Que Quentin Tarantino é um de meus cineastas favoritos, disso você não precisa ter a menor dúvida. Ontem à noite, resolvi aproveitar que uma emissora de TV a cabo programou as duas partes de Kill Bill, uma na sequência da outra, e revi aquele que é um de meus filmes preferidos. Nem precisei tirar meus DVDs da estante para saborear – mais uma vez! – aquela maluquice a respeito de vingança. Domingo à noite, sozinho, com um imenso balde de pipoca no colo… Prazer absoluto!

Sim, eu sei que nem todo mundo é chegado nas loucuras do cara, na maneira como ele encontrou para contar histórias simples e chocar os mais conservadores, muito menos no excesso de violência e até mesmo no bizarro senso de humor negro sempre presente em seus filmes. Só que você há de concordar comigo: é absurdamente impossível ficar indiferente ao que ele faz. Ponto pacífico.

O que grande parte do público desconhece é que Tarantino é um grande apaixonado por filmes, principalmente aqueles dos anos 60 e 70 que os críticos “cabeça” consideravam ruins demais até para descer o pau, todos imersos na tríade “ação-sexo-violência” que fez a cabeça de muita gente que viveu aquela época, como o tiozinho que vos escreve aqui.

O entusiasmo de Tarantino é tamanho que ele não nega que cada um dos filmes que dirige é uma grande homenagem a esse tipo de cinema do passado. Não por acaso, cada uma de suas produções traz uma infindável série de referências explícitas aos filmes que o próprio diretor assistiu em cinemas pulguentos e fedendo a mofo, e até mesmo nas próprias locadoras de vídeos em que trabalhou como simples atendente.

Tempos atrás, intrigado com tal atitude, fui atrás de alguns filmes que inspiraram Tarantino a criar obras-primas como Cães de Aluguel, Pulp Fiction, os dois volumes de Kill Bill e tantas outras maravilhas. Não consegui encontrar todos, lógico. O que mostro abaixo são apenas alguns daqueles que encontrei espalhados pelos blogs e “You Tubes” da vida. Se você tem a mesma curiosidade que eu tive – e também o mesmo e estranho senso de humor -, certamente vai curtir estas amostras e vai tratar de dar uma “garimpada” por aí atrás destas… ahn… “belezinhas.

Thriller (também conhecido como They Call Her One-Eye)

O filme sueco de 1974 é uma das coisas mais “barra pesada” já mostradas nos cinemas em termos de vingança, tanto que chegou a ser banido no próprio país, sempre considerado um “lar de permissividade”. Dirigido por Bo Arne Vibenius e estrelado pela deliciosa e sinistra Christina Lindberg, que faz o papel de uma jovem de tapa-olho que busca se vingar de todos que a estupraram e mutilaram no passado, é um festival de tiros, sangue e depravações, ou seja, é um daqueles filmes que não dá para esquecer e muito menos deixar de passar semanas comentando com os amigos. Lembra da personagem de Daryl Hannah em Kill Bill? É, a assassina de tapa-olho? Adivinha a quem Tarantino homenageou?

 

City on Fire e The Killing

Aqui estão dois filmes que tanto inspiraram Tarantino em Cães de Alugel. O primeiro veio de Hong Kong, dirigido por Ringo Lam Ling-Tung e estrelado pelo famoso ator Chow Yun-Fat, que faz um agente infiltrado em um bando de assaltantes de bancos. O próprio Tarantino reconhece que “chupou” várias cenas – inclusive aquela em que todos apontam as armas uns para os outros dentro de um galpão – e até mesmo alguns diálogos deste filme para usá-los em sua produção. Já o segundo, de 1956, dirigido pelo lendário Stanley Kubrick, trata do mesmo tema e tem outra série de detalhes homenageados por Tarantino em seu próprio filme.

 

 

Da Uomo a Uomo (também conhecido como Death Rides a Horse)

Dirigido pelo italiano Giulio Petroni, esse filme de 1968 também foi uma grande influência na hora de Tarantino elaborar a saga Kill Bill. Estrelado pelo bonitão John Philip Law e pelo mitológico Lee van Cleef, é o típico filme em que a vingança é o fio condutor de toda a trama, pois o personagem de Law passa o filme inteiro caçando os quatro assassinos de seu pai, assassinado quando ela apenas um garoto. O moleque cresce, vira um exímio pistoleiro e… aí já viu, né? Tem a clássica cena em que o mocinho é enterrado vivo dentro da areia, apenas com a cabeça de fora, com a boca cheia de sabão e debaixo do sol do deserto. Quem viu Uma Thurman embaixo da terra em Kill Bill sabe de onde veio a ideia, certo?

 

Inglorious Bastards

O filme de 1978 dirigido por Franco G. Castellari foi a influência máxima para Tarantino na hora de criar a obra – com o mesmo título, inclusive – que traz a hilária imitação que Brad Pitt faz do Don Corleone eternizado por Marlon Brando em O Poderoso Chefão. É um filme de guerra muito divertido e alucinante!

 

Deliverance(no Brasil recebeu o título de Amargo Pesadelo)

Vários momentos desse eletrizante filme de 1972 dirigido por John Boorman serviram de inspiração para diversas cenas de Pulp Fiction, incluindo a mais famosa delas, que envolve uma curra. Dê uma sacada abaixo e veja depois de onde veio a ideia…