Rock in Rio 2024 – Escalação Ridícula?

A divulgação da escalação do Rock in Rio 2024 tem sido um desfile de desapontamento e desprezo por parte do público em geral, principalmente daqueles que ainda acreditam, por ingenuidade ou pura estupidez, ou por ambos os motivos, na verdadeira essência do rock nos dias atuais. Obviamente, esse tipo de sentimento só ocorre em quem ainda não entendeu que o mercado musical, mais do que em qualquer outra época do passado, se tornou cada vez mais refém dos interesses comerciais e da busca completamente desenfreada por lucro por parte da própria Indústria Musical.

O Rock in Rio 2024, mais uma vez, é um triste exemplo do declínio de qualquer tipo de integridade artística que as pessoas ainda acreditam que os artistas e as bandas têm debaixo dessa sombra da própria história gloriosa. Em termos de sobrevivência no mercado cada vez mais acirrado por outros festivais igualmente corporativistas, o Rock in Rio também tem esse perfil. Ele revela, já na escalação, o imenso e verdadeiro atestado de desconexão com a bolha roqueira, a bolha roquista que ainda acredita que os organizadores estão preocupados com a autenticidade e com a relevância do rock nos dias de hoje.

Toda hora eu sou obrigado a lembrar aos fãs botocudos ignorantes que o Rock in Rio nunca foi um festival de rock. O rock sempre fez parte da escalação desde a primeira edição do Rock in Rio, que todo mundo inclusive relembra com uma falsa saudade, já que todo mundo que esteve ali naquela primeira edição passou por perrengues terríveis, com lama até o joelho, totalmente impossibilidade de usar banheiro químico. Então todo mundo ali mijou e cagou ali, com cheiro de urina e merda que era insuportável, e fora as maratonas desesperadoras para chegar lá em Jacarepaguá e ir embora de lá. Só que ninguém fala nisso, porque todo mundo esquece que naquele primeiro Rock in Rio, ao lado do Iron Maiden, do ACDC, do Whitesnake, do Scorpions e do Queen, tinham Ivan Lins, Jorge Ben Jor, James Taylor, Elba Ramalho e tantos outros nomes que nada tinham a ver com rock. Ou seja, você pode parar com esse papinho de que ah, o festival perdeu sua essência, não, ele sempre foi essa mistureba. O problema é que essa pluralidade agora foi tomando proporções tão mercantilistas.

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