Pearl Jam – Dark Matter – Achei Uma…

Depois de ouvir esse disco, fiquei pensando em várias coisas sobre cada faixa e o que esse álbum realmente representa. Por exemplo, já parou para pensar que daquela leva de grandes vozes oriundas do grunge, o Eddie Vedder é o único que está vivo? Morreram o Mark Lehninger, o Lane Styley, o Chris Cornell, o Scott Wayand e o Kurt Cobain. Não por acaso, o único que não se envolveu com drogas pesadas, só com charutinhos de vez em quando, é o Eddie Vedder. Ele também foi aquele que se mostrou menos sensível às cobranças do show business devorador de almas artísticas, e menos sensível às pressões da fama, fama essa completamente desmedida. Essa hipotética força dele perante os seus colegas falecidos na verdade é bastante perceptível ao longo de toda a discografia do Pearl Jam, e isso ficou muito claro neste disco novo.

Quando vi o disco inteiro para fazer esse artigo, percebi que é um álbum que exala uma conexão sônica surpreendente com os primeiros discos do Pearl Jam, só que aquilo que poderia resultar em um festival de pastiches eletrônicos e falsamente dramáticos acabou soando bastante revigorado para o estilo do Pearl Jam agora, nesse “Dark Matter”. Primeiro e mais importante, agradeço ao produtor queridinho dos artistas grandes, o Andre Watt, que não conseguiu achatar e comprimir o som do Pearl Jam nesse disco, como fez nos álbuns recentes do Eddie e dos Rolling Stones. Agradeço porque ele não conseguiu estragar o disco, pelo contrário, soa bastante encorpado e condizente com o que cada canção pedia. E isso resultou no disco.

Esse disco começa de um modo muito intenso com uma urgência cortante na faixa “Scared of Fear”, com bons riffs de guitarra do Stone Gossard e do Michael McCready, o baixo encorpado do Jeff Ament, a bateria inventiva e sempre segura do Matt Cameron, além da voz eternamente emocionante do Eddie Vedder. A banda toda trabalhou muito bem as variações de dinâmicas dentro dessa canção, e essa vibe pesada dessa música e essas variações de dinâmica da primeira faixa se estendem para a faixa seguinte, “React Respond”, que é uma canção igualmente acelerada e tem uma intensidade contagiante.

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