Ted McKenna se foi sem que você o conhecesse

Quase ninguém o conhecia no Brasil. Nem mesmo quem é baterista tinha seu nome na ponta da língua na hora de citar seus favoritos. Uma pena. Porque Ted McKenna merecia ter um reconhecimento muito maior do que obteve desde o início dos anos 70, quando fez parte do igualmente subestimado The Sensational Alex Harvey Band, liderado pelo loucaço vocalista Alex Harvey e que tinha em sua formação um igualmente talentoso e esquisito guitarrista, Zal Cleminson.

Com a banda, McKenna gravou discos espetaculares e que marcaram toda a minha adolescência – Framed (1972), Next… (1973), The Impossible Dream (1974), Tomorrow Belongs to Me e Live (ambos de 1975), The Penthouse Tapes (1976), SAHB Stories (1976) – a partir do momento em que assisti a apresentação da banda em um show ao vivo no extinto programa Concerto de Rock, na antiga TV Bandeirantes. Fiquei imediatamente vidrado em tudo aquilo que conhecia e saí atrás de todos os LPs dos caras. O som era tão maluco e espetacular que eu garanto: se clicar nos links abaixo e ver/ouvir tudo o que postei, nunca mais será o mesmo…

 

 

 

 

 

Com o fim da banda, McKenna foi recrutado pelo lendário guitarrista irlandês e com ele gravou ótimos discos – Photo-Finish (1978), Top Priority (1979) e um espetacular ao vivo, Stage Struck (1980) – e deu uma pegada mais roqueira ao som do cara.

 

 

 

Tempos depois reapareceu na formação do MSG, o ótimo grupo liderado pelo ex-guitarrista do UFO, Michael Schenker, substituindo ninguém menos que o mitológico Cozy Powell. Outra vez fez um trabalhando brilhante no excelente Assault Attack (1982) e no mediano Build to Destroy (1983). Décadas depois, fui surpreendido com a presença dele – vestindo uma camisa do Flamengo! – na banda do Ian Gillan, que aportou aqui no Brasil para divulgar sua carreira solo.

 

 

 

Seu estilo firme e eclético permitiu que fosse um baterista extremamente requisitado para tocar com gente famosa dos mais variados estilos: do hard rock pop progressivo de Greg Lake em sua carreira solo ao blues de Gary Moore, passando pela soul music da dupla Womack & Womack.

McKenna morreu sábado passado, aos 68 anos de idade, vitimado por uma inesperada hemorragia durante uma simples cirurgia de hérnia. Morreu anestesiado. Sei que agora não adianta, mas seria legal você ver e ouvir todo esse material que postei aqui. Ele ficaria contente em saber que, mesmo tardiamente, alguém vai descobrir o excelente baterista que sempre foi…

 

 

2019-01-22T17:09:55+00:00

16 Comments

  1. Flavio 22 de janeiro de 2019 at 18:39 - Reply

    Grande durm man sua passagem foi magnífica. Ótimo trabalho

  2. Kleber Peters 22 de janeiro de 2019 at 23:40 - Reply

    Assault Atack é um dos meus discos “de cabeceira”. Gosto muito, me brinda com boas recordações, principalmente Rock you to the ground (não pergunte). Não tinha me dado conta que não era o Cozy na batera. Então já ouvi muito Ted McKenna. Mas não sabia que era ele. Rory Galager não ouvi muito (preciso me fazer este favor).
    Uma pena. RIP Ted… e cada vez mais os bons se vão e não tem reposição…

  3. Maurício Rigotto 23 de janeiro de 2019 at 00:01 - Reply

    Escrevi um texto sobre a Sensational Alex Harvey Band há uns dez anos. Segue o link:

    http://www.collectorsroom.com.br/2010/03/rigottos-room-sensational-alex-harvey.html?m=1

  4. Cláudio Moraes 23 de janeiro de 2019 at 08:10 - Reply

    Bon Scott tinha Alex Harvey como grande fonte de inspiração, em seu início no AC⚡DC.

    • Regis Tadeu 23 de janeiro de 2019 at 10:26 - Reply

      Bem lembrado, Claudio.

  5. Henrique Brandão 23 de janeiro de 2019 at 10:44 - Reply

    Não sabia que ele tinha feito parte do KISS…. Legal !!!

    • Regis Tadeu 23 de janeiro de 2019 at 11:30 - Reply

      De onde você tirou tal absurdo?

      • Henrique Brandão 23 de janeiro de 2019 at 11:35 - Reply

        Por que absurdo ?? Assisti com atenção todos os vídeos que você postou . No segundo vídeo é ele na bateria com o KISS . Tô correto ?

        • Regis Tadeu 23 de janeiro de 2019 at 17:26 - Reply

          Claro que não! Que estupidez… Você provavelmente você nunca viu o Kiss na vida. E leia a porra da legenda do vídeo, caceta!

          • Henrique Brandão 23 de janeiro de 2019 at 17:47

            Cara, sou fã número 1 do KISS , já fui em 2 shows . E realmente peço desculpas, pois não é a banda KISS completa tocando com o Ted McKenna, e sim apenas o Paul Stanley . Confira Paul Stanley arrebentando aos 1:19 e 2:04 do seu segundo vídeo . Agora eu tô certo ?

          • Regis Tadeu 23 de janeiro de 2019 at 20:56

            “Fã número 1 do KISS”??? Ou você é um completo retardado ou está tentando tirar um sarro da minha cara. Resumindo: seu tempo comigo acabou. Vá se tratar. Passar bem.

          • Henrique Brandão 23 de janeiro de 2019 at 22:48

            Meu amigão Régis, não quero tirar sarro de você não, e não sou retardado. Sou fão número 1 do KISS no Brasi e no Nordeste tenho a página no Facebook “Kiss Fã Clube Nordeste – Brasil” . Eu não entendi porque voce tem raiva de mim , não é o Paul Stanaley no segundo vídeo ?? Me ajuda aí , por favor, eu acho que é sim.

          • Henrique Brandão 23 de janeiro de 2019 at 22:50

            Entra na minha página do Facebook ” Kiss Fã Clube Nordeste – Brasil” eu tenho fotos raras que eu tirei pra você ter certeza que sou fã número 1 do KISS ninguém conhece essa banda mais que eu não tô correto ??

  6. Carlos de Manuel 23 de janeiro de 2019 at 13:10 - Reply

    É realmente uma pena o desconhecimento do público sobre a Sensational Alex Harvey Band. Lembrei-me do som deles tempos atrás no show do agrupamento de hired guns Dead Dasies, que fizeram um cover de Midnight Moses, certamente o ponto alto do show.

  7. Eduardo 23 de janeiro de 2019 at 13:54 - Reply

    Grande baterista. A sua participação no video Live at Hammersmith Odeon 83 do MSG é espetacular. Baterista de presença, ainda fez parte de um belo disco ao vivo gravado no mesmo local em performance de Greg Lake. Sua performance em Vambo, versão do disco Live, junto com Cleminson é fabulosa. Realmente não ficou muito conhecido no Brasil.

  8. Sandro Rafael da Silva 23 de janeiro de 2019 at 15:56 - Reply

    Realmente não conhecia o trabalho do cara, mas vendo os vídeos nota-se que era um baterista espetacular. Abraço.

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