Pulp Fiction – Paródia Barata ou Reinvenção do Cinema?

Com total justiça, “Pulp Fiction” foi e ainda é aclamado como uma reinvenção do cinema, passando anos-luz de distância de ser uma paródia barata que se alimenta de nostalgia. Na verdade, a estrutura do filme não é linear; há uma série de truques narrativos que acentuam a verdadeira substância contida no filme. E a violência gráfica foi tão justamente celebrada que se tornou um elemento crucial para realçar a profundidade emocional e a própria temática do filme.

Obviamente, foi criada uma aura de culto desde o seu lançamento há três décadas, mas que não foi diminuída nem quando foi percebido que Quentin Tarantino simplesmente trouxe à superfície um filme de aparente originalidade, mas que no fundo era uma colagem impressionante de referências pop de outros filmes, com uma indulgência pretensiosa e divertida que, para mim, foi de uma genialidade sensacional. Aliás, Tarantino é um mestre na arte do resgate de cenas e personagens de filmes menores, ali do underground podre daquelas locadoras de VHS do passado. Afinal, ele trabalhou nelas, e é capaz também de transformar tudo isso em uma grande homenagem, com imitações nada disfarçadas. E isso é o que todo grande diretor de cinema faz. Martin Scorsese, Steven Spielberg e Tarantino fazem isso em todos os seus ótimos filmes, desde “Cães de Aluguel” de 1992 até “Era uma Vez em Hollywood” de 2019. E ele nunca escondeu isso de ninguém. Muito pelo contrário, ele faz questão de realçar. Só que ele sabe, como ninguém, transformar tudo que ele copia ou pega emprestado em algo que é facilmente identificável como sendo dele. Você pode, por exemplo, começar a assistir a um filme do Tarantino pela metade e, em 10 minutos, vai saber que é coisa dele só pela direção. Mas “Pulp Fiction” é um capítulo muito especial dentro dessa trajetória.

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