Umas das coisas mais interessantes que reparei a partir do momento em que comecei a trabalhar em televisão foi a maneira como algumas pessoas pensam que ser “artista” significa estar alguns degraus acima do nível dos pobres mortais que sentam à frente de um aparelho de TV. E quando escrevo “interessante”, é porque ainda hoje tal postura desperta em mim um misto de incredulidade com… pena.  É, pena ou piedade, pode escolher.

Muito antes de adentrar ao universo da televisão por conta de uma longa entrevista que dei ao Jô Soares anos atrás – que você já deve ter visto no You Tube, acredito -, eu já tinha o pensamento que vou externar daqui a pouco. Só que depois que passei a trabalhar neste meio, tal opinião se fortaleceu ainda mais.

Caso você esteja curioso(a) a respeito do que penso, escrevo agora: é inadmissível tratar mal alguém que está trabalhando justamente para que o seu trabalho seja reconhecido. Aliás, é vergonhoso tratar mal quem quer que seja.

Algumas pessoas ainda estranham o fato de eu cumprimentar absolutamente todo mundo que encontro pela frente quando entro em um ambiente fechado. Todo mundo mesmo, sem exceção. Fui educado dessa forma por minha saudosa mãezinha, a gloriosa Dona Irene – que também incutiu em meu vocabulário constante as palavras “por favor”, com licença”, “por gentileza” e ‘obrigado” – e vou carregar tal lição até o fim de minha existência. Por isso, já notei que algumas pessoas que trabalham na TV ainda estranham ao me ver cumprimentando e brincando com faxineiras, “tias do café”, operadores de câmera, “caboman”, seguranças e quem mais é considerado “subalterno”.

Eu mesmo já tomei algumas esnobadas de, coincidentemente, ‘apresentadores de telejornais’ nos corredores das emissoras por onde passei na forma de um “boa tarde/boa noite” não respondido. Até hoje não entendi o motivo. Será que eles ficaram bravos por conta de minhas opiniões musicais a respeito de gente do naipe do Latino, Chiclete com Banana e outros ‘artistas’? Vai ver que foi por isso…

Para muitos, ver alguém que participa de um programa – e cuja imagem vai ao ar – ter um contato mais próximo e brincalhão com funcionários que são ignorados no dia a dia é uma exceção dentro do cotidiano de uma emissora. Infelizmente…