tD8dy9Reg

Agora, ao comemorar seis décadas de vida, Madonna pode se orgulhar de ter mudado a cabeça de muita gente com suas mensagens de “empoderamento”, mesmo abusando de exemplificar tudo com a sua imagem. Em contrapartida, foi a fonte de inspiração para 90% de pseudoestrelas imitadoras – de Lady Gaga a Miley Cyrus, de Kylie Minogue a Kate Perry, de Britney Spears a Rihanna, de Jennifer Lopez a Nicki Minaj, de Shakira a Kesha -, mas esse é o preço da superexposição midiática.

Com suas canções e sua postura, Madonna mostrou que as mulheres devem se permitir tudo. Tudo mesmo! Inclusive, fantasiar a respeito de submissão sexual a um amante ricaço chegado num sadismo light, como o sucesso do pavoroso livro Cinquenta Tons de Cinza mostrou. Concordo com ela. O corpo da mulher pertence a ela e cada uma faz o que bem entender com ele. Ponto pacífico. Não se discute isso. Deveria ser o “Artigo 1” de qualquer Constituição. Talvez provoque urticárias nas feministas mais radicais justamente por causa disso…

10 respostas

  1. O Show Business soube usar ela , só que ela soube usar melhor o Show Business. Na minha opinião , uma mulher maravilhosa, comparada em beleza e inteligência , à Marilyn Monroe.

  2. Madonna também copiou várias artistas. Ela não é tão criativa como muitos fãs dela pensam. Ela copiou tanto artistas mainstream, quanto artistas underground. Ela não canta bem, não é boa instrumentista, é péssima atriz (recordista em framboesas de ouro) e péssima diretora. È óbvio que ela deve ser parabenizada pelos seus 60 anos, pelo dom da vida, porém ela não é uma excelente artista. Reconheço a importância dela no feminismo e na luta pela independência da mulher, porém ela incitou a rivalidade criada pela mídia entre ela e outras artistas, sendo que o feminismo critica essa rivalidade e depois ela vai fazer discurso dizendo que a mídia coloca mulher contra mulher, sendo que ela mesma fez isso em alguns momento ao longo de sua carreira.

  3. Exepcional cantora, artista nata,sempre terá seu nome lembrado , seja por suas músicas, atriz e defensora dos direitos da mulher!

    1. Madonna não é uma cantora excepcional. Ela não é uma boa cantora, não é uma boa atriz, não é boa instrumentista e não é boa diretora.

  4. Pqp!!!! Essa Letícia tá em tudo quanto é lugar tentando desmerecer a Madonna. É no Instagram, no Facebook, no YouTube e até aqui? Vai se tratar garota

  5. Madonna criou o empoderamento feminino, lutou contra dogmas da igreja, quebrou tabus e se opôs à política discriminatória estadunidense. Seu sucesso não é apenas por ser cantora ( apesar de ser a mais rica de todas) mas por ser uma artista atuante e engajada com muita coragem. Parabéns merecido.

  6. Erotica e Ray Of Light concerteza gosto muito
    Não por causa do sexo mas sim um verdadeiro convite a viajar para o nosso espaço.
    Já pensou se eu fosse um astronauta quando for da a partida boto erotica ou Frozen

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