Mais Bonamassa para quem precisa

Começou lentamente. Uma indicação aqui, outra ali… E em tempos de internet, em que a “propaganda boca a boca” se agigantou de modo planetário, dependendo de quem indica a coisa pode adquirir contornos imensuráveis – para o bem e para o mal.

Assim aconteceu com o guitarrista americano Joe Bonamassa, um cara que vem se tornando uma espécie de unanimidade dentro do universo guitarrístico. Aquele cara do qual é impossível falar mal. Sejam por seus inúmeros discos brilhantes ou por sua maneira irretocável na abordagem do instrumento. Pelo timbre “vintage” de sua voz – que se parece muito com a de Paul Rodgers – ou pelo ecletismo certeiro – vide o seu trabalho no grupo Black Country Communion, ao lado do baixista/vocalista Glenn Hughes e do baterista Jason Bonham, filho você sabe muito bem de quem, e também com o ótimo grupo Rock Candy Funk Party. Seja por qualquer outra característica musical.

Fiquei muito surpreso ao ler uma série de comentários a respeito do texto que escrevi a respeito dele semanas atrás – que você pode ler aqui . Principalmente por parte inúmeros leitores que não conheciam o trabalho do cara e que ficaram maravilhados com os álbuns Redemption e British Blues Explosion Live, ambos lançados no ano passado. É esse tipo de feedback que faz meu trabalho valer muito a pena…

É verdade que o estilo pessoal de um guitarrista – e de qualquer outro instrumentista – é o resultado de diversas influências batidas em um imenso “liquidificador”, e Bonamassa vem sabendo utilizar muito bem a “vitamina” que produziu, repleta de altas doses de Stevie Ray Vaughan, Jeff Beck, Jimmy Page, Rory Gallagher, Eric Clapton e Jimi Hendrix, que é utilizada em todos os projetos que ele abraça.

Nos shows, a coisa toda se transforma em uma maravilhosa epifania guitarrística que passa a anos-luz da masturbação técnica dos “Yngwie Malmsteens” da vida – quem esteve presente nas apresentações que ele fez no Brasil sabe bem o que estou escrevendo. Por isso, para que você se aprofunde ainda mais na obra desse estupendo guitarrista, recomendo três pérolas em formato de disco…

 

O ótimo Different Shades of Blue, lançado em 2014, traz um timaço de músicos ao seu redor, como o baixista Carmine Rojas – que tocou por anos na banda de David Bowie – e o baterista Anton Fig, renomado músico de estúdio que já gravou com meio mundo – inclusive, foi ele quem gravou dois álbuns do Kiss, Dinasty e Unmasked, e não o Peter Criss – e que está com Bonamassa até hoje. Com um repertório matador e uma variedade de timbres de guitarras que chega a ser estonteante – ele usou 20 guitarras antigas e 13 amplificadores diferentes -, Bonamassa deu prosseguimento a uma carreira brilhante. Separei umas canções deste álbum para você ter uma ideia do som do cara:

 

 

 

A segunda pérola que você obrigatoriamente tem que ouvir é o álbum de 2012, Driving Towards the Daylight, tão bom quanto todos os outros que Bonamassa lançou, mas com um grau de sensibilidade mais evidente. Ouça e veja exemplos disso:

 

 

 

A terceira maravilha é o sensacional DVD Live in Amsterdan, de 2014, gravado ao lado de uma constante parceira, a ótima cantora Beth Hart, com quem Bonamassa mantém uma carreira paralela, com discos absolutamente sublimes. Aqui a dupla simplesmente arrasa em uma apresentação de tirar o fôlego e arrepiar todos os pelos do corpo:

 

 

 

São três pepitas musicais tão importantes que deveriam ser saudadas com uma salva de 21 tiros de canhões toda vez que você decidir ouvir e assistir. Se você for à casa de alguém e a pessoa tiver esses dois discos e o DVD, pode abraçar que é gente boa…

 

 

 

2019-01-31T18:31:28+00:00

7 Comments

  1. Ricardo Moroni 31 de janeiro de 2019 at 21:16 - Reply

    Bonamassa já está na minha lista de Monstros da música como Clapton, Moore, BB King, Page e outros!! Admiro até quem ele indica como Marcus King B!
    Ótima resenha Régis!!

    • Regis Tadeu 1 de fevereiro de 2019 at 12:37 - Reply

      Obrigado, Ricardo.

  2. Sandro Rafael da Silva 1 de fevereiro de 2019 at 10:49 - Reply

    Régis, depois daquele seu primeiro texto sobre o Bonamassa, comprei os cd’s Dust Bowl e Don’t Explain (com a Beth Hart) e adorei. Detalhe que nos encartes, o cara indica todo equipamento usado nas gravações! Grande indicação e grande texto! Abraço.

    • Regis Tadeu 1 de fevereiro de 2019 at 12:36 - Reply

      Valeu, Sandro!

  3. Rodrigo 1 de fevereiro de 2019 at 16:31 - Reply

    Driving Towards The Daylight é um dos meus álbuns favoritos mestre Régis. Não quero escrever bobagem aqui, mas a maneira que o Bonamassa toca guitarra me lembra um pouco o Stevie Ray Vaughan. É sem dúvida o artista que mais tenho prazer em escutar hoje em dia. Como o senhor já escreveu, o cara só lança pérola atrás de pérola.

    Abração e obrigado pelas maravilhosas indicações!

    • Regis Tadeu 1 de fevereiro de 2019 at 16:44 - Reply

      Valeu, Rodrigo!

  4. Walter 4 de fevereiro de 2019 at 08:28 - Reply

    Bom dia, Regis. Sem dúvidas, o Bonamassa é o meu guitarrista favorito em atividade. Os solos dele tem feeling, ele sabe se expressar como poucos com uma guitarra. Sou mais três notas dele com uma pausa no meio do que 200 notas por segundo desses fritadores que tem por aí. Falam muito com a guitarra, mas não dizem nada. Sem contar que ele é dono de uma coleção de guitarras e amplificadores de fazer inveja a qualquer museu. E usa todas, pois, segundo ele “guitarras existem para serem tocadas”. É dele a primeira Stratocaster preta, por exemplo.

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