Você já reparou na quantidade de gente que dá opinião a respeito de qualquer assunto sem ter o mínimo conhecimento a respeito? São milhões e milhões de ‘especialistas’ que não sabem sequer arrumar as gavetas de um guarda-roupa, mas que ‘manjam’ muito de política, economia, sociologia e mais um monte de outras matérias, sempre com ‘análises’ tão profundas quanto o café derramado em um pires. Pois saiba que na música também é assim…

Você certamente não consegue imaginar a quantidade de gente que passa batido por certos discos e emitem opiniões completamente equivocadas a respeito deles, a maioria delas sendo do tipo “isso é uma merda” e ponto, sem qualquer embasamento a justificá-las. Para mim, é um absurdo que certamente se estende a outros aspectos da vida de quem tem esse tipo de atitude.

Deixar de apresentar discos a pessoas pouco atentas jamais passou pela minha cabeça. Muito contrário! Tenho o maior prazer em receber mensagens do tipo “porra, nunca tinha ouvido esse disco antes e não sabia que era tão legal”, pois é o sinal de que minha contribuição para que o descaso que ocorre nos dias de hoje seja minimante diminuído.

É por isso que decidi a partir de hoje colocar aqui alguns ótimos álbuns que muita gente – mas MUITA mesmo! – jamais ouviu uma faixa sequer e já saiu por aí soltando “esse disco é uma merda” a torto e a direito. Farei isso de tempos em tempos, sempre recomendando que cada disco seja ouvido com fones, em um ambiente sem distrações familiares, profissionais ou de qualquer outra natureza. Sim, sei que isso é difícil hoje em dia, mas faça um esforço, pois a recompensa é justamente essa: sacar o quanto um disco que você nunca ouviu inteiro é legal, ao contrário do que dizem seus ‘amigos de Facebook’.

Não será uma “lista de melhores” e papagaiadas do tipo porque: a) todo mundo faz isto; b) ouvi tantos discos bacanas ao longo dos anos que jamais não conseguiria colocar em um ranking; c) não estou com paciência para isso. Não estarão em ordem de preferência e sim em uma sequência à medida que vou lembrando deles no momento. E pode apostar que são muitos! Ao contrário do que você imagina, todo dia surge um trabalho acima da média em termos de qualidade e nem mesmo eu consigo ouvir 0,0001% de tudo o que é lançado em uma única semana!!!

Desta forma, você vai ler – e ouvir – abaixo a respeito de dois ótimos discos que passaram pelos meus ouvidos nos últimos anos e que ainda frequentam com assiduidade o meu dia a dia.

 

BECK – Morning Phase

Ele não lançava um álbum desde 2008, quando soltou o injustamente ignorado Modern Guilt. Seis anos depois, Beck retornou com um disco que, segundo ele, era uma espécie de “continuação” de Sea Change, de 2002. Lindíssimo, plácido, com uma enorme influência do Pink Floyd nos arranjos acústicos das canções e até mesmo na maneira de cantar, Morning Phase tem um clima de tristeza e beleza ao mesmo tempo pairando em todas as suas canções, tanto que em algumas delas quase dá vontade de chorar… É sério! Ouça as duas perolas baixo, que trazem como convidado o genial baixista Stanley Clarke:

 

TOM PETTY – Hypnotic Eye

O maior acerto da carreira deste estupendo guitarrista/cantor/compositor é jamais ter gravado um único álbum sequer que possa ser considerado “mediano”. Todos são excelentes e este, o último trabalho de estúdio que gravou antes de morrer em 2017, não foge à regra. Enquanto nos Estados Unidos o cara lotava arenas lendárias, aqui ainda hoje a maioria das pessoas tem que se sentir envergonhadas por desconhecer a obra dele, que estava melhor do que nunca, a julgar pelas estupendas canções presentes neste “olho hipnótico”.