Mais uma vez, vemos a mesma história acontecer diante de nossos olhos: jovem artista sofre overdose, mesmo idolatrada por milhares de fãs ao redor do planeta.

O primeiro pensamento que vem à cabeça daqueles com pouca capacidade de raciocínio é se perguntar por que uma moça milionária, que “tem de tudo na vida”, se mete a “tomar drogas”. Depois, surge a clássica frase “se fosse comigo, seria diferente”, para que então o ‘arremate’ seja concretizado: “coitada da família”.

Como eu sei que você, que está lendo estas mal traçadas linhas neste exato momento, não é um imbecil – bem, pelo menos é isso que eu espero -, vou dar os meus pitacos nesta história por outro viés…

Para quem ainda não sabe o que aconteceu: vou dar uma resumida: segundo o site TMZ – que raramente dá uma bola fora e que foi aquele que noticiou em primeira mão -, Demi Lovato está internada em um hospital de Los Angeles após sofrer uma overdose. Primeiro, seria de heroína, depois mudaram para cocaína, depois disseram que foi overdose de “outra coisa”, que não encontraram nada na casa dela – evidentemente, a equipe que trabalha para a moça limpou tudo antes de chamar o atendimento médico de emergência.

Fontes da polícia disseram que ela foi encontrada inconsciente em sua casa em Hollywood e os paramédicos logo a trataram com Narcan, uma substância usada apenas em casos de overdoses de drogas do tipo “opióides” – como heroína e analgésicos pesados – para dar uma “ressuscitada” na moça. Logo surgiram os “representantes” da artista, com o velho papinho “agradecemos a todos pelo amor, preces e apoio”, aquele bla bla blá já decorado por todo mundo que trabalha no meio artístico. Evidentemente, vão dar uma boa abafada no caso, já que pega mal ídolo de adolescentes histéricas ser pega com droga de “gente adulta vagabunda”, que é exatamente a forma como esse tipo de viciado é encarado pela sociedade. Sem hipocrisias, por favor…

Tudo aconteceu depois de uma festa que durou a noite inteira de domingo na casa dela. Como não poderia deixar de ser nesse tipo de “ambiente artístico”, quando os convidados perceberam o que tinha acontecido, todo mundo caiu fora! Nesse mundo de ‘gente descolada’, todo mundo é amigo até o momento em que uma merda acontece. A partir daí é cada um por si…

Não vou aqui entrar no (des)mérito da péssima qualidade do pop dançante/romântico/chororô que ela faz há quase uma década, mas quando você tem 25 anos de idade e desde a adolescência existe uma equipe profissional de “puxa-sacos” te adulando o tempo todo, é difícil não se deixar levar pela onda de euforia e, ao mesmo tempo, desconexão com a realidade. Foi o que aconteceu com Demi e mais ‘trocentos’ jovens que foram alçados ao estrelato antes da hora…

Lembra que todo mundo que começou a fazer sucesso mundial a partir de programinhas bobos da Disney décadas atrás parece não bater bem da cabeça quando tentam engrenar a carreira? Os Jonas Brothers tinham uns tais de “anéis de virgindade e pureza”, Britney Spears cansou de dar vexames com a cabeça raspada em postos de gasolina, brandindo guarda-chuvas como se fossem espadas… Uma presepada atrás da outra! E Demi veio justamente daquele universo falsamente “colorido” e “alegre”. Uma exceção foi Justin Timberlake, mas a respeito dele eu vou escrever em um texto futuro…

Foi justamente nessa época em que era “queridinha da Disney” que Demi começou um calvário de bullying, anorexia, transtorno bipolar, bulimia e até mesmo automutilação!!! Quando você vê uma garota cortando a própria pele para chamar a atenção para si, é porque a coisa já degringolou faz tempo…

A luta para se manter sóbria é diária – Casagrande ensina isso o tempo todo – e ela vinha vencendo e perdendo algumas batalhas contra a guerra da dependência química e alcoólica. Para se ter uma ideia, ela tinha um “coach” que a ajudava diariamente a manter a sobriedade. Um “coach”! Para quem vinha afirmando que estava há mais de seis anos sem botar drogas e álcool para dentro do corpo, soltar no mês passado uma canção como “Sober”, na qual pede desculpas aos pais e amigos por ter fracassado na tentativa de se manter sóbria só poderia dar no que deu.

É muito fácil provar como o real funcionamento do show business trabalha incessantemente a “máquina de moer artistas” em proveito próprio, algo muito similar ao que acontece no universo das organizações criminosas. No palco, no estúdio, nas coletivas de imprensa, nos encontro com fãs endinheirados que podem pagar os tais “meet & greet”, mais do que música, o que importa mesmo é quando tudo isso vai gerar de grana. E não para o artista em si que, por mais milionário que seja, nunca recebe o que normalmente seria seu por direito. No meio do caminho, dezenas de ratazanas vão amealhando os seus tostões, por contratos ou por fora deles. É isso o que importa para essa gente. Nada mais.

Bastaria a revelação da interceptação telefônica nos celulares dos “profissionais” em torno da Demi para que você compreendesse toda a rede de interesses em torno dela. Bote um “grampo” nessa turma para ver a casa cair para todos os envolvidos, inclusive a própria família! Se alguém conseguir agendar uma acareação entre o artista e seus “amigos de trabalho” – frente a frente, para cada um revelar o que realmente acontece – e filmar o encontro para exibir em um programa de TV ou mesmo na internet, pode apostar que você vai vomitar litros…

Quando a própria artista percebe que não passa de mais um “pedaço de carne cantante e rebolativa” dentro do açougue do show business, uma das alternativas é fugir desse mundo usando qualquer gororoba tóxica que tiver ao alcance das mãos. É o que Demi e tantos outros vêm fazendo há décadas.

Torço apenas para ela não venha a integrar o morbidamente conhecido “Clube dos mortos aos 27 anos”, do qual fazem parte os espíritos de Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt Cobain e Amy Winehouse…