Pete Shelley fez do Buzzcocks uma das trilhas sonoras de nossas vidas

A primeira vez que ouvi uma canção do Buzzcocks foi uma experiência inesquecível. Foi em 1979 e eu tinha acabado de comprar um LP chamado Singles Going Steady – que só descobri que era uma coletânea tempo depois – em uma das lojas que eu frequentava na Vila Clementino em busca de todas as novidades que o meu parco dinheirinho podia comprar. Entusiasmado pelo então recente punk rock, minha avidez por discos que trouxessem sons energéticos e urgentes era insaciável…

Quando voltei para casa e coloquei o LP para tocar, tomei um susto logo de cara com a primeira faixa, “Orgasm Addict”, que já trazia a voz e a guitarras dando um soco na minha cara logo no primeiro compasso da canção. Sem introdução instrumental, nada. Uma porrada sem aviso.

 

O que veio depois foi uma sequência inacreditável de canções simplesmente inacreditáveis:

 

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=terg_LPT3X0

 

Eu poderia postar todas elas aqui e você ficaria espantado como cada uma delas grudaria na sua cabeça como um chiclete de piche. Duvido mesmo que você não vai passar a semana inteira cantarolando as canções que postei acima. O grupo teve tantos hits que fico até confuso na hora de selecioná-los para este texto. Se você nunca ouviu falar da banda, use a porra do seu Spotify para tomar contato com essas obras-primas, todas compostas pelo guitarrista/vocalista Pete Shelley.

O Buzzcocks surgiu na primeira safra do punk inglês e foi tão influente quanto os Sex Pistols, menos pela raiva e muito mais pela sensibilidade quase sarcástica que emanava de suas brilhantes canções, todas elas retratando o amor e as dificuldades de ser jovem em uma Inglaterra quase destruída em termos sociais e políticos. Em vez de anarquia, Shelley e seus comparsas pregavam a liberdade de você ser e sentir o que bem entender. Compositor incansável, ele conseguia criar canções antológicas que não duravam mais que três minutos e que foram responsáveis por embalar a juventude de toda uma geração britânica e, por que não dizer, internacional. Influenciou tantas bandas – de Hüsker Dü ao próprio Nirvana -, que nem dá para contar em espaço tão reduzido.

Shelley morreu na quinta-feira passada, aos 63 anos, devido a um ataque cardíaco. Morava na Estônia, onde certamente vivia longe do caos que domina todo o mundo ocidental. Deixou por aqui um legado de canções que certamente fazem todo o sentido nos dias atuais.

 

 

 

 

Uma resposta

  1. Uma das bandas mais importantes do Punk inglês sem dúvida. E sua influência foi notável até aqui no Brasil pela versão de I Believe, que virou O Adventista na gravação do Camisa de Vênus.

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