Toots Hibbert foi uma figura tão fundamental na história do reggae que me atrevo a dizer que o mitológico Bob Marley não teria sido quem foi se não fosse pela gravação que ele e seu grupo The Maytals soltaram em um compacto na Jamaica em 1968, que até hoje é considerado como o “marco zero” do gênero, “Do the Reggay”. Quanto Toots e seus amigos resolveram desacelerar o ska e unir ao poder melódico do rocksteady, o reggae deu seus primeiros passos para dominar não apenas o Caribe, mas o planeta inteiro.

Quando o genial produtor/empresário sacou que ganharia uma tremenda grana lançando álbuns do gênero na Inglaterra por intermédio de sua gravadora Island, os primeiros escolhidos foram Toots e seu grupo, mais o carismático Jimmy Cliff. Logo de cara, ele e os Maytals soltaram em 1970 um compacto matador, “Monkey Man” – que anos depois repetiu o sucesso mundial por conta da versão dos ingleses do The Specials – e em 1972 um clássico indiscutível, Funky Kingston, um amálgama de reggae e soul que faria qualquer grupo terrorista da época deixar de lado aquela bobagem de soltar bombas por aí e sair sacolejando pelo bairro em busca de um ‘bagulhinho’. Não foi à toa que Keith Richards dizia que “Toots era um soulman do porte do Otis Redding”. Corretíssimo!

 

A internacionalização continuou com o sucesso do filme The Harder They Come, que transformou Cliff em um astro – vivendo um papel claramente inspirado em Toots – e transformou em sucesso outra sensacional canção com os Maytals, “Pressure Drop”, que mais tarde foi regravada até pelo The Clash:

 

Nas décadas, ele e seu grupo passaram incólumes pelo desgaste do tempo, gravando discos um mais bacana que o outro e fazendo turnês constantes. Quando surgiram as notícias de sua doença semanas atrás,  ele já estava internado em estado grave. Seu sofrimento nos últimos tempos chegou ao fim na sexta-feira passada. Ele estava em coma induzido por conta de uma série de complicações causadas pela COVID-19, causada pelo novo Coronavírus.

Se quiser conhecer o trabalho dele de uma maneira mais profunda, montei dias atrás no Spotify uma playlist que é um bom mergulho inicial. Não deixe de ouvir!