Pop tradicional escorrega na mediocridade

Procurar saber a respeito dos discos recentes de uma série de artistas outrora relevantes dá uma boa medida a respeito de como caminha o pop mainstream.

Os erros cometidos nos últimos tempos por certa estirpe de artistas – até pouco tempo atrás considerados como integrantes do primeiro escalão do pop – demonstram que não dá mais para controlar as tendências do mercado como faziam antigamente.

Como defendem seus respectivos –e altos – padrões de vida com diferentes estratégias, a informação de que seus mais recentes discos fracassaram artisticamente serve para democratizar a sensação de medo em outros integrantes desse outrora seleto grupo.

Veja o caso de Christina Aguilera, por exemplo. Seu mais recente álbum, Liberation, o oitavo da carreira, é o frustrante resultado de quase seis anos de ausência depois do fracasso retumbante do disco anterior, o péssimo Lotus, de 2012. Tentando mais uma vez se adaptar aos novos tempos de preferência do público americano, ela não tomou a sábia decisão que seria em abandonar o pop descartável e pseudoeletrônico para voltar a abordar as canções com uma pegada mais próxima do r&b e do soul. Pelo contrário, passa pelo constrangimento e “vergonha alheia” ao imitar a Shakira nas pavorosas “Accelerate”, “Maria” e “Right Moves”. Quando envereda para o lado da balada, o resultado é igualmente horrível, como acontece no dueto com Demi Lovato em “Fall in Line”.

https://www.youtube.com/watch?v=PwFzW1Vc90Q

 

A mediocridade do restante do disco chega a ser assustadora, com uma quantidade inaceitável de clichês mais que batidos, timbres vagabundos de teclados e batidas mais manjadas que desonestidade de políticos.

Até mesmo gente que sempre se destacou por uma excelência acima da média dentro do pop não sabe bem o que fazer nos dias de hoje. É o caso de Justin Timberlake. Talvez pensando em adentrar ao universo das centenas de milhares de fãs do Ed Sheeran espalhadas pelo mundo, ele transformou quinto álbum, Man of the Woods, em um troço absolutamente constrangedor.

A faixa que batiza o disco, o dueto com Alicia Keys em “Morning Light” e a horrível “Wave”, por exemplo, são pastiches de Jack Johnson tão vergonhosos que provocaria vômitos em uma manada de búfalos enfurecidos. Mesmo quando álbum traz Timberlake na área em que melhor sabe trabalhar, o pop eletrônico de faixas como “Filthy”, “Midnight Summer Jam” e “Sauce” soam de modo estridente e confuso.

https://www.youtube.com/watch?v=R5kf0oeSZw8

 

“Montana” e “Breeze Off the Pond” até que são simpáticas em sua simplicidade em termos de arranjo, mas não salvam o restante do álbum, que oscila entre o medíocre e o insuportável.

 

Há vários casos iguais aos acima citados – de Madonna e Mariah Carey a Taylor Swift e Katy Perry, de Eminem e Red Hot Chili Peppers a Kanye West e Coldplay, de Justin Bieber a Jennifer Lopez -, mas escolhi esses dois exemplos apenas para mostrar que nem mesmo um batalhão de compositores e produtores trabalhando a serviço de artistas multimilionários serve como garantia de sucesso em tempos cada vez mais descartáveis em termos de consistência e longevidade musical.

5 respostas

  1. Meu caro amigo Régis : Mais um texto perfeito . Faço meu, seus pensamentos. quando escreve “tempos cada vez mais descartáveis” : Hoje tudo me parece descartável : Relacionamentos familiares , amigos, músicas , etc….Parece que “dinossauros” como eu e você, não se encaixam mais neste mundo…..Sorte a nossa que não vamos viver mais 100 anos……

  2. Não achei o disco da Aguilera tão ruim, a canção Maria é muito boa e tem algumas outras interessantes, mas alguém que já foi tão explosiva quanto ela no passado pareceu muito morna nesse disco. Ela sempre foi conhecida pelos exageros, sejam eles bons ou ruins. Agora a melhor coisa que ela lançou em anos foi aquela “Telephaty” que ela faz uma releitura de disco music, perfeita e se encaixou na voz dela, devia ter aproveitado essa vibe. Dá uma ouvida nessa Régis, acho que talvez você possa curtir. Aguilera sempre se sai melhor quando foge do convencional mas acho que ela ainda não aprendeu essa rs

  3. Eu gostei bastante desse CD dela, o melhor desde o Back to basics, de 2006. O Lotus e o Bionic foram feitos por imposição da gravadora, e o nome desse álbum é Liberation, pois foi feito da maneira que ela queria. Não vejo nada de Shakira em “Accelerate”, “Maria” e “Right Moves”, bem que a colombiana gostaria… Quanto ao CD do Justin, achei um horror também, acho que ele só acertou nos dois primeiros discos mesmo.

  4. Bem eu gostei do album da Christina Aguilera o liberation achei uma volta morna depois de tantos anos afastado, é eu queria saber onde vc conseguiu ver Shakira nessas faixas eu escultei varias vezes pra ver se eu achava alguma coisa mais nada ,agora o disco do justin horrivel escultei uma vez escultei a segunda pra tentar da uma chance mais não tem como pessimo kkkkkk

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