Sim, é isso mesmo o que você acabou de ler aí no título deste artigo. E a foto que o ilustra é exatamente o que você pensou: Justin Bieber, da sacada do hotel onde estava hospedado, cuspindo nas fãs histéricas na calçada. Deprimente, não? Pois saiba que não tenho a menor penas das garotas. Elas mereceram.

Antes de continuar a ler o que escrevi, é necessário que você tenha em mente o seguinte esclarecimento: fã é todo aquele ser que chora por seu ídolo, que coleciona pastas e pastas com fotos de seu objeto de desejo, que tem seu quarto forrado de pôsteres do alvo de seu fanatismo – palavra que, não à toa, originou o termo “fan” ou “fã”, dando uma ‘abrasileirada’-, que chora na porta de camarim, que passa dias e dias na fila, esperando o momento de entrar no local onde acontecerá o show de seu “amor não correspondido”, que acampa na porta do hotel onde seus ídolos estão hospedados em busca de um pouco de descanso entre uma viagem e outra…. Ou seja, é o retrato nu e cru, despido de qualquer racionalidade, de um idiota.

Se você é daquelas pessoas que adora o seu ídolo de uma maneira equilibrada, que aprecia o seu trabalho quando o cara manda bem, mas reconhece as pisadas na bola e os vacilos, então você não é um fã, mas sim um admirador. Você simplesmente gosta da banda ou de quem quer que seja. Você não o ama, não chora por ele, não grita, não se desespera quando um pedido de autógrafo é recusado, não pensa em cortar os pulsos quando recebe a notícia que seu “amor” vai se casar com uma outra pessoa que não é você. Você não é um fã. Você não é um imbecil.

Agora, a verdade que precisa ser dita, mesmo que ela seja muito dolorida para quem está lendo este artigo neste exato momento: o artista também acha que o seu fã é um idiota.

Ele sabe que esse amor desmedido é uma bobagem, um transtorno hormonal muito comum em adolescentes, embora sejam freqüentes os casos de pessoas mais velhas se portanto como bobalhões. Em caso de dúvida, vá até a porta de um hotel de luxo que esteja hospedando um artista internacional e veja com seus próprios olhos. Poucas coisas são piores que adultos pensando e agindo como crianças de quinze anos de idade.

O artista quer que você compre o disco dele e vá aos shows, que demonstre explicitamente a sua devoção comprando a camiseta da turnê, a edição especial do CD que está sendo “trabalhado” na turnê, o chaveirinho, o imã de geladeira. Todo artista no fundo, pensa “me ame, me idolatre, compre todas as bugigangas que eu soltar no mercado, mas fique longe de mim”. Lamento, mas esta é a pura verdade.

Quer um exemplo? Este vídeo chegou aos meus olhos ontem e mostra a porta do hotel onde estavam hospedados os integrantes do Red Hot Chili Peppers em 2016 para um show em um estádio em Bolonha na Itália. Além de um grande número de retardados aguardando por migalhas de atenção, há um guitarrista que levou seu instrumento e um amplificador para tocar – e bem, por sinal – “Scar Tissue”, uma das mais conhecidas canções da banda, ali mesmo. Repare no ‘carinho’ que Anthony Kieds, Flea e Chad Smith demonstram ao saírem do hotel e ver um grande bando de desocupados – todos adultos! – empunhando celulares para ‘selfies’:

A tradicional “cara de pau” que todo artista tem em relação aos seus devotados súditos surgiu dias depois no Instagram da banda, que postou o vídeo acima com a legenda “Obrigado a Bolonha por ser uma cidade tão bonita e obrigado aos nossos belos fãs”. Cinismo maior impossível.

A cena acima é apenas mais um dos milhões de momentos em que o artista ou quem quer que faça parte de uma banda famosa demonstra em relação ao seu fã. Claro que há exceções, mas a grande maioria dos fãs é tratada exatamente como se vê no vídeo: com um misto de desprezo, arrogância e indiferença.

Sinceramente, deixei de acreditar que algo precisa ser feita em relação a isso. Não há mais cura, o processo é irreversível. Já temos – e continuaremos a ter até o fim de nossa existência neste lindo e miserável planeta – gerações inteiras de cretinos. Basta dar uma olhada nas redes  sociais pata ter uma boa ideia do que seus filhos terão que conviver cotidianamente. É de estarrecer os mais otimistas. Fico vontade de defender a tese de que certas pessoas deveriam ser impedidas de se reproduzirem…

Mesmo com todo esse cenário que beira o tragicômico e completamente desiludido, vou continuar a mostrar minha indignação contra essa massa de pessoas pouco pensantes sempre que julgar necessário. Quando eu morrer, quero estar com a consciência tranquila em saber que não me rendi e muito menos fui cúmplice dessa estupidez em escala mundial.