Chega a ser inacreditável receber quase que diariamente notícias a respeito da morte de grandes nomes da música de todos os tempos. Tem hora que chego a pensar que este blog vai virar uma espécie de “obituário musical”, tamanha é a frequência de falecimentos. Desta vez, este texto vai tentar homenagear uma figura tão importante quanto desconhecida para várias gerações, das mais velhas até as mais novas. Porque Scott Walker foi um artista para pouquíssimos paladares musicais…

Confesso que descobri tardiamente o belo trabalho dos Walker Brothers, grupo do qual Scott era um dos integrantes, ao lado de John Walker e Gary Walker, que de irmãos não tinham nada – sequer eram parentes e nenhum deles tinha “Walker” como sobrenome de batismo -, mas que foram uma das inspirações para a “família Ramone” de Joey, John, Dee Dee e Tommy, mas essa é outra história…  Foi só no início dos anos 70 que ouvi no rádio uma linda canção de 1966, “The Sun Ain’t Gonna Shine Anymore”, com um vozeirão sensacional, backing vocals angelicais e um refrão que nunca mais abandonou a minha cabeça. Foi um sucesso mundial que, para variar, passou despercebido no Brasil:

 

Quando os sebos de LPs usados se tornaram comuns, passei a caçar qualquer disco que tivesse Scott Walker na capa ou na ficha técnica. Nunca me decepcionei, principalmente com os álbuns de sua carreira solo. Lançou um monte deles, gosto de todos, mas recomendo a quem nunca ouviu falar dele que comece ouvindo seus quatro primeiros álbuns em ordem cronológica: Scott (1967), Scott 2 (1968), Scott 3 (1969) e Scott 4 (1970):

 

 

 

 

A partir dos anos 80, Walker deu uma pirada musical e passou a gravar discos cada vez mais ousados em termos de experimentalismo pop, iniciando tal fase com o pouco convencional Climate of Hunter, de 1984. De alguns anos para cá, tinha radicalizado ainda mais em trabalhos de trilhas sonoras para o cinema e em álbuns assustadores – no melhor sentido da palavra! – como The Drift (2006), Bish Bosch (2012) e Soused (2014), este último gravado em parceria com o esquisitíssimo grupo Sun O))). Não é à toa que Walker sempre foi uma das maiores influências de David Bowie e do Radiohead inteiro:

 

 

 

Se você ficou curioso, veja a “playlist” que montei lá em meu perfil – registadeu – no Spotify e perceba que, onde quer que sua alma esteja neste exato momento, Walker certamente vai dar uma ‘apavorada’ nos padrões musicais pré-estabelecidos. Disso não tenho a menor dúvida.