Ele nunca foi um ótimo vocalista ou autor de letras geniais. Sua figura nunca teve nada de esotérica ou sombria. Pelo contrário! O cara sempre teve pinta daqueles caminhoneiros ingleses fanáticos por rock. Todos os selos e produtores que ouvem seus álbuns e assistem aos seus shows sabem que a palavra “fracasso” ronda a carreira dele.

A história de Blaze Bayley é muito triste em termos artísticos e pessoais, repleta de falências, morte de entes queridos, depressão… Teve a grande chance de sua vida quando foi escolhido para substituir ninguém menos que o adorado Bruce Dickinson no Iron Maiden. O líder do grupo sempre foi o Steve Harris e ele decidiu que Blaze, então vocalista de um grupo medíocre chamado Wolfsbane e seu amigo pessoal, seria o substituto do lendário Dickinson. Deu no que deu…

Blaze quase convenceu com sua interpretação meio rouca e quase comedida no subestimado X-Factor, mas quando começou a fazer os primeiros shows com a banda, a fanática seita travestida de seguidores/adoradores de tudo o que o grupo fazia ficou em choque: ao vivo, Blaze era muito, mas muito ruim. Sua presença de palco fazia um cacto parecer o Iggy Pop. É clássica – e incrivelmente constrangedora! – a cena em um show no Chile em 1996, em que a banda toda se posta ao seu lado na frente do palco e encarando com raiva os fãs que teimavam em cuspir nele. Assista até o final e fique espantado com esse raríssimo momento de ira da banda e da equipe, principalmente do sempre alegre e boa praça Steve Harris:

 

Para piorar, ele foi um dos principais personagens do desastre que foi o disco seguinte, Virtual XI, um disco unânime na lista dos piores álbuns de heavy metal de todos os tempos. Antes que o Maiden afundasse de vez, o todo-poderoso Harris mandou o vocalista pastar, engoliu o orgulho e chamou Bruce de volta.

Blaze não tinha mesmo o que fazer e tratou de construir uma carreira solo – batizada apenas com o seu primeiro nome – que, inicialmente, se mostrou bastante digna com o lançamento de três bons álbuns: Silicon Messiah (2000), Tenth Dimension (2002) e Blood & Belief (2004).

 

 

 

A banda até que era razoável, mas enquanto as turnês não rendiam grana porque eram pessimamente administradas, os músicos entravam e saíam do grupo quando viam que não receberiam o combinado e tudo acabou de modo melancólico.

Desapontado e por alguma razão desconhecida, o vocalista pensou que prosseguir sua carreira com seu nome e sobrenome melhoraria a situação. Pelo contrário, piorou muito! Os discos lançados subsequentemente são tão horríveis que chegam a ser constrangedores em termos de produção. O seu nome se tornou a sentença de morte para cada passo que passou a dar na carreira. Nem mesmo quando aceitou gravar um último disco com o Wolfsbane em 2011 – o surpreendentemente bom Wolfsbane Save the World – fez com que um vento de sorte soprasse em sua carreira:

 

 

Ele acaba de lançar mais um disco patético, December Wind, dessa vez totalmente acústico, no qual colocou sua voz de modo cru e totalmente sem qualquer tipo de produção, como se tivesse sido gravado na sala da casa de algum parente. O pior é que os temas em sua porção instrumental não são tão ruins, mas foram totalmente estragados pelas vocalizações completamente equivocadas de Bayley. Que tristeza… Ouça e sinta o drama:

 

 

 

Torço muito para que ele encontre um caminho musical que propicie um alívio para sua vida, toda ela marcada por sucessivas decisões equivocadas e uma babilônica falta de sorte. Talvez se mudasse os nomes de seus projetos… No fim, fica a impressão que seu passado com o Maiden parece ser um empecilho para que isso aconteça.