Sim, eu sei que um nome não tem nada a ver com o outro, a não ser o fato de ambos se apresentarem oficialmente como duos. Por isso mesmo resolvi dar continuidade a esta série aqui no blog escolhendo dois grupos que devem ser ouvidos com a máxima atenção não apenas dentro dos contextos de seus respectivos universos, mas também para estabelecer uma conexão entre eles, uma ponte que possa fazer seus neurônios funcionarem com maior desenvoltura.

As discografias de ambos são muito boas, cada uma com qualidades e características bem diferentes, mas que servem para abrir a sua cabeça e fazer com que você perca uma série de preconceitos musicais. Escolhi dois discos específicos que podem facilitar bastante a compreensão do espectro da sonoridade de cada um deles…

 

Black Keys

THE BLACK KEYS – Magic Potion

É nesse disco que o duo formado pelo guitarrista/vocalista Dan Auerbach e pelo baterista Patrick Carney lambuzaram ainda mais o seu som com uma “lama sonora” que deixa tudo com um charme vintage inebriante. Basta ouvir faixas como “Just Got to Be”, “Goodbye Babylon” e “Just a Little Heat” para sentir a “vibe fuzzy” que sempre foi a marca dos caras adquiriu um verniz cristalino e tremendamente potente em sua rusticidade. Mais uma vez influenciadas pela sonoridade de antigos bluesmen – como o criminosamente subestimado R.L. Burnside – e até mesmo de Jimi Hendrix e Led Zeppelin, as canções parecem exalar uma “poeira de deserto” quando ouvidas em equipamentos decentes.

Esqueça as comparações com o finado White Stripes que sempre acompanharam Auerbach e Carney desde o início. O som do Black Keys vai muito além da limitação harmônica/melódica e rítmica do antigo casal White…

 

 

 

OUTKAST – Idlewild

Depois de obter um sucesso estrondoso e em escala mundial em 2003 com o hit “Hey Ya!”, que rendeu vendagens milionárias do álbum Speakerboxxx/The Love Below e até mesmo um inesperado Grammy, a dupla formada por Andre Benjamin e Antwan “Big Boi” Patton fez o que pouca gente esperava: deu um tempo e saiu holofotes midiáticos. Ambos resolveram se aventurar nas artes cinematográficas, viraram atores e pararam de falar a respeito de música.

Quando voltaram três anos depois, os caras vieram com este desconcertante álbum, que traz uma espécie de recombinação dos estilos de cada um para criar um desfile de sonoridades tão diferentes quanto geniais, aparentemente reunidas em uma espécie de trilha sonora para algum filme ambientado na década de 1930. Bastante influenciadas por Prince, George Clinton, Stevie Wonder e Sly and the Family Stone, as canções ora mergulham no funk marcial (“Morris Brown”), ora no gospel (“Mutron Angel” e sua batida tocada ao contrário), ora no blues (“Idlewild Blue”), ora no r&b eletrônico (“In Your Dreams”) e até mesmo no típico Dixieland jazz (“When I Look in Your Eyes”). É uma surpresa agradável atrás da outra!

 

 

 

 

 

Enfim, esses dois discos são perfeitos para que sua cabeça musical fique ainda mais aberta e antenada na conexão com universos distintos, mas nem tanto…