Vulgarização da Música Brasileira

Você pode até me considerar uma espécie de farol sombrio, pessimista, mas sinto-me compelido a alertar você, sua família e seus filhos sobre a importância de prestar atenção e olhar de forma incisiva para o cenário desolador em que a excelência da música brasileira está sendo diariamente relegada e varrida para debaixo do tapete em favor de um lucro rápido e efêmero. Isso dá continuidade ao processo de emburrecimento coletivo da população.

O que mais se vê hoje dentro desse cenário musical brasileiro é gente artisticamente péssima, desafinada, despreparada e que se torna uma atração maior do que a própria música, sem qualquer intuito artístico, focada exclusivamente e comercialmente em atingir o maior número de pessoas. É um festival de materialismo hedonista, calcado em uma sensualidade escrota, muitas vezes valorizando o crime e o abuso do corpo.

A vulgarização da música brasileira é um processo que já vem se instalando há muito tempo. Esqueça aquelas canções de duplo sentido da música nordestina, por exemplo, que marcaram as décadas de 60 e 70, sendo divertidas e quase inocentes em suas sacanagens daquela época. No vídeo, estou me referindo a algo muito mais contundente, presente nos meandros da música brasileira contemporânea.

O que se vê no mercado, principalmente no mercado popularesco, não é mais uma celebração da arte, do despudor poético que marcou inúmeras canções do passado, como as sensacionais “Tem Coca Aí na Geladeira” e “Minha Sogra Parece Sapatão”, do Bezerra da Silva, ou a divertidíssima “Só Capim Canela”, do cantor Manhoso, e até mesmo o “Rock das Aranhas”, do Raul Seixas, só para citar algumas dessas milhares de canções maravilhosas com esse tipo de deboche.

O que vemos nos dias atuais é um aumento em escala intergaláctica da vulgarização, que passou a assolar os mais profundos alicerces da cultura nacional. Não é apenas um problema de gosto musical, mas sim uma preocupação com a qualidade artística e a mensagem que estamos transmitindo para as futuras gerações. É crucial resistir a essa tendência e lutar pela preservação da verdadeira essência da música brasileira.

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