Uma das maravilhas da internet é a possibilidade de funcionar como uma “livraria de imagens”, na qual temos a oportunidade de resgatar momentos do passado e trazê-los ao contexto de nosso cotidiano atual.

Resolvi trazer aqui quatro vídeos que vão trazer emoções múltiplas ao seu espírito: diversão, surpresa, prazer e incredulidade. Personagens extremamente diferentes entre si, vivendo e trabalhando em áreas diversas, mas que nos deram – e ainda dão – a exata noção de que, em tempos de intolerância total, nada melhor que a arte de fazer a arte para nos afastar de tempos sombrios que se avizinham. Você não sente o odor de uma cruzada obscurantista a caminho? Eu sinto.

Para começar, um momento bastante divertido da entrevista que o ator Bradley Cooper deu a Jimmy Fallon no The Tonight Show em 2015, no qual ele deu uma aula de air guitar ao som de “Down by the River”, de Neil Young. Se você pensa que a ótima atuação dele na recente refilmagem de Nasce uma Estrela é obra do acaso ou de muita preparação, veja a naturalidade com que ele lida com uma situação que poderia ser embaraçosa, mas que rendeu boas risadas. O que ele nos ensina? Que é preciso fazer o que se gosta e estar naturalmente preparado quando aparecer a chance para se dar bem na carreira:

 

A seguir, eu trago dois momentos de rara sinergia musical em cima dos palcos. O primeiro é um trecho do show que David Bowie fez no Madison Square Garden, em Nova Iorque, em 1997, quando comemorou seu 50º aniversário e chamou ninguém menos que Robert Smith para participar em “The Last Thing You Should Do” e “Quicksand”. O que ambos nos ensinam? Pessoas diferentes podem fazer um ótimo trabalho juntas:

 

O segundo é um trecho sensacional de um show na época em que Robert Plant e Jimmy Page excursionavam juntos – em 1995, para ser mais preciso -, no qual eles tocaram uma canção do The Cure, a linda “Lullaby”, em homenagem a um dos integrantes da banda, o guitarrista Poll Thompson, ex-integrante do grupo de Robert Smith e que tocava com a dupla naqueles tempos. O que ambos nos ensinam? Para termos os amigos ao nosso lado, não custa nada sairmos de nossa própria zona de conforto:

 

Para terminar, um momento especialíssimo da excelente entrevista que o celebrado ator argentino Ricardo Darín deu ao programa Animales Sueltos anos atrás, no qual aborda os motivos que o levaram a recusar a proposta de um filme do diretor Tony Scott, Chamas da Vingança e, mais ainda, não querer trabalhar na indústria cinematográfica de Hollywood. Seus conceitos de ambição e as poderosas críticas contra a sociedade de consumo atual são uma verdadeira aula de lucidez, um artigo raro nos dias atuais na verdadeira zona de guerra em que se transformou as redes sociais. Mais ainda: é um autêntico tapa na cara de quem sonha em ser famoso a qualquer custo no mundinho das subcelebridades. Preste atenção às reações do incrédulo entrevistador. O que Darín nos ensina? Dinheiro e fama não compram a dignidade de alguém:

 

Reflita a respeito do que acabou de ler e assistir, por favor…