Perdemos Arthur Maia

Em um espaço de poucos dias, perdemos duas figuras emblemáticas da história da música brasileira: o baixista Arthur Maia e o maestro/compositor Waltel Branco, a respeito de quem escreverei amanhã aqui no blog. Hoje, o papo é sobre Arthur…

Ele foi um dos maiores baixistas do planeta – sim, é isso mesmo o que você acabou de ler – e um exemplo para todo músico que não tem medo de expandir seus horizontes musicais. Sempre mandando grooves matadores, Arthur era capaz de tocar qualquer gênero e estilo e deixar todo mundo de boca aberta. Não foi à toa que ele, desde muito jovem, esteve presente nos discos e shows de gente graúda da música brasileira: Gilberto Gil, Gal Costa, Lulu Santos, Caetano Veloso, Jorge Ben Jor, Martinho da Vila, Djavan, Ney Matogrosso, Milton Nascimento, César Camargo Mariano, entre muitos outros.

Assim como o tio, o também baixista e lendário Luizão Maia, Arthur fez do instrumento de quatro cordas a sua razão de viver, a ponto de não negar até mesmo um convite para assumir a Secretária de Cultura de sua amada Niterói, cargo que ocupou de 2013 a 2016 e com o qual tratou de ampliar a presença da Música nas escolas. Bem antes, nos anos 80, ele também foi uma peça importante na revitalização do jazz instrumental brasileiro ao criar o grupo Cama de Gato, um timaço de músicos que contava também com o baterista Pascoal Meirelles, o pianista/tecladista Rique Pantoja e o saxofonista/flautista Mauro Senise:

 

Sem contar o quanto influenciou toda uma geração de músicos nacionais com seus próprios discos, Maia (1991) e Arthur Maia (1996), ensinando aos mais jovens que era possível criar um amálgama sonoro de funk, jazz e samba de uma maneira diferenciada:

 

 

Em carne e osso, Arthur era de uma simpatia exemplar. Tive a oportunidade de entrevista-lo várias vezes ao longo de minha carreira como editor da revista Cover Baixo e sempre foi um prazer obter informações e ensinamentos de um típico carioca bonachão. Vê-lo e ouvi-lo em ação, ao vivo, era uma experiência que sempre propiciava imenso prazer musical. Assista abaixo:

 

 

Arthur trabalhou até o fim de sua vida. Tanto é verdade que no próximo mês será lançada a sua última produção, em parceria com o exímio guitarrista Celso Fonseca; um álbum da Martn’ália só com músicas de Vinicius de Moraes. Não teve tempo suficiente para ver o resultado final desse projeto: morreu no sábado, aos 56 anos, vitimado por uma parada cardíaca.

Onde quer que esteja, tenho certeza que o espírito de Arthur está provocando gargalhadas e chamando todo mundo para uma jam session

2018-12-17T13:22:14+00:00

8 Comments

  1. Wagner 17 de dezembro de 2018 at 14:32 - Reply

    Vou deixar aqui as palavras do grande baterista Mauricio Leite : ” Isso não é justo “.
    Realmente, uma perda imensa e triste !!!

  2. David Alexandre 17 de dezembro de 2018 at 14:37 - Reply

    Bela homenagem Regis!

    • Regis Tadeu 17 de dezembro de 2018 at 20:36 - Reply

      Obrigado.

  3. Jean Buzzello 17 de dezembro de 2018 at 15:34 - Reply

    Perdemos nosso maior ídolo do contrabaixo, muito triste.

  4. Fabiano 17 de dezembro de 2018 at 21:14 - Reply

    Belas palavras! A última frase é certeira!
    Anos atrás vi uma jam session dele com Sandro Haick na batera e Frank Solari na guitarra, em uma feira de instrumentos. Após 30 minutos de boa música, ele ficou de papo com os presentes e provocando gargalhadas. Arthur é o gigante!
    Valeu Regis!

  5. Claudio Zoli 18 de dezembro de 2018 at 00:22 - Reply

    A familia agradece, muito bom, abrasom, legado fica.

    • Regis Tadeu 19 de dezembro de 2018 at 10:46 - Reply

      Obrigado pelo elogio, meu caro.

  6. Denilson Demori 18 de dezembro de 2018 at 18:36 - Reply

    Nao ha como negar, qualquer obra com a presença do Arthur Maia soava especial. A musica perde um gênio muito cedo.

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